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Perguntas e Respostas

O que acontece depois da morte?

Pergunta: O que acontece depois da morte?

Resposta: Depois de um tempo, mais ou menos longo, chega à vida de cada pessoa o momento no qual se completam as experiências que o espírito pode acumular em seu atual ambiente, e a vida termina com a chamada "morte".

Esta "morte" pode ocorrer repentinamente, como por exemplo, devido a um terremoto, no campo de batalha ou por acidente. Mas, na realidade a morte nunca é "acidental" ou imprevista pelas Forças Superiores.
Há, no percurso da vida, desvios do caminho, por assim dizer: por um lado a linha principal da existência continua para frente; o desvio do caminho levará ao que podemos chamar "um beco sem saída". No caso do ser humano tomar este caminho, sua vida em breve terminará com a morte. Estamos aqui com a finalidade de obter experiências, e cada vida tem certa colheita a amadurecer. Se organizarmos nossa vida de modo tal a alcançar este conhecimento, continuamos vivendo e constantemente nos chegarão oportunidades variadas. Mas, se nos descuidarmos delas, e nos deixarmos levar por caminhadas que não forem congruentes com o nosso desenvolvimento individual, seria um desperdício de tempo deixar-nos ficar em semelhante atmosfera. Por isso os Grandes e Sábios Seres (Anjos do Destino) que estão por trás do cenário da evolução encerram a nossa vida, para que possamos recomeçar em um círculo de influência diferente. A lei da conservação da energia não está confinada ao Mundo Físico, senão que opera também nos planos espirituais. Não há na vida algo que não tenha o seu propósito. Agimos mal em rebelarmo-nos contra as circunstâncias, não importa quanto desagradável sejam. Pelo contrário, deveríamos nos esforçar por aprender as lições nelas contidas, para que possamos viver uma vida longa e útil. Alguém poderá objetar, dizendo: "Você é inconsequente nos seus ensinamentos. Diz que realmente a morte não existe; que passamos a uma existência mais lúcida e que temos de aprender outras lições lá, numa esfera diferente de utilidade! Por que, então, devemos nos esforçar em viver aqui uma vida mais longa?".

É certo que fazemos tais afirmações. E elas são perfeitamente consequentes com as afirmações que acabamos de mencionar. Mas há lições que devem ser aprendidas aqui, e temos de educar nosso corpo físico através dos poucos úteis anos da infância, atravessando o período ardente e impulsivo da juventude, até chegar à maturidade do homem ou da mulher, antes que este veículo mostre sua verdadeira utilidade espiritual. Quanto mais tempo vivamos depois de alcançar a maturidade, quando começamos a considerar o lado sério da vida, e começamos realmente a aprender as lições que determinarão o crescimento da nossa alma; quanto mais experiências consigamos acumular, mais rica e proveitosa serão as nossas colheitas.

Depois, em uma existência posterior, estaremos muito mais avançados e capazes de empreender tarefas que estaríamos impossibilitados de realizar numa vida de mais curta amplitude de atividades. Além disso, é muito doloroso para o homem morrer na juventude, com esposas e filhos jovens, a quem ele ama, com ambições de grandeza sem realização, com amigos a sua volta e com interesses todos concentrados sobre o plano material da existência. É triste para o coração da mulher, apegada ao seu lar e aos filhinhos a quem criou abandoná-los, sem que haja, talvez, alguém para cuidar deles, sabendo que terão de lutar sozinhos durante todos os anos da infância, quando tão necessários são seus ternos carinhos, ou até vê-los sofrer abusos, sentindo-se incapaz de intervir. Todas estas coisas são tristes e farão o espírito "apegar-se a Terra" por um tempo muito maior do que o comum.

E tudo isto, junto às outras razões anteriormente mencionadas, faz desejável se viver uma vida bastante longa antes de passar para o além.

A diferença entre aqueles que passam para os planos superiores em idade avançada e aqueles que abandonam esta terra na primavera da vida, pode ser ilustrada pela forma em que o caroço de uma fruta se adere a polpa, enquanto estiver verde. É preciso um grande esforço para extrair o caroço de um pêssego verde. Tal é a intensidade com que se adere a fruta que pedaços da polpa ficam presos ao caroço quando este é extraído à força. Assim também o espírito se prende a carne na metade da vida e uma parte do seu interesse material continua e o retém preso a Terra depois da morte. Por outro lado, quando a vida foi inteiramente vivida; quando o espírito teve de realizar suas ambições, ou comprovar sua futilidade; quando os deveres foram cumpridos e a satisfação se estampa na fisionomia de um homem ou mulher de idade avançada; ou quando a vida foi mal baratada e as dores da consciência surtiram seu efeito no ser humano, apontando-lhe os erros; quando o espírito aprendeu, verdadeiramente, as lições da vida, como deve acontecer quando se chega à velhice, então pode ser comparado à semente da fruta madura, que salta fora, sem um vestígio de polpa. Assim, pois, repetimos que embora nos esteja reservada uma existência mais brilhante, para todos os que viveram bem, não obstante, é melhor viver uma vida longa e da maneira mais intensa possível.

Também sustentamos: não importam quais sejam as circunstâncias da morte de uma pessoa. Nunca é acidental. Ou foi produzida por suas próprias negligências em aproveitar as oportunidades de crescimento, ou doutro modo, porque a vida foi aproveitada até seu limite possível. Há uma exceção a esta regra: se vivemos de acordo com o esquema que nos foi traçado, se assimilamos todas as experiências que nos foram designadas pelas Inteligências Criadoras (para o nosso desenvolvimento) devemos viver o máximo. Mas, geralmente "nós mesmos" abreviamos nossas vidas por não aproveitar as oportunidades, podendo também acontecer que "outras pessoas" interfiram em nossa existência, para abreviá-la ou terminá-la, tão repentinamente como no caso chamado "acidente". Os Anjos do Destino, valendo-se disso, encerram nossa vida aqui. Em outras palavras, os homicídios ou acidentes fatais, originados pela imprudência humana, são em realidade os únicos fins-de-vida não planejados pelos Guias Invisíveis da humanidade. Jamais alguém foi impelido a assassinar ou a fazer outro mal qualquer, pois doutro modo não haveria uma retribuição justa aos seus atos. Cristo disse que o mal deveria acontecer, mas "desgraçado daquele pelo qual o mal se produza". Para harmonizar isto com a Lei da Justiça Divina (NR: Lei de Causa e Efeito) acrescentamos: "Aquilo que o homem semear, isso também colherá" (Gl 6; 7), devendo haver livre arbítrio a respeito dos maus atos.

Também há casos em que uma pessoa vive a sua vida de maneira tão proveitosa, ensejando tantos benefícios para a humanidade e a si própria, que verá seus dias prolongados, além do limite determinado.

Quando a morte não é repentina, como em casos de acidentes, ocorrendo em casa (ou hospital) em consequência de uma enfermidade, silenciosa e pacificamente, as pessoas moribundas sentem, geralmente, cair sobre elas um manto de grande obscuridade, momentos antes do encerramento da vida. Muitos saem do seu corpo sob estas condições, e não voltam a rever a Iuz, até entrar no plano suprafísico.

Cada ser humano é um indivíduo separado. E como as experiências da vida de cada um diferem das de todos os outros no intervalo que vai do berço ao túmulo, assim podemos também racionalmente concluir que as experiências de cada espírito variam das de qualquer outro espírito, quando cruza as portas do nascimento ou da morte.

Um dos espetáculos mais tristes que o vidente pode presenciar é o das torturas que, com frequência, submetemos os nossos amigos moribundos. Isto devido à nossa ignorância quanto à maneira de tratá-los no momento da morte. Conhecemos a "ciência do nascimento" onde obstetras se especializaram durante muitos anos desenvolvendo uma extraordinária perícia na assistência ao pequenino forasteiro em sua entrada neste mundo. O engenho de mentes esclarecidas está focalizado no problema de tornar mais fácil a maternidade; não se poupam trabalhos, nem dinheiro nestes esforços para a segurança de alguém que nunca vimos. Contudo, quando um amigo de toda a vida, uma pessoa que serviu seu próximo nobremente em sua profissão, seja na sociedade ou na Igreja, está para abandonar o cenário da sua atividade para seguir para outro campo de ação; quando uma mulher que trabalhou com não menos elevado propósito, criando sua família e desempenhando seu encargo nos trabalhos do mundo, tem que deixar este lar e a família; quando alguém que amamos toda a nossa vida chegou ao momento de despedir-se de nós e dar-nos seu último adeus, então, permanecemos ali parados, sem saber absolutamente como ajudá-lo. E, talvez, façamos exatamente aquilo que é mais prejudicial ao bem-estar e conveniência daquele que está de partida.

Provavelmente não haverá forma de tortura mais comumente imposta aos que morrem do que a que é causada quando administramos estimulantes. Essas drogas tem o efeito de atrair o espírito que ora se retira forçando-o a voltar novamente para dentro do seu corpo, para nele permanecer e sofrer por mais algum tempo. A câmara mortuária deveria ser um lugar da mais absoluta quietude, de paz e de oração; porque desde a morte e "durante três dias e meio depois" o espírito está passando por um Getsêmani, e necessitando de todo o auxílio que se lhe possa prestar. O valor da vida que acaba de esvair depende, grandemente, das condições que então prevaleçam em torno do corpo, e até as condições da sua vida futura serão afetadas pela nossa atitude durante aqueles momentos, de modo que "se alguma vez tivemos a pretensão de ser defensores da vida dos nossos irmãos neste mundo, muito mais deveríamos sê-lo na hora da sua morte".

As autopsias, os exames post-mortem, o embalsamamento, ou a cremação realizados no período antes dos três dias e meio, não somente perturbam mentalmente o espírito que se vai como podem até mesmo causar-lhe dor, pois ainda subsiste uma ligeira conexão entre ele e o veículo abandonado (Corpo Denso). Se as leis sanitárias julgarem necessária alguma providência para evitar a decomposição, enquanto se espera a hora da cremação, o corpo poderia ser conservado em "câmara frigorifica", até que o período de "três dias e meio" seja transcorrido. Depois desse lapso de tempo o espírito já não sofrerá mais, não importa o que possa ocorrer ao seu corpo.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/76 – Fraternidade Rosacruz – SP)