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O Motivo

O Motivo

Muitas vezes tenho-me perguntado em minhas meditações, porque, sendo a Filosofia Rosacruz, tão obviamente, um método de libertação espiritual, de elevação moral, de vivência amável e confortadora, não atrai para si, verdadeiras multidões. "Exatamente por esses mesmos motivos", segrega-me uma vozinha suave. Não é fácil libertarmo-nos dos tabus que orientaram toda a nossa vida pregressa. Tampouco é fácil aprendermos a andar com os nossos trôpegos pés, sem "muletas morais", sobre as quais possamos jogar o peso da culpa de nossas fraquezas e as quais possamos voltar arrependidos, para logo em seguida incidirmos nos mesmos erros.

Aprendemos, com a Filosofia Rosacruz, a nos responsabilizarmos por nossas próprias ações, na conscientização de nossa própria individualidade cristã; aprendemos a observar e discernir, e tirar o máximo proveito das lições que a própria vida nos ensina. O preceito "vigiai e orai" está sempre vivo. Ainda assim, quando, por força dos velhos hábitos, reagimos em desacordo com as normas que passaram a se constituir em vivência cristã, recolhemo-nos em nossa alma, e, do solo pedregoso onde fomos lançados pela força avassaladora de nossa personalidade ainda deseducada e viciosa, levantamo-nos novamente, humildes, mas esperançosos e continuarmos, corajosamente, nossa caminhada, por nos sabermos, embora falíveis e fracos, sintonizados na luz de Cristo que nos ampara, dando-nos novas oportunidades de servir.

Embora continuemos, aparentemente, a viver uma vida comum, nos dar conta de uma mudança sutil em nossos velhos hábitos e temos a coragem de assumir nossa nova roupagem perante aqueles que nos rodeiam. O fumo, a bebida alcoólica, os alimentos, à base da carne de nossos irmãos menores, são coisas do passado e não nos deixam saudades. Porque estamos conscientes da Presença, afastarmo-nos discretamente de toda conversa picante; porque é nossa obrigação mantermos a Mente, via de comunicação do Cristo Interno, sempre aberta e desimpedida, esforçamo-nos (embora nem sempre com sucesso) para expulsar os pensamentos capciosos sugeridos pelo Corpo de Desejos indisciplinado.

Passamos a construir à nossa volta, uma amável carapaça contra as críticas ditas em tom brejeiro, suscitadas pelos nossos novos hábitos, por sabermos que tudo que foge à regra geral, causa estranheza.

Mesmo sabendo que conseguimos galgar um degrau na escada do desenvolvimento espiritual, não nos orgulharmos, por saber que a ascenção à nossa frente é infinita e é nossa obrigação ajudarmos aqueles que encontrarmos no caminho, a subir em direção à Luz que vislumbrarmos no horizonte distante.

(Pulicado na Revista Serviço Rosacruz de mar/78)