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Perguntas e Respostas

Os animais, tanto selvagens quanto domésticos, sofrem em muitas situações, e ensinam-nos que os Espíritos-Grupo sofrem mais intensamente. Por que será? Os Espíritos-Grupo, da mesma forma que nós, sofrem as consequências de suas más ações?

Pergunta: Os animais, tanto selvagens quanto domésticos, sofrem em muitas situações, e ensinam-nos que os Espíritos-Grupo sofrem mais intensamente. Por que será? Os Espíritos-Grupo, da mesma forma que nós, sofrem as consequências de suas más ações?

Resposta: Parece muito difícil conceber que seres tão gloriosos quantos os Arcanjos — que são Espíritos-Grupo e Espíritos de Raça — possam cometer más ações, pelo menos no sentido que o nosso entendimento limitado confere a essa palavra. Cristo é o maior Iniciado dentre os Arcanjos e como sabemos que “Ele sofreu em todos os aspectos da mesma forma que nós, sendo tentado embora isento de pecado”, há evidentemente uma lei superior. Perceberemos essa lei ao considerarmos a relação dos Espíritos-Grupo com os animais de sua espécie à luz da Lei de Analogia, que é a chave-mestra de todos os mistérios.

A seguinte ilustração do “Conceito” provavelmente demonstrará com clareza a diferença entre o ser humano com seu Espírito Interno e os animais com seus Espíritos-Grupo.

Imaginemos um quarto dividido ao meio por uma cortina, um lado representando o Mundo do Desejo e o outro o Mundo Físico. Há dois homens, um em cada divisão; eles não podem ver-se nem passar para a mesma divisão. Mas, na cortina há dez furos pequenos e o ser humano que se encontra na divisão que representa o Mundo do Desejo pode meter seus dez dedos por esses furos para o outro lado que representa o Mundo Físico.

Ele pode dar uma excelente representação do Espírito-Grupo que está no Mundo do Desejo. Os dedos representam os animais pertencentes a uma espécie. Ele pode movê-los a seu gosto, mas não pode empregá-los tão livre e tão inteligentemente quanto o ser humano que se encontra na divisão física move seu corpo.

Esse último vê os dedos que atravessam a cortina e observa que todos se movem, mas não pode ver a relação que existe entre eles. Para ele todos parecem separados e distintos uns dos outros. Não pode ver que são os dedos do ser humano que, atrás da cortina, governa seus movimentos com sua inteligência. Se fere um desses dedos, não é ferido somente o dedo, mas principalmente o ser humano que está por trás da cortina. Se um animal é ferido ele sofre, mas não tanto quanto o Espírito-Grupo, pois o dedo não tem consciência individualizada.

O Corpo Denso, no qual funcionamos, é composto de numerosas células, cada uma tendo uma consciência celular separada, embora de uma ordem muito inferior.

Enquanto essas células fazem parte do nosso corpo, elas estão sujeitas a ser dominadas pela nossa consciência.

Um Espírito-Grupo animal funciona num corpo espiritual constituído de um número variado de Espíritos Virginais, imbuídos, por enquanto, da consciência do Espírito-Grupo. Esse último dirige-os, vigiando-os e ajudando-os a evoluir. À medida que seus protegidos progridem, o Espírito-Grupo também evolui passando por uma série de metamorfoses, de uma forma similar à de quando crescemos e adquirimos experiência, recebendo nos nossos corpos as células do alimento que ingerimos, elevando, por esse meio, a consciência delas ao dotá-las com as nossas por um tempo.

Esse Espírito-Grupo domina a ação dos animais sob sua responsabilidade até que os Espíritos Virginais tenham adquirido autoconsciência e se tornem humanos.

Então, eles manifestarão gradualmente uma vontade própria, adquirindo mais e mais liberdade em relação ao Espírito-Grupo e tornando-se responsáveis por suas próprias ações. O Espírito-Grupo continuará a influenciá-los, embora numa proporção decrescente, como Espíritos de Raça, Tribo, Comunidade e Família, até que cada um se torne capaz de agir em plena harmonia com a Lei Cósmica. Então, cada Ego será livre e independente de interferência, e os Espíritos-Grupo iniciarão uma fase mais elevada de evolução.

À luz da explicação anterior, sobre a relação entre o Espírito-Grupo e os animais, torna-se evidente que os sofrimentos experimentados de seus representantes têm a mesma finalidade que os sofrimentos experimentados por nós devido aos nossos erros diretos, isto é, ensiná-los a evitar, sempre que possível, situações indesejáveis que gerem dor. O ser humano sem uma arma vê muitos animais quando passeia pelos campos; eles refugiam-se em Mt. Ecclesia e em outros lugares onde, segundo são instruídos pelo Espírito-Grupo, estarão a salvo. O ser humano que carrega uma arma terá que caçar, sendo assim, o Espírito-Grupo previne seus protegidos de sua aproximação.

Além disso, o Espírito-Grupo reveste as suas espécies com peles ou penas com cores parecidas às da terra, das árvores ou das folhas, para disfarçá-las tanto quanto possível dos olhos de quem as caçaria e lhes causaria dor. Devido ao desejo de evitar a dor para si mesmo, ele exercita à sua engenhosidade no sentido de defender seus protegidos. No entanto, não estamos preparados para afirmar que o desejo de escapar à dor seja o motivo principal do Espírito-Grupo ao defender os seus protegidos, mas os dois estão ligados como a causa e o efeito.

E quanto aos animais abatidos para servirem de alimento, e as pobres criaturas torturadas nos infernos da vivissecção? E quanto aos pobres cavalos submetidos à fome e surrados por cavaleiros desumanos? O que o Espírito-Grupo faz para protegê-los, poupando-os da dor inerente a essa situação? Ele pode instruir os animais selvagens a salvar-se por meio de vários métodos, mas o problema que surge em função dos animais domésticos deve apresentar uma dificuldade considerável para o Espírito-Grupo. Ele tem o poder de reter o Átomo-semente necessário à fertilização para preservar a pureza de sua tribo, e é o que faz no caso dos híbridos. O propósito principal da existência é a experiência, por isso, é forçado a deixar os Espíritos sob sua guarda nascerem através de seus canais legítimos, embora fiquem mais expostos a um tratamento cruel nas mãos do ser humano. Futuramente, o ser humano deve e irá ajudar os animais para assim compensar a sua maldade atual, e terá de ajudar os atuais minerais quando eles se tornarem animais. A Lei de Consequência é justa e podemos confiar nela para equilibrar os pratos da balança. Enquanto isso, os Espíritos-Grupo estão aprendendo a possuir simpatia e compaixão. Os Espíritos de Raça estão aprendendo a mesma coisa por meio do sofrimento humano, provocado pelas contendas industriais e nacionais. Dia virá em que o leão se deitará ao lado do cordeiro, pastará junto ao boi, a criança poderá brincar com a serpente sem correr risco, quando as espadas serão transformadas em arados e as lanças em podadeiras, e haverá “paz na terra e boa vontade entre os homens”. De fato, tudo isso demandará grandes mudanças tanto mentais como morais e físicas, mas “embora os moinhos de Deus moam devagar, moem extraordinariamente bem”. O poder divino moldou o Cosmos a partir do Caos; portanto, temos razão para confiar em seu propósito benevolente e acreditar em sua onipotência ao remover todos os obstáculos para a realização do que hoje nos parece uma utopia.

 (Perg. 60 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)