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Na Busca de Cristo

Na Busca de Cristo

Existe só um Cristo. Atualmente, no mundo existem mais de bilhão de cristãos - um bilhão, mil milhões de cristãos. Entretanto, desse um bilhão de cristãos, quantos serão capazes de chegar a um acordo quanto a QUEM aquele Cristo único é?

Existe só um Cristo e através dos séculos, os homens e mulheres O tem buscado. Muitas foram as sendas que seguiram. Alguns seguiram o caminho ortodoxo, enquanto outros seguiram o oculto. Ainda outros seguiram o caminho do coração, enquanto outros seguiram o da mente.

Existe só um Cristo. Entretanto, olhando através dos dois mil anos passados, encontramos diferentes ensinamentos, cada um deles proclamando ser aquele, o único, o verdadeiro ensinamento de Cristo.

Existe só um Cristo, mas muitos, vendo as divisões dos séculos passados, ficaram confusos e espantados, frustrados e de corações feridos, sem saber qual desses grupos pregava o verdadeiro Cristo.

Desde que há só um Cristo, muitos acreditam que deve haver só uma Igreja Cristã, um Ensinamento ou Doutrina. Procuram a "Verdadeira Igreja" e a "Religião Cristã Original". Aqueles que proclamam ter encontrado àquela e única Igreja, fazem-no por ignorar ou alterar os fatos históricos. Quando olhamos para trás e estudamos o desenvolvimento do Cristianismo desde seu início, chegamos a conclusão de que nunca houve uma unidade completa entre os Cristãos.

Os primeiros Cristãos eram judeus e pregavam só para os judeus (At 11:19). E eram influenciados pelo ambiente, educação e conhecimentos a que estavam habituados. Depois de algum tempo, os Gentios foram também atraídos para esses novos ensinamentos. Em breve houve Cristãos Judeus e Cristãos Gentios, assim como Cristãos com tradições gregas, egípcias e até romanas. Como Hans-Joachim diz no seu livro "Cristianismo Judeu": "... não devemos postular um sistema conceitual completamente desenvolvido, relativamente ao período em que os grupos cristãos estavam tomando forma, mas aceitar antes como espírito da época em que o Cristianismo teve o seu começo, precisamente os elementos variáveis, acidentais e mesmo contraditórios, que encontramos tão frequentemente nos livros do Novo Testamento.

Os Cristãos primitivos eram defrontados com grande número de importantes questões. Quem era Cristo? Qual a sua mensagem? Quem estava autorizado a falar por Ele? O que se exigia de seus seguidores? Essas e outras questões como aquelas relacionadas com o significado de queda, salvação e pecado, eram de primária importância para os primitivos Cristãos. E os grupos dividiram-se na procura das respostas para essas questões. Cada um dos grupos proclamava ter a resposta certa, a única reposta, a resposta Cristã.

Quem era o Mestre? Era Ele, como os romanos receavam, um líder rebelde? Ou era Ele mais um na longa lista dos profetas? Ele era o Filho do Homem ou o Filho de Deus? É interessante notar que um grupo – os Ebonitas – um grupo de Cristãos-Judeus - acreditava que Jesus tornou-se o Cristo no batismo e que o Cristo era realmente um Arcanjo.

Qual era a Sua mensagem? Até que grau Sua mensagem modificava ou trocava os ensinamentos encontrados no Velho Testamento?

Quem estava autorizado a falar por Ele? Quem era esse São Paulo, que os Ebonitas tanto detestavam, que andava por aí falando em nome de Cristo? Os Ebonitas seguiam Tiago a quem consideravam o novo líder da comunidade Cristã. Outros proclamavam Pedro e uma longa lista de Papas como representantes autorizados de Cristo.

O que era exigido de Seus seguidores? Cristo surgiu do meio do povo judeu; Ele cumpriu a profecia do Velho Testamento. Desde que os primeiros Cristãos eram judeus, muitos pensaram que se teria que adotar a fé judia, antes que se pudesse tornar Cristão. Essa ideia levou a controvérsia do Novo Testamento sobre a circuncisão ... outros mantinham que tudo que era necessário era ter fé. Outros ainda exigiam obras como sendo fundamentais para a salvação. Grupos menores defendiam as ideias de vegetarianismo e pacifismo. Outra fonte de autoridade incluía escritos dos Cristãos primitivos, e um grande número desses escritos circulava entre os primeiros Cristãos – vários Evangelhos, Atos e Cartas. Durante os primeiros séculos, alguns desses escritos tiveram mais aceitação do que outros. Certos escritos eram mais populares numa parte do país do que noutra. Nem tudo o que se escreveu durante esses primeiros séculos foi incorporado ao Novo Testamento. Alguns foram omitidos porque eram papeis forjados ou falsificados. Outros foram omitidos porque exprimiam ideias que não eram aceitas pela maioria.

Cedo, aqueles escritos que iriam incorporar-se no Novo Testamento, foram os únicos considerados inspirados.

Tornaram-se a palavra de Deus. Isso conduz a uma dúvida: deveriam esses escritos serem encarados literalmente ou figurativamente? Hans-Joachim Schoeps declara que esses escritos refletiam a visão aceita dos princípios do Cristianismo, mantida por uma das facções dos primeiros Cristãos, na realidade, o partido vencedor.

O erro mais comum que foi cometido na procura do verdadeiro Cristo foi procurá-lo baseado em provas exteriores.

Na realidade a única evidência que pode ser aceita como prova absoluta, deve vir de dentro. Não é o que foi escrito em tábuas de argila ou de ouro, papiro ou papel o que conta; ou ainda quem escreveu ou disse. A Única coisa que importa é o que está escrito nos corações da Humanidade. A mensagem de Cristo não é de molde a estar enredada em dogmas teológicos. É pura e simples como as palavras LUZ e AMOR.

Ninguém se interpõe entre o indivíduo e Cristo. Não é necessário ninguém nos dizer o que Cristo quis dizer e o que nós devemos ou não fazer. Ficai tranquilos. Escutai e Cristo falará. "Procura e encontrará”.

Cristo não veio para uma Igreja ou para um povo ou nação ... Cristo veio para todos ... Cristo é universal ... Cristo é. 

O problema dos cristãos primitivos, as perguntas que faziam, os problemas que enfrentavam e as divisões que se deram são as mesmas questões, problemas e divisões que enfrentamos hoje.

Não é indo atrás do tempo que podemos encontrar uma forma pura de Cristianismo. Devemos nos desligar do passado. Devemos olhar em frente, na direção de um Novo Dia e uma Nova Terra. O que nós consideramos como uma Religião Cristã, hoje em dia, é, na realidade, uma sombra do que está para vir. Cristo não pode ser encontrado em Sua forma completa nos escritos ou nas crenças dos primeiros tempos. Cristo pode ser encontrado no coração de todos e de cada um de nós.

Que o Espírito de Cristo nos preencha a todos!

 

(Traduzido da Revista Rays From the Rose Cross e publicado na Revista Serviço Rosacruz de Mar/78)