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Perguntas e Respostas

Por que há sempre em suas obras uma nota de melancolia, um traço sombrio e tão pouca alegria e felicidade?

Pergunta: Por que há sempre em suas obras uma nota de melancolia, um traço sombrio e tão pouca alegria e felicidade? Não há felicidade na vida superior? Contentamento, satisfação, paz – sim, mas não haverá alegria?

Resposta: "Oh, que poder teríamos, se nós nos víssemos como os outros nos veem". Assim cantou Robert Burns e, sem dúvida, tinha razão ao presumir que nenhum de nós se vê como realmente é. O autor nunca percebeu a existência de um traço sombrio e uma nota de melancolia pairando sobre suas obras, mas talvez essa observação tenha sido oportuna, embora seja errado tirar a conclusão de que não há alegria e uma felicidade indizíveis, que não possam ser expressas em palavras, no privilégio de ser-nos permitido auxiliar os milhares que vêm a nós em busca de auxílio, conselhos ou conforto espiritual.

Não obstante, embora compreendamos a necessidade e o benefício supremo, que resultarão da grande operação cirúrgica que o mundo sofre atualmente, deveríamos ser super-homens para não nos sentirmos prostrados de dor à vista dessas centenas de milhares, mais ainda, de milhões de pessoas que estão sofrendo diariamente. Três anos e meio de trabalho com os feridos, agonizantes e os chamados mortos, não conseguiram tornar-nos mais insensíveis do que o éramos na primeira noite em que nos tornamos quase apavorados diante da cruel carnificina.

Esforçamo-nos para não transferir as experiências da noite para o dia, pois isso nos tornaria inaptos para o trabalho que devemos realizar aqui, mas seria talvez excessivo esperar que essa Vivência não se estampasse de algum modo em nossa vida quando no estado de vigília.

Este pode ser um ponto muito bom a ser considerado por aqueles estudantes excessivamente desejosos de obter a consciência nos mundos espirituais. Podemos dizer-lhes que os invejamos e que trocaríamos alegremente de lugar com eles, a fim de libertarmo-nos das Visões dolorosas que o dever e o amor por nossos semelhantes nos impelem a testemunhar todas as noites, embora, naturalmente, não seja a visão de cavalos selvagens que nos afastariam dos soldados que sofrem, ou de seus parentes desolados. Não renunciaríamos por nada deste mundo ao privilégio de ajudar nossos semelhantes, embora desejássemos não estar conscientes do nosso trabalho ao retornar ao Corpo Denso. Desse modo, seríamos bem mais felizes e conseguiríamos instilar felicidade em nossas obras.

Seria preferível manter sempre a nossa personalidade na retaguarda, mas se os estudantes levarem isso em consideração, talvez a resposta a esta pergunta possa servir a um bom propósito.

(Perg. 132 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)