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Liberdade e Felicidade: o que tem a haver com o desapego

Liberdade e Felicidade: o que tem a haver com o desapego

"É em vão que o ser humano procure ao longe a sua felicidade, descuidando de cultivá-la em si mesmo, pois, mesmo que ela viesse de fora, não poderia fazer-se sensível enquanto não encontrasse uma alma aparelhada para gozá-la". Estas sábias palavras de Rousseau coadunam-se perfeitamente com os princípios básicos do Cristianismo Esotérico no que diz respeito à felicidade.

Essa para ser perdurável deve alicerçar-se em algo imorredouro, espiritual e interno. Se a fundamentarmos em objetos transitórios, ela não se manifestará e, em vão, persegui-la-emos durante toda vida.

Há estreita correlação entre liberdade e felicidade. Uma não subsiste sem a outra. Via de regras os seres humanos configuram a felicidade como sendo a posse de bens externos. Olvidam que, dependendo do nosso conceito de posse, os bens externos constituem verdadeiros grilhões, atando-nos de pés e mãos à transitoriedade dessa existência concreta. Se colocamo-nos na posição de administradores, ao invés de possuidores, multiplicando e empregando altruisