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O Assunto Fraternidade Universal: artigos para os cestos de lixo

O Assunto Fraternidade Universal: artigos para os cestos de lixo

É interessante lembrar que o ano começa com um feriado, uma pausa para meditação sobre a Fraternidade Universal.

Contemplamos hoje uma humanidade espiritualmente adolescente, embriagada por suas realizações epigenéticas, mas também confundida num labirinto de interesses controvertidos. Ela partiu da unidade criadora para a descoberta dos valores internos e agora destina-se à reintegração consciente na unidade traçada por Cristo. Essa transição é lenta e segura, como todo processo da natureza. Começou com a vinda de Cristo e o ideal de Peixes-Virgem, aos 7 graus de Áries, com o Sol em Precessão. Foi o período do Cristianismo Popular. Agora entramos na órbita de influência de Aquário e preparamos condições para uma fase mais elevada do Cristianismo. Daí a tendência fraternal manifestada, desde meados do século passado, nas atividades humanas (cooperativismo, esperanto, escotismo, liga das nações, ONU, etc.). Daí o anseio de iniciar um novo ano dentro de um sentimento que a razão cristã e a dor decorrente de nossos erros passados apontam como um ideal futuro, de paz e prosperidade: a fraternidade universal.

O leitor poderá contestar que os movimentos apontados têm muitas falhas. Concordamos. Mas não é por deficiência do cooperativismo, do esperantismo, do escotismo e de organizações políticas unitivas, mas sim pelos interesses partidários e egoísmos pessoais que lhes dificultam a expansão e eficácia.

Max Heindel relatou que no decurso de suas conferências púbicas pelas cidades norte-americanas os jornais sempre se interessavam pelos assuntos que suscitavam curiosidade; mas quando ele tocava na questão de fraternidade universal, os seus artigos iam para os cestos de lixo, porque a humanidade comum não acredita muito em coisas altruístas e prefere considerá-las como utopia. No entanto, para nós, estudantes Rosacruzes, habituados ao estudo do Cristianismo Esotérico, convictos na visão ampla dos Irmãos Maiores da Ordem, que estudaram na Memória da Natureza os atos passados dos Egos ocidentais e determinaram, com segurança, suas tendências futuras, a Fraternidade Universal é uma realidade que vem sendo alcançada seguramente. Isto, aliás, é predito nos Evangelhos. Acreditemos ou não, é mister que os outros “cordeiros” sejam conquistados para constituir um só rebanho. As dificuldades formadas pelo egoísmo e as naturais diferenças de condições, tendo em vista a linha evolutiva de cada homem e povo, terão um denominador comum, um elemento conciliador, na fraternidade cristã.

Nesse sentido é que surgiu a Ordem Rosacruz. O ideal cristão já existia, desde a sua fundação, no século XIII. Mas a sua missão era a de conferir ao sentimento de fraternidade um sentido racional, um fundamento científico, em concordância com a vida moderna, de modo a conciliar e unir numa estrutura renovadora, os princípios oficiais da ciência, da arte, e da religião.

A Ordem Rosacruz não apresenta uma utopia. Ela parte do conhecido para o desconhecido, do concreto para o abstrato; ela toma as realidades presentes, expõe as raízes formadoras e revela, nas aparentes contradições, o ponto comum. E deste modo eleva a concepção humana, permitindo-nos olhar as coisas “de cima”, com um sentido global, a fim de que, ao descer de novo às particularidades jamais nos percamos nos detalhes. Só assim podemos conservar o sentido geral de tudo que nos rodeia, compreendendo melhor as diferenças.

Esse sentido global, sublimador, mui dificilmente podemos alcançar pelos sentidos. A ciência acadêmica baseia-se no que pode perceber com os sentidos e este lado é apenas o efeito de causas invisíveis e muitas vezes remotas. Portanto, a contribuição do ocultismo científico é precisamente oferecer o “fio de Ariadne” para conduzir-nos no labirinto da diversidade material e finalmente possibilitar-nos a comprovação lógica de tudo que ensina.

Benditos, pois, os de mente aberta, os sinceramente devotados à causa fraternal, as crianças de cabelos brancos, sem preconceitos, os pobres de espírito que humildemente estão prontos a aprender, os que têm fome e sede de justiça, porque todos eles, se não nesta vida, em futura existência, já na Época de Aquário, serão fartos e constituirão os pilares da obra cristã.

Que o dia 1º de janeiro se prolongue, em seu ideal, para cada dia do ano, até cobri-lo inteiramente com novo sentido evolucionário. E nós, conscientes e confiantes, buscaremos, pela nossa ação, abreviar esta meta, cumprindo cada um a sua parte.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1964)