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Aos que desanimam

Aos que Desanimam

 

Dias atrás vi um desses cartazes com dizeres, em celuloide, que se dependuram na parede, com uma frase mui inspirada: “O MAIOR PERIGO DA HORA PRESENTE É O DESÂNIMO DOS BONS”.

 

De fato. Pois, se os bons são o sal da Terra, de que valerá o sal se perder o sabor? O conjunto ficará insosso.

 

Já vi pessoas bem intencionadas afastar-se da luta, amargurado pelas ciladas, pelas calúnias, pelas artimanhas inescrupulosas de companheiros desonestos que desejavam livrar-se de sua importuna vigilância. E por que se afastaram? Porque pensaram apenas em si, em seu amor próprio ofendido, no seu NOME atingido, na sua REPUTAÇÃO. Tinham boa intenção, eram bons, mas faltava-lhes renúncia e discernimento.

 

Se o sal perde o sabor para mais nada serve, senão para ser pisado pelos indivíduos.

 

Eles não chegaram a perceber o papel que exerciam. “A luz incomoda os das trevas, porque esses não se chegam para a luz, temendo que, por suas más obras, sejam arguidos. E em vez de se defenderem, maquiavelicamente acusam para ganhar tempo e explorar o que existe de mais caro” em seus honestos opositores. Ora, quem tem por mais caro o seu nome, sua reputação, NÃO ESTÁ AMANDO A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.

 

Além disso, quem pode dizer que realmente foram rebaixados? Só Deus, que nos vê nas intenções e não no que falam de nós; que vislumbra realidades e não opiniões. É neste sentido que “o que se humilha será exaltado (em Deus) e o que se exalta será humilhado”.

 

As trevas estão sempre agindo e a concorrência é dura, em todos os campos.

 

Não importa. Ao contrário, a luta valoriza nosso esforço e vitória. E, se vez por outra caímos, que importa? Diz Max Heindel muito bem: “O único fracasso é deixar de lutar”.

 

Recebamos cada qual como ele é. O Cristo dizia que não se fiava no homem porque lhe conhecia a natureza. E o fato de recebermos, de vez em quando, ingratidões, falsidades e traições, nem por isso podemos julgar. A Deus incumbe isso. Acaso somos infalíveis? A questão é sermos prudentes e tolerantes. Receber cada qual como ele é e não pretender que ele seja como nós achamos que deva ser.

 

Ademais, que temos nós com os outros? Sim, vivemos em sociedade e obrigatoriamente nos relacionamos com bons e maus. Mas aí, precisamente está a escola de exercitamento!

 

A tentação é necessária, como a sabatina ao estudante. É na luta que se forma a fibra e só podemos mostrar o que somos na hora de adversidade. Foi dito que “Deus prova aqueles a quem ama”, mas também que “se Ele dá o fardo, dá juntamente, as forças para suportá-lo”.

 

Na verdade ainda não temos suficiente disciplina para vigiar e orar corretamente e caminharmos com o preciso ardor na Senda evolutiva. Infelizmente, a lei de inércia que rege nosso corpo físico, muitas vezes, nos tenta a descansar à beira do caminho, a deliciarmo-nos demasiado com a paisagem colorida e a rumorejar de algum regato. Igualmente, nosso corpo emocional (N.R.: Corpo de Desejos) ainda está muito indócil e se compraz, saudosamente, em emoções inferiores que, no passado, já nos trouxeram muitos prejuízos. Por isso é que, lamentavelmente, ainda precisamos de aguilhão da dor, dos exercícios saturninos para despertar-nos do sono em hora que devemos trabalhar, PORQUE SOMOS FILHOS DA LUZ e os das trevas não dormem.

 

“Bem aventurados os que sofrem em meu nome”.

 

Não importa seja pequena a contribuição de nosso bom exemplo no lar, no trabalho e na sociedade e o esforço na Fraternidade, menor do que desejaríamos prestar. Aquele que faz TUDO, mas TUDO MESMO que pode, já está fazendo sua parte. Também o fermento, com pouco, já leveda grande massa e fá-la crescer.

 

O Cristo trabalha conosco até a consumação dos séculos, até que terminem estes tempos de materialismo e um número suficiente de pessoas tenha capacidade elevada para manter a Terra em própria levitação. Até que tomem cargo de sua casa perturbada e se convertam em seus próprios médicos.

 

E nesta hora em que mais uma vez Cristo precisou beber do cálice amargo de nossos males, no escuro GETSÊMANI, é triste que seus escolhidos não possam velar com o MESTRE, preocupados que estão com sua posição no mundo, e durmam novamente.

 

(Revista: Serviço Rosacruz – 02/65 – Fraternidade Rosacruz – SP)