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Perguntas e Respostas

Onde se encontra Christian Rosenkreuz?

Pergunta: Poderia o senhor dizer-nos algo a respeito de Christian Rosenkreuz, de sua pessoa, habitação, meio-ambiente ou em que parte do mundo ele vive? Dizem que ele está na costa ocidental. Esclareça-nos por gentileza, se for permitido.

Resposta: Não, não é permitido. O paradeiro e os movimentos do augusto chefe da Ordem Rosacruz são sempre protegidos pelo mistério. Se o consulente leu algo a respeito da Iniciação Rosacruz, tal como é explanada no livro o Conceito Rosacruz do Cosmos, deverá lembrar-se de que ele não aparece corporalmente nos serviços do Templo, de acordo com o testemunho dos Irmãos Leigos, pois embora o Templo seja construído de éter e os doze Irmãos Maiores, juntamente com os Irmãos Leigos, funcionem em seus corpos-alma durante os serviços, grande parte de nós é capaz de ver um corpo construído até mesmo de uma substância tão tênue como é a matéria mental. É, pois evidente que a presença do chefe da Ordem é inteiramente espiritual, e diz-se que ele se manifesta exclusivamente aos doze que, de maneira semelhante a ele, são capazes de operar nos veículos superiores.

Não obstante, como também foi explicado no livro o Conceito Rosacruz do Cosmos, o chefe de nossa augusta Ordem está sempre ativo nos bastidores mundiais, trabalhando com os governos das nações do mundo ocidental, dirigindo-os pelo caminho correto em sua evolução. Para esse fim ele aparece numa encarnação física pelo menos durante parte de períodos de tempo, e se a memória não nos falha, certa vez uma Irmã Leiga aventurou-se a fazer uma pergunta relacionada a este assunto a um dos Irmãos Maiores, pouco depois de começar a guerra (Primeira Grande Guerra 1914-1918). Todos nós ficamos com a respiração suspensa, admirados com sua indiscrição. Ela desejava saber se Christian Rosenkreuz ocupava o trono de uma das nações em guerra. O Irmão Maior pareceu ficar extremamente embaraçado com a pergunta, mas respondeu que não se podia discutir tais assuntos, pois a mais leve insinuação de sua verdadeira identidade destruiria sua utilidade. Respondeu, contudo, à pergunta adiantando que Christian Rosenkreuz não ocupava o trono de nenhuma nação, e insinuou, ao mesmo tempo, que ele era o poder por detrás do trono. Não obstante isso, não deu nenhuma indicação que pudesse apontar para ninguém em particular. Fomos, pois, deixados entregues às nossas próprias especulações, e o autor pensou na Rússia, onde um monge obscuro parecia exercer estranha influência desde o fim do ano de 1915 quando Saturno e Marte estavam em conjunção no signo de Aquário, que rege a Rússia. Desde aquele ano, em que houve grandes revoltas, esse monge obteve uma estranha influência sobre o Império. Nunca falamos disso antes a ninguém, mas agora que sabemos por meio de um recorte de jornal que sua carreira terminou, provavelmente não prejudicará a ninguém que nossa conjectura seja correta. Neste caso predizemos que devemos aguardar acontecimentos posteriores e que ouviremos novamente o monge de Tomsk. Se estivermos enganados, nossa teoria não molestará a ninguém e a notícia publicada no jornal valerá pelo que diz.

Esse monge foi caluniado ao extremo e acusado de todos os crimes possíveis, fatos esses que podem tornar difícil acreditar que ele fosse realmente nosso santo irmão Christian Rosenkreuz, mas um pouco de reflexão logo nos mostra que uma reputação má pode ser imputada até mesmo ao homem mais espiritual. Não foi Cristo chamado do beberrão? Dele não se disse: “Ele está possuído pelo demônio”? E não foi Ele crucificado como um criminoso? Por que, então, estranhar que o monge de Tomsk fosse acusado de bêbado e dissoluto? Por que estranhar que ele fosse assassinado pela suposta razão de estar influenciando o Czar para que assinasse uma paz em separado com a Alemanha?

Há milhões de pessoas na Rússia que o veneram como santo. Ele era o amigo dos pobres. Outros há que o tacham de embusteiro e hipócrita, mas uma coisa é absolutamente certa: era um homem possuidor de um poder inusitado, pois de outra forma não o temeriam.

A citação seguinte, publicada num jornal que nos foi enviado por um dos nossos correspondentes, é uma das muitas reportagens que apareceram em vários lugares do mundo:

"Um reinado inacreditável acaba de terminar em Petrogrado. Foi o reinado de um monge. Grigori Rasputin (1) era um simples camponês quando apareceu pela primeira vez na capital russa há já alguns anos. Veio da Rússia Oriental - a Rússia que penetra na Ásia e que partilha de seu misticismo. Este monge percorreu a senda da vitória até alcançar o poder. Jamais saberemos quão grande era esse poder sobre as vidas de 180.000.000 de pessoas”.

"É sabido, contudo, que Grigori Rasputin – “São Grigori" como passaram a chamá-lo – finalmente enviava ordens explícitas aos ministros e essas ordens eram obedecidas, sabe-se que suas recepções no palácio anteriormente ocupado pelo Grão Duque Alexis, eram frequentadas pela nobreza da Rússia - damas de alto coturno, generais em uniformes cintilantes, e toda a alta e poderosa classe do império. Os pobres também compareciam com súplicas e petições que eram atendidas mediante uma simples ordem assinada por Rasputin e endereçada aos auxiliares do governo”.

