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O Valor da Seleção

O Valor da Seleção

Um número bem irrisório daqueles que anelam o desenvolvimento espiritual confere à seleção o seu valor real.

Bem poucos reconhecem o fato de não procederem a uma escolha meticulosa e criteriosa de suas atividades extra espirituais e profissionais; estarão amontoando pedras em seu caminho, entravando os próprios passos. Assim, é mister que se estabeleça um rigoroso critério seletivo em relação a passatempos, recreações, leituras, ambientes, etc.

Se atentarmos para as condições em que vivem as pessoas, particularmente nas grandes metrópoles, com seu ritmo agitado, com problemas intrincados e complexos, inerentes aos grandes agrupamentos humanos, compenetrar-nos-emos da necessidade de submetermo-nos, constantemente, a higiene mental e espiritual, único meio de que dispomos para escaparmos ao depauperamento nervoso engendrado pela vida turbulenta.

Como anelantes ao espiritualismo, devemos esforçar-nos por equacionar tais problemas, porque apesar das dificuldades, as grandes metrópoles oferecem amplas oportunidades de avanço espiritual. Sua vida complexa dá margem a experiências mais variadas, relacionamento com pessoas de caráter e temperamento diversos, oportunidades preciosas de servir, etc. Através dessas oportunidades poderemos desenvolver, gradativamente, as faculdades espirituais em nós latentes. Não obstante devemos tomar as devidas precauções no sentido de que nossa Natureza Interna permaneça incólume aos violentos e, às vezes, destrutivos impactos exteriores.

As experiências, nós o sabemos, constituem a pedra angular do desenvolvimento anímico; todavia, somente o seu valor educativo deve ser incorporado ao nosso ser, como mais alma. Do mesmo modo, os aspectos positivos de nossas atividades devem ser assimilados. No âmbito dessas atividades incluímos nossas leituras, diversões, etc. A assimilação dos aspectos negativos de tais atividades só pode resultar em distorções dos nossos sentimentos, num atendimento as reinvindicações da natureza inferior.

Se almejarmos algo elevado devemos empenhar-nos em atividades análogas, cultivando tudo o que é superior. Entendemos como sendo superior, tudo aquilo que expressa em essência: o Bem, o Belo e o Verdadeiro.

Se selecionarmos nossos meios de aquisição de conhecimentos estaremos cultivando algo superior; se as nossas recreações são sadias, estaremos fortalecendo em nós mesmos os sentimentos de: amizade, alegria e afabilidade praticando excelente higiene mental, imunizando-nos contra toda espécie de neuroses e desequilíbrios.

A avidez de notícias, na maior parte das vezes banais e sem interesse no que concerne à formação moral, leva, muitas pessoas, a entregarem-se à leitura de jornais, revistas e livros sem nenhum conteúdo espiritual.

Acaso, relatos sobre homicídios, tragédias, sensualidade, adultérios e estelionato constituem bom alimento para alma? O bom senso nos impele a sensibilizar nossos sentimentos, preterindo a elevada música dos grandes mestres pelos ritmos frenéticos e alucinantes tão em moda atualmente? Acreditamos que não!

São Paulo nos advertiu, claramente, acerca deste assunto, quando disse: “Examinai de tudo e escolhei o melhor” (ITes 5, 12-28). Já examinamos muitas vezes e caímos outras tantas em erros e sensações desagradáveis ao nosso Eu Interior. Errar uma vez é humano, porque ignorávamos; errar conscientemente é diabólico.

Afinal somos ou não somos Aspirantes à vida superior? Se o somos, devemos esforçar-nos para libertar-nos da condição passiva em que vivemos, continuando a comodamente condescender com as perniciosas solicitações da natureza inferior.

(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – 10/67 – Fraternidade Rosacruz – SP)