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Servir com Humildade

Servir com Humildade


Poucas pessoas e talvez centenas de ocultistas, ainda hoje permanecem na ignorância do verdadeiro significado do tão comentado fato de haver Cristo lavado os pés dos seus Discípulos.

Nos Evangelhos onde se relatam as cenas da Iniciação de Cristo Místico se nos afirma que Cristo participou da última ceia com os seus Discípulos, quando então, levantou-se da mesa e munindo-se de uma toalha, pôs água em uma bacia e lavou os pés dos doze Discípulos, o que indiscutivelmente representou o mais humilde serviço; acontecimento motivado por uma razão oculta importantíssima.

Muito poucos se compenetraram de que quando nos encontramos na escala da evolução, podemo-la realizar, graças o apoiar-nos nos ombros de nossos irmãos menos evoluídos. Consciente ou inconscientemente os usamos como pontos de apoio, como ponto de partida para atingir lugares mais altos e assim alcançar nossos fins. Isto é uma realidade e se efetua em todos os reinos da natureza.

Quando uma onda de vida surge ao nascer da evolução e se tem incrustado na forma mineral, é imediatamente preso por uma onda de vida ligeiramente mais elevada, o que torna os cristais minerais desintegrados e os adota aos seus próprios fins como cristaloides e os assimila como parte de uma forma do vegetal.

Se não existissem minerais sobre os quais se agarrasse e se prendesse essa onda do reino vegetal, desintegrando-os e transformando-os, a vida das plantas, como afirmou Max Heindel, seria impossível.

Assim mesmo, as forças das plantas são utilizadas por muitas espécies de animais, mastigados por eles até formar uma pasta, em seguida é engolida, servindo de alimento a este reino mais elevado da natureza.

Se não existissem plantas, os animais não poderiam existir. O mesmo princípio pode-se aplicar na evolução espiritual, pois, se não existissem Discípulos que se encontrassem nos primeiros degraus da escola do conhecimento, requerendo instrução, não haveria necessidade de Instrutor nem de Mestre.

Aqui há, porém, uma diferença muito importante. O Mestre se eleva pela instrução que transmite aos seus alunos, servindo-os. Firmando-se em seus ombros, ele atinge um degrau mais alto na escola do conhecimento, ou melhor, eleva-se a si mesmo, na proporção que eleva aos seus Discípulos, porém, não obstante, adquire com eles uma dívida de gratidão, a qual se satisfaz e se reconhece simbolicamente, por um lavar de pés, um ato de humildade, de humilde gratidão àqueles a quem se tem servido.

Quando compreendemos que a Natureza, que é a expressão de Deus, está continuamente fazendo esforços para criar e para dar vida, também poderemos compreender que quem mata a outro tira a vida a alguma coisa, por pequena que seja, ou por mais insignificante que possa parecer; executa um ato que altera e perturba os propósitos do plano Divino de criação.

Isto se aplica, especialmente, ao aspirante à vida superior e, portanto, Cristo recomendou aos seus discípulos: "que fossem prudentes como as serpentes e simples como as pombas". Não importa quão sincero sejam os desejos do ser humano de seguir os preceitos da inofensividade, suas tendências e necessidades levam, por desconhecimento da Lei de Causa e Efeito, a matar em cada momento de sua vida, diz ele, para poder viver. E não é somente as grandes coisas nas quais estão constantemente cometendo assassínios.

Foi relativamente fácil para a alma investigadora, simbolizada por Parsifal, o romper o seu arco com o qual havia jogado a flecha que matou o Cisne dos Cavaleiros do Graal, uma vez que estes lhe explicaram o mal que havia feito e o erro no qual havia incorrido. Desde aquele momento, Parsifal ficava inclinado a viver uma vida inofensiva.

Todos os aspirantes sinceros seguem prontamente, em tal direção, uma vez que há chegado ao seu convencimento, quão prejudicial é ao desenvolvimento da alma a prática de comer alimentos que requerem a morte de um animal.

O uso e o abuso da carne animal desperta maior sensualidade e quem se entrega a sensualidade, entrega-se a uma vida de brutalidade e animalidade fazendo e contribuindo para que o corpo se degenere. Ao contrário, a devoção gera a Divindade, uma atitude de oração contínua, um sentimento de Amor e Compaixão por todos os que vivem e se movem. A emissão de pensamento amoroso faz todos os seres se beneficiarem mutuamente, refina e espiritualiza a natureza humana.

Os espiritualistas práticos, os estudantes rosacruzes, afirmam convictamente que uma pessoa de bons sentimentos, respira e irradia Amor, uma expressão que define muito adequadamente a afirmação exata e verídica de que a maioria das pessoas nota, pois se tem observado muito bem, que a percentagem de veneno contido na respiração de um indivíduo, está em proporção exata à inclinação perversa existente em sua natureza e em sua vida interna e nos pensamentos que emite.

O iogue hindu faz na prática (que não pode e não deve ser aceita pelos ocidentais): encerrar o candidato a certo grau de iniciação, dentro de uma cova não muito maior que o corpo, na qual deve permanecer durante uma série de semanas respirando o mesmo ar, uma e outra vez, para demonstrar praticamente que deixou de exalar o mortífero dióxido de carbono, começando, portanto, a construir o seu próprio corpo. Esta exigência ou prática, porém, são aceitas lá na Índia. Nós os ocidentais temos outros meios e mais sensibilidade espiritual e podemos lançar mãos de outros meios mais adequados, não perigosos e racionais.

A oração se apresenta como o primeiro exercício e a alta compreensão virá, levando-nos a lavar os pés dos nossos irmãos, lavando-os com a cristalina água da nossa amizade, no amplo vasilhame dos nossos corações.

(Revista: Serviço Rosacruz – Fraternidade Rosacruz – SP)