"Diz-se também que esse santo oriundo da Ásia exercia um poder misterioso sabre a consciência do Czar; que a Czarina curvava a cabeça a seus decretos; que os dirigentes eram elevados ao céu ou lançados ao pó a uma simples palavra sua”.

"E a história desse monge que trouxe consigo as trevas da Idade Média não é baseada em mexericos. Desde 1912 que os representantes do povo Russo vinham lutando para libertar a Rússia das garras desse Richelleu que dificilmente podia ler e escrever”.

"Vezes repetidas a Duma (Duma- Assembleia Nacional Russa, estabelecida em 1905 pelo Czar Nicolas II - N.T.) denunciou as ‘forças negras: que dominavam o palácio’. Era, contudo, tão potente esse camponês de Tomsk que podia desprezar os votos unânimes da Duma, exigindo sua eliminação da vida Russa. Estava tão fortemente entrincheirado no trono dos poderosos que podia decretar à imprensa Russa que cessasse seu clamor – e podia obrigá-la a cumprir suas ordens”.

"Não há, na história, um caso semelhante ao deste monge, exceto na Idade Média ou na ‘Cidade Proibida' de Pequim. Na Cidade Proibida, a fortaleza cercada de muralhas dos Mandchous, uma concubina, no século passado, tornou- se a imperatriz regente de um império de 400.000.000 de pessoas de raça amarela. Seu reinado foi absoluto. A débil figura do imperador nominalmente reinante foi suplantada pelo poder real da imperatriz. Tsu-Hsi (2), com sua face de porcelana e sua habilidade sutil, pronunciou palavras que significavam a morte para cortesãos, governadores e vice-reis”.

"O que aconteceu por detrás dos muros da Cidade Proibida ninguém sabe. Algumas mulheres europeias foram admitidas naquele domínio de escravos e eunucos, e o que elas relataram é bastante interessante. Essas descrições lançam uma luz significativa sobre um mundo que os europeus criam ter sido superado com o advento da pólvora, da estrada de ferro e do telégrafo. Mas a força que impulsionava aquele governo de mulheres e escravos permaneceu em mistérios. Continuou na sombra o poder que controlava as vidas de 400.000.000 de pessoas”.

"A história de Rasputin é muito mais surpreendente que a imperatriz Tsu-Hsi. O santo homem de Tomsk dominou não um harém oriental, estereotipado, rodeado de altos muros de tijolos e tradição, mas sim uma das cortes mais brilhantes da Europa – da Europa de hoje, da Europa que está presenciando fatos tão trágicos. O império governado por Rasputin, com suas pretensões a um poder e uma missão divinos é um dos fatores mais decisivos de um dos períodos decisivos da história da civilização. O seu anacronismo pode ser encarado como inacreditável”.

“E, contudo, esse homem indubitavelmente se empenhou, ou pelo menos tentou desempenhar um papel importantíssimo não só nos negócios da Rússia, mas de toda a Europa. Toda a Rússia crê que oito anos atrás Rasputin, usando de seus poderes misteriosos, impediu o deflagrar da guerra entre a Rússia e a Áustria-Hungria, no momento em que a questão Bósnia-Herzegóvina atiçava o fogo do ódio e da suspeita internacionais para transformar a Europa numa grande fogueira”.

"Na crise atual (Primeira Guerra Mundial 1914-18-N.T.) nos corredores solenes do Parlamento Russo, Rasputin foi acusado de planejar a venda de seu país ao inimigo, tentando a realizar uma paz em separado sob condições humilhantes, entre a Rússia e os Poderes Centrais. O crime que encerrou seu domínio místico sobre a mente e a consciência imperiais foi saudado pela Duma e pela imprensa Russa como um ato de libertação nacional".

 

(1) Grigori Rasputin (Grigori Ifimovitch Novy) – Favorito da última corte da Rússia dos Czares, distribuidor dos favores imperiais no tempo de Nicolau II, e cujo apelido "Rasputin" significava "O Dissoluto". Nasceu em 1864 em Pokrovskoie e morreu assassinado em 1916, em Petrogrado. Filho de um humilde mujique, passou a adolescência na aldeia natal, granjeando fama de ignorante, preguiçoso e lúbrico. Após o casamento, e já com duas filhas, fez-se monge pregador e mendicante. A partir desse momento, por degraus, galgou o poder, chegando a dominar a Czarina Alexandra Feodórovna, por intermédio de seu filho hemofílico. Tornou-se onipotente na Igreja Ortodoxa, nomeando bispos e canonizando santos. Durante a Primeira Guerra Mundial foi o melhor elemento do partido germanófilo no país. Foi assassinado em 1916 por membros da Duma. - N.T.

(2) Tsu-Hsi - Imperatriz Chinesa (1834-1909). O imperador Hien-Sung não tendo filhos de sua legítima mulher Tsu-Ngan, tomou Tsu-Hsi por concubina; teve dela um filho que veio a ser o Imperador Tung-Tshi, que a elevou ao posto de Imperatriz. Foi ela quem realmente governou com mão despótica a China durante todo o reinado de Tung-Tshi (1875-1889) - N.T.

(P&R da Revista Serviço Rosacruz nov/66 – Fraternidade Rosacruz SP)