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Perguntas e Respostas

Qual a causa do grande número de mortes que ocorre entre recém-nascidos e durante a infância?

Pergunta: Qual a causa do grande número de mortes que ocorre entre recém-nascidos e durante a infância?

Resposta: Quando o ser humano abandona o veículo denso no momento da morte leva consigo a Mente, o Corpo de Desejos e o Corpo Vital, sendo o último o que contém as imagens da sua vida passada. Durante os três dias e meio seguintes, essas imagens são gravadas no Corpo de Desejos para formar a base da vida no Purgatório e no Primeiro Céu, onde o mal é expurgado e o bem assimilado. A experiência da vida em si é esquecida, da mesma forma que esquecemos o processo de aprendizagem da escrita, mas retemos a faculdade. O extrato cumulativo de todas as suas experiências, tanto as de suas vidas terrenas passadas como as vividas no Purgatório e nos vários Céus, é retido pelo ser humano e forma a bagagem que levará no seu próximo nascimento. Os sofrimentos pelos quais passou vão soar-lhe como a voz da consciência, e o bem que realizou manifestar-se-á num caráter cada vez mais altruísta. Até os três dias e meio passados, imediatamente após a morte, sob condições de paz e silêncio, o Ego é capaz de concentrar-se muito mais na gravação da sua vida passada. A impressão sobre o Corpo de Desejos será mais profunda, do que o seria se tivesse sido perturbado pelas histéricas lamentações dos seus parentes ou por outros fatores. Então, experimentará um sentimento bem mais forte no Purgatório e no Primeiro Céu em relação ao bem ou ao mal praticados. Numa vida futura, este sentimento intenso irá expressar-se numa voz inconfundível. Mas, se as lamentações de parentes desviaram a sua atenção, ou se um indivíduo passa por esse processo em virtude de um acidente ocorrido numa rua, num desastre de trem, num incêndio ou em outras circunstâncias angustiantes, não haverá, naturalmente, oportunidade para que possa concentrar-se convenientemente. Tampouco poderá concentrar-se, se for morto num campo de batalha. Contudo, não seria justo que perdesse as experiências de sua vida, devido a essa passagem ter sido realizada de uma maneira tão inesperada. Assim, a Lei de Causa e Efeito proporcionará uma compensação.

Acreditamos, normalmente, que quando uma criança nasce, simplesmente nasce, e o fato está totalmente consumado. Mas, da mesma forma que, durante o período de gestação, o veículo denso fica abrigado do impacto do mundo externo ao ser colocado dentro do útero protetor da mãe, até que tenha atingido maturidade suficiente para enfrentar as condições externas, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente encontram-se também em estado de gestação e nascem em períodos ulteriores, porque não passaram por um ciclo de evolução tão extenso quanto o do Corpo Denso. Sendo assim, precisam de mais tempo para chegar a um estado de maturidade suficiente, para que se tornem individualizados. O Corpo Vital nasce em torno do sétimo ano, quando o período de crescimento excessivo indica o seu advento. O Corpo de Desejos nasce na época da puberdade, em torno do décimo quarto ano, e a Mente nasce em torno dos vinte e um, quando consideramos que a criança se tornou um homem ou uma mulher – atingiu a maioridade.

O que não foi despertado não pode morrer. Quando uma criança morre antes do nascimento do Corpo de Desejos, ela passa diretamente para o mundo invisível do Primeiro Céu. Não pode ascender para o Segundo e o Terceiro Céu, porque a Mente e o Corpo de Desejos não nasceram, portanto, não podem morrer. Deste modo, fica a espera no Primeiro Céu até que se apresente uma nova oportunidade de renascer. Se morreu em sua vida antecedente sob as circunstâncias infelizes acima mencionadas – por acidente, no campo de batalha, ou se as lamentações dos parentes não deixaram que a impressão do mal cometido e do bem realizado ficassem gravados, tão profundamente quanto o seria no caso de ter morrido em paz – será instruída, quando morrer, a morrer na vida seguinte como criança, sobre os efeitos das paixões e desejos. Aprenderá, com isso, as lições que deveria ter aprendido na vida do Purgatório, se não tivesse sido perturbada. Renascerá com o desenvolvimento de consciência apropriado para poder prosseguir em sua evolução.

No passado, o ser humano era excessivamente guerreiro, devido à sua ignorância; não dispensava os cuidados necessários aos que passavam pelo processo da morte, ainda mais se morriam no leito. Estes eram em número bem menor em comparação àqueles que morriam nos campos de batalha, e se atribui a isso uma grande parcela da mortalidade infantil. Mas, à medida que a humanidade alcançar uma melhor compreensão, conscientizando-se que nunca somos tão responsáveis pelo nosso irmão, como quando ele está retirando-se desta vida, procurará permanecer em silêncio, orando com serenidade. Estará ajudando-o enormemente e contribuindo para que a mortalidade infantil se reduza e não mais aconteça numa escala tão ampla como atualmente.

(Livro: Perguntas e Respostas – Vol. I – pergunta 52 – Max Heindel)