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Mais uma vez o maior de todos os eventos do ano

Mais uma vez o maior de todos os eventos do ano

Mais uma vez atinge o seu ponto culminante o maior de todos os eventos cósmicos: o Natal, a renovação do impulso Crístico na Terra.

Na Noite Santa, o solene tanger dos sinos invoca a presença dos fiéis para reverenciar a magna data. É a colimação cíclica de um processo irresistível e irreversível.

Novamente, o acendrado amor de Cristo pela humanidade faz-se sentir por meio da reinfeção de sua energia, sensibilizando os corações para as esferas superiores da vida. É a observação fiel de um compromisso, cujo término condiciona-se ao nosso próprio livre arbítrio, perdurando até que uma boa parte do gênero humano desenvolva o Corpo-Alma, o "soma psuchicon", identificando-se então com o próprio Cristo.

Hoje, tal promessa é tão viva, tão real, tão sonora como há dois mil anos! Sentimos a presença do Cristo em cada ato de benevolência. Ouvimos sua voz nas palavras consoladores, nas pregações sinceras, nas músicas sublimes.

Observamos seus milagres na ação pura dos idealistas. Cada novo cristão é um Lázaro que ressurge. Cada novo cristão é um participante da multidão alimentada com o pão da vida.

Vinte séculos são decorridos e as vitórias do Cristianismo se sucedem. Forjado com o sangue dos mártires imolados em Roma e na Ásia Menor, resistiu a todas as procelas: aos tenazes perseguidores, às incompreensões e divergências internas, ao materialismo dos nossos tempos.

Força irresistível! Sobreviveu a todas as tentativas de destruição que lhe fizeram.

Força irreversível! Produziu homens como S. Francisco de Assis, Giordano Bruno, Henry Dunant (fundador da Cruz Vermelha Internacional), Abrão Lincoln, Max Heindel, Albert Schweitzer, Mahatma Gandhi (embora sendo de formação religiosa hinduísta, estudou na Inglaterra, sofrendo, portanto, influência do Cristianismo).

Estamos atravessando um momento crítico em nossa evolução. Nunca carecemos tanto da presença de Cristo como agora, e nunca Ele esteve tão próximo, empenhando-se em nos despertar a nossa verdadeira vocação espiritual.

Somos uma massa heterogênea. Formamos um conglomerado de virtudes e defeitos, de injustos, justos e injustiçados, de crentes e indiferentes, de altruístas e egoístas, de explorados e exploradores. A cada Natal, a força Crística reinicia o processo de transmutação dessa massa, sensibilizando as nossas faculdades espirituais. É essa energia dinâmica na verdadeira acepção da palavra que procura romper a barreira das nossas limitações. É ela que nos inspira no aprimoramento do nosso caráter. Ela nos enleva ante uma estátua esculpida na algidez de uma pedra. Ali não deparamos meramente com a figura estática, mas sentimo-la vivente, palpitante.

Essa energia nos deixa extasiados ao examinarmos um quadro, onde os contornos e as cores sugerem sentimentos. Ela nos eleva e aquieta ao som de uma sinfonia de Beethoven, de uma composição de Bach ou Haendel.

Nessas contemplações transcendemos a forma, penetramos no âmago, no espírito das coisas.

A esse propósito, queridos irmãos e irmãs, almejemos cada vez mais penetrar no Espírito do Natal, identificando-nos com ele. O verdadeiro Natal é interno. Consiste no nascimento do Cristo em nosso mundo interior.

Convertamos nossos corações em humildes manjedouras para receber Aquele que salva. E quais Reis Magos, depositemos aos Seus pés nossas oferendas, o ouro, o incenso e a mirra, traduzidos simbolicamente no Corpo, na Alma e no Espírito. Reverentes e gratos, entreguemos nossas dádivas Àquele que em si mesmo é a dádiva perpétua, a oferta perfeita, o Cristo que salva, que redime, que consola, que eleva, que encontra uma réplica microcósmica em cada ser humano, e que ano após ano, generosamente, oferece-nos sua ajuda no sentido de ampliarmos sua imagem em nós, até que todas formem uma só aura, uma só força, um só poder, no grande dia das Bodas Místicas.

Que este Natal nos encontre unidos em torno do nosso ideal, o ideal do Cristo!

(Revista 'Serviço Rosacruz' – 12/73 – fraternidade Rosacruz – SP)