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A Lei de Consequência é falha?

A Lei de Consequência é falha?

Sabemos que a Lei de Consequência não apenas determina nosso estado individual de saúde física e mental, mas também as relações que constituem nossos ambientes. Porém, se deixarmos o prisma de percepção subjetiva (o de sofrimento e doença pessoal) e enxergarmos a ação desta Lei num contexto mais abrangente, será possível verificar que a Lei de Consequência é falha para nos direcionar à libertação, sendo necessário outro fator para nos fazer avançar.

A situação hipotética ilustrará esta questão: numa encarnação passada, uma pessoa estava tão voltada para si que acabou por negligenciar conforto, simpatia, amor, e amizade àqueles que eram seus dependentes. Tal atitude provocou uma desarmonia que deverá ser, então, reequilibrada.

Sabemos que não há fórmulas certas e também não possuímos capacidade de entendimento suficiente para determinar com certeza os meios pelo qual a Lei de Consequência busca harmonizar os desequilíbrios que um Ego gerou, mas conforme ensinado por Max Heindel no capítulo 6 do livro “A Teia do Destino”, cada ato de cada indivíduo produz uma determinada vibração no universo, que reflui sobre ele e sobre outros ao seu redor. Assim, utilizando o caso ilustrativo acima, é possível concluir duas situações genéricas condições futuras que poderão constituir o destino desse Ego errante. Na primeira, o Ego fará a decisão de pagar pela negligência cometida, renascendo com o desejo ardente de receber grande simpatia e conforto de seus familiares. Escolhe, então, nascer entre pessoas que sofrerão a tentação de negligenciá-lo, para também sentir o que fez outros sentirem no passado;

Pela Lei de Atração e polaridade, o Ego deverá atrair pessoas que sejam capazes de produzir um ambiente favorável para que reequilibre suas desarmonias. Pelo mecanismo puro da Lei de Consequência, seus familiares atuais deverão estar aptos a produzirem um ambiente negligenciador capaz de fazer este Ego expiar suas faltas passadas. Os Anjos do Destino, então, colocam o Ego entre pessoas sem qualquer vínculo espiritual anterior, o que o torna um verdadeiro estranho na família.

Assim, a harmonia pessoal do Ego será reestabelecida pela dura convivência com os familiares. Mas se olharmos do ponto de vista coletivo, três perguntas surgem:

(1) as negligências da atual família serviriam apenas de instrumento para a Lei de Causa e Efeito e, portanto, indubitavelmente positivas ao Ego devedor, sem causar nenhum destino doloroso para a mesma?

(2) os atuais familiares, ao serem negligentes, estão gerando novos desequilíbrios que deverão ser expiados no futuro, independente se está servindo de benefício para o Ego que veio com o propósito de expiar? Ou ainda,

(3) a negligência é tanto benéfica e maléfica para os realizadores?

Ora, se a segunda e a terceira hipóteses forem verdadeiras, a Lei em si foi projetada sem a possibilidade de se chegar a um fim comum de harmonia. Também é impossível acreditarmos que as novas negligências da família não gerem problemas futuros. Assim, a Lei nunca será suficiente para dar fim aos desequilíbrios, pois depende de pecadores para santificar outros pecadores mais antigos, e sempre que uma harmonia for estabelecida, outra necessariamente deverá ser produzida.

Conclui-se, portanto, que a Lei de consequência é falha.

As Escolas de Sabedoria Ocidental promulgam que sempre há uma margem significativa de livre arbítrio em cada situação vivenciada, independente se a mesma estiver relacionada com nossas responsabilidades de débitos com a Lei. O fato de a família ter uma tendência de negligenciar o Ego, não significa que deverá fazê-lo. Pelo contrário, se usar sua Epigênese (originalidade sem relação com causas passadas) e se esforçar para não seguir tal tendência (ou tentação), poderá promover condições muito mais favoráveis para que este Ego harmonize seus desequilíbrios.

Neste sentido, vejamos a segunda situação de vida para este Ego errante: a família negligenciada pelo Ego escolhe renascer ao seu lado, com a tendência de amá-lo fortemente e dar para ele todo o carinho que ele não foi capaz de dar. Em outras palavras, ele receberá tudo aquilo que decidiu ignorar no passado. Aqui, o amor dos familiares será muito mais eficiente para fazer o Ego reestabelecer à harmonia necessária para que expie suas faltas. “O amor é o cumprimento da Lei”. Este é o fator determinante para que o progresso espiritual continue.

Há muitos outros meios benéficos que o nosso livre-arbítrio possibilita superar a Lei de Causa e Efeito ou de destino, sem cair na amarra de não se chegar a um fim comum de harmonia. A Lei trabalha por meio da dor com o propósito de despertar a nossa consciência para outros focos da existência: o amor e o desapego material.

Trabalhar com amor, de modo original, para frente e para cima, nos permitirá que identifiquemos nossas tendências ou tentações que escolhemos sofrer nesta vida e, uma vez identificada, poderemos usar a Lei da Epigênese, para criar condições favoráveis para que as desarmonias do passado possam ser equilibradas pelo amor.

Que as rosas floresçam em vossa cruz