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As Razões Esotéricas do Natal

As Razões Esotéricas do Natal

O Evangelho, como é normalmente lido nas igrejas, é somente a história de Jesus, um personagem único, o Filho de Deus em um sentido especial, que nasceu em Belém, viveu na Terra por um curto período de 33 anos, morreu pela humanidade depois de muito sofrer e está agora permanentemente sentado à direita do Pai, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Celebramos seu nascimento e sua morte em determinadas épocas do ano, pois se supõe que estes eventos tenham ocorrido em datas definidas.

Mas, enquanto estas explicações satisfazem aqueles que não procuram ir muito a fundo em suas investigações sobre a verdade, há um outro lado muito evidente ao místico – uma história de amor Divino e de sacrifício perpétuo que o enchem de devoção para com o Cristo Cósmico, O qual nasce periodicamente para que possamos viver e evoluir. O místico entende que, sem recorrer a este sacrifício anual, a Terra e suas condições atuais de desenvolvimento seriam uma impossibilidade.

Quando o Sol está no Signo celestial de Virgem (a Virgem), acontece a imaculada Concepção. Uma onda de Luz e de Vida do Cristo solar é, então, enfocada sobre a Terra. Aos poucos esta luz penetra cada vez mais profundamente na Terra, até que o ponto decisivo é atingido na noite mais longa e escura do ano, que chamamos Natal. Este é o nascimento Místico de um impulso de vida Cósmico que impregna e fertiliza a Terra. É a base de toda vida terrestre; sem isto nenhuma semente germinaria, nenhuma flor surgiria na Terra, nem o ser humano, nem o animal existiriam, e a vida logo se extinguiria.

Há, portanto, uma razão muito válida para a alegria que se sente na época do Natal. Como o Autor Divino de nossa existência, nosso Pai no Céu deu à humanidade o maior de todos os presentes, Seu Filho, assim também os seres humanos são levados a se presentearem e a alegria, paz e boa vontade reinam na Terra, quer o ser humano compreenda ou não as razões místicas e anualmente renovadas.

Assim como "um pouco de fermento faz fermentar um todo", este impulso de vida espiritual que impregna a Terra no Solstício de Dezembro, trabalha durante os meses de inverno (para o hemisfério Norte) em seu caminho em direção à circunferência, dando vida a tudo em que entra em contato. Mesmo os minerais não se desenvolveriam se esse impulso de vida fosse contido.

Ao chegar à época da Páscoa, quando a Terra está em pleno vigor, tudo esta imbuído desta grande vida Divina. Aí, então, ela se esgota, morre e se levanta novamente à direita de nosso Pai. Assim, o Natal e a Páscoa são pontos decisivos que marcam o fluxo e o refluxo de Vida Divina, anualmente dados por nossa causa. Se formos um pouco sensíveis, podemos sentir o Natal e a Páscoa no ar, pois ambos estão carregados de amor, vida e alegria divinas. Mas, de onde vem aquela nota de tristeza e sofrimento que precede à Páscoa da Ressurreição?

Por que não nos regozijamos com uma alegria genuína, quando o Filho é liberado e retorna a Seu Pai? Por que esta paixão, esta cruz de espinhos? Para compreender este mistério é necessário analisar o problema do ponto de vista de Cristo, e é necessário entender por completo, que esta onda de vida anual, projetada em nosso Planeta, não é simplesmente uma força destituída de consciência. Ela carrega em si mesma a consciência plena do Cristo Cósmico. É certo que sem Ele não existiria nada do que foi feito. Na época da Imaculada Concepção, em setembro, este grande impulso de vida começa sua descida para nossa Terra, e na ocasião do Solstício de Dezembro, quando acontece o nascimento Místico, o Cristo Cósmico está plenamente concentrado sobre e dentro deste Planeta.

Deve causar desconforto para tão grande Espírito estar preso dentro desta Terra, e estar consciente de todo o ódio e discórdia que emanamos, todos os dias. Não se pode negar que toda expressão de vida seja feita por meio do amor; do mesmo modo, a morte vem por meio do ódio. Se o ódio e a discórdia que geramos em nossas vidas diárias e as consequentes falsidades, infâmias e egoísmo fossem deixados sem antídoto, esta Terra seria engolida pela morte.

Nos serviços que se realizam todas as noites, à meia-noite, o Templo é o foco de todos os pensamentos de ódio e inquietação do mundo Ocidental, no qual ele serve. Estes pensamentos são, então, desintegrados e transmutados, e esta é a base do progresso social do mundo. Espíritos puros se afligem e sofrem muito com as perturbações do mundo, com nossa discórdia e ódio e enviam através de si mesmos, individualmente, pensamentos de amor e bondade. Os esforços associados de ordens como a dos Rosacruzes são dirigidos aos mesmos canais, normalmente à meia noite, quando o mundo está mais tranquilo em relação ao esforço físico, e torna-se mais receptivo à influência espiritual. Nesta hora eles se empenham em atrair e transformar as flechas de pensamentos de ódio e discórdia, compartilhando, assim, com o sofrimento de Cristo, e com este trabalho ajudam a tirar alguns dos espinhos da coroa do Salvador.
O Espírito de Cristo na Terra está, como diz São Paulo, atualmente "gemendo e lutando à espera do dia da libertação". Desta forma, Ele tem em Si todas as flechas do ódio e da raiva e é esta a Sua coroa de espinhos.

Em tudo que vive, o Corpo Vital irradia correntes de luz da força que usou ao construir o Corpo Denso. Quando com saúde, estas correntes de força carregam o veneno do Corpo e o mantém limpo. Condições semelhantes prevalecem no Corpo Vital da Terra, que é o veículo do Cristo. As forças venenosas e destrutivas geradas por nossas paixões são levadas pela força de vida do Cristo. Mas, qualquer pensamento ou ato maldoso causam-Lhe uma dor proporcional e, portanto, torna-se parte da coroa de espinhos – coroa porque a cabeça é considerada, sempre, como o lugar da consciência. Deveríamos compreender que todos os atos maldosos têm uma reação em Cristo, como foi descrito acima, acrescentando um espinho a mais de sofrimento.

Em vista do que foi dito, podemos imaginar com que alívio Ele pronuncia as palavras finais no momento de libertação da cruz terrena: "Consummatum est" (Está terminado).

E, por que a repetição anual do sofrimento? Da mesma forma, como temos que receber continuamente em nossos Corpos, o oxigênio da vida a fim de vitalizar e dar energia a todo o Corpo, e como o oxigênio se extingue para o mundo exterior enquanto está habitando o nosso Corpo (onde está sendo carregado de venenos e resíduos e finalmente é expelido como dióxido de carbono, um gás venenoso), é necessário que o Salvador entre, anualmente, no grande corpo que chamamos Terra, e leve para Ele todo o veneno que é gerado por nós, para limpar e purificar a Terra e dar-lhe uma nova oportunidade de vida antes que Ele, finalmente, ressuscite e suba para Seu Pai.

(Revista 'Serviço Rosacruz' – 01/83 – Fraternidade Rosacruz – SP)