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O Trabalho de Base: participação em Grupos de Estudos e importância de ser um Estudante atuante

O Trabalho de Base

 

Nenhum edifício se constrói sem base. E essa base não pode ser falsa (Mateus 1:24-27 e Lucas 6:46-49).

O ser humano sensato que edifica o templo interno sobre a rocha dos princípios cristãos e não sobre a areia da transitoriedade, constituem-se num tijolo do templo de Deus, num esteio da sociedade e pedra angular de sua família.

E como a Fraternidade Rosacruz, em essência e realidade, não é constituída de edifícios, nem de "Sedes" nem de "Grupos", mas, sim, de indivíduos, de almas afinadas na mesma elevada aspiração, no mesmo edificante serviço, deduz-se que ela se edifica e se fortalece na medida em que seus membros se tornam mais cônscios de sua responsabilidade e crescem em virtude e entendimento. A mesma ideia se expressa na maçonaria, quando chamam a seus membros "pedreiros" e a Deus o "Supremo Arquiteto".

Os Evangelhos, igualmente, falam de Cristo como da pedra Angular. E Cristo falou da transitoriedade das coisas externas, símbolo das verdades internas que aprenderemos a reverenciar dentro de nós e no Todo (Mat. 24:1-2, João, 4:19-24).

Importa que os estudantes da Fraternidade Rosacruz, após o estágio inicial necessário, em que, dentro da maior liberdade, podem examinar, ponderar e concluir se realmente essa filosofia corresponde as necessidades de seu grau evolutivo, que eles empreendam um estudo sério.

Para isso há os diversos cursos por correspondência, as reuniões públicas e, principalmente, os "Grupos de Estudos", todos eles gratuitos e amplos. Ali poderá o Estudante participar das questões, apresentar seus estudos e preparar-se para ser um membro consciente, capaz de prestar um esclarecimento correto, sucinto, das questões que lhes forem propostas por Amigos e Familiares interessados.

Esse é um trabalho de base. A tarefa não é de expandir sem firmeza. A expansão deve corresponder ao número de membros preparados para uma disseminação segura e fiel. Sabemos que há muitas pessoas sequiosas de esclarecimento, que muitas almas sofredoras necessitam das lógicas explicações da Filosofia Rosacruz sobre os mistérios da vida e da morte, do mundo terreno e dos superiores, das leis que regem nossos destinos.

Mas também, se não estamos preparados, suficientemente, para um esclarecimento seguro, somos "um cego dirigindo outro cego para o buraco da confusão e desilusão".

Além disso, é necessário que esse trabalho de difusão, na esfera individual ou na direção de Grupos de Estudos, baseie-se num perfeito desinteresse, quer no ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista da vaidade, do personalismo, que sacrifica o espírito de equipe. Ambas são formas de cobrar.
De toda maneira, pressupõe-se um preparo seguro, quer do lado moral, quer do filosófico, ou melhor, dizendo, da Mente e do Coração.

Há dias um Amigo nos interpelou com uma pergunta difícil. Pudemos responder-lhe de pronto e seguramente porque estudamos sempre as obras de Max Heindel. Foi esta: "Como se explica logicamente o renascimento, sabendo-se que a população do globo vai aumentando cada vez mais? Se os espíritos levam determinado tempo nos mundos superiores e renascem, deveria ser sempre igual à população...".
Esta pergunta é frequente e pode confundir o estudante abordado. Por isso, para esclarecimento, aqui vai a resposta: "A onda inicial de Espíritos Virginais, da humanidade, evoluiu junta até o Período Terrestre, num total de, em torno, 60 bilhões, no globo que mais tarde se tornou o Sol e centro de nosso Sistema Solar. Mas devida a evolução variada de diversos grupos de Espíritos, foi necessário que tais grupos saíssem do Sol, arrojados com os Astros que foram aos poucos se diferenciando, entre eles a nossa Terra. Mas não tínhamos impressão de morte, de separação, da perda dos corpos, até inicios da Época Atlante, quando nos "foram abertos os olhos" e tivemos a ilusão de que somos seres separados. Desde então fomos perdendo a visão dos planos internos e temendo a morte, porque não sabemos o que nos espera. Mas os Iniciados da Rosacruz, que sabem, não por suposição, por teoria, mas porque veem, inclusive na Memória da Natureza, onde estão os registros de todos os fatos passados, nos explicam que os espíritos renascem ordinariamente, uma vez em cada mil anos, sendo, uma vez como mulher e outra como homem, alternadamente, no espaço em que Sol transita, por precessão, por cada signo no zodíaco (por volta de 2.160 anos). Esta é uma regra geral, com exceções. Particularizando a questão, quanto mais atrasado é um ser, tanto mais tempo leva para reencarnar e, contrariamente, quanto mais evoluído, tanto menos tempo. A medida que os seres vão se elevando, os intervalos vão encurtando até que estejam livre da roda de renascimentos sucessivos, que são atualmente uma necessidade evolutiva, para conquista das experiências na escola do mundo. Dai se infere que, ao início de cada época, os períodos entre renascimentos são mais longos para que se dê tempo ao Ego, de assimilar as experiências novas. Com o tempo, vão se encurtando. Agora, que estamos chegando ao final de Época, os Egos vão renascendo todos mais amiúde, neste cadinho de ensinamentos, que é a Terra. No entanto, os Adeptos e Irmãos Maiores estão além da necessidade de renascimento. Estão aqui para ajudar-nos, por amor".
Aqui termina a explicação, a resposta que poderia ser muito mais longa e pormenorizada.

Citamo-la como ilustração de que, em apenas saberem que pertencemos a Fraternidade Rosacruz, as pessoas, algumas por curiosidade, outras por real interesse, outras por desafio, nos põem a prova. Devemos estar preparados para responder com firmeza ou então, honestamente dizer: "a pergunta é interessante. Vou estudá-la para dar lhe a resposta, segundo nossa filosofia".

Além disso, como dissemos e repetimos, a preparação do Estudante fá-lo um membro consciente e atuante, para enriquecimento da própria e da alma da Fraternidade, de que fazemos parte.


(Revista: Serviço Rosacruz – Maio/64 – Fraternidade Rosacruz – SP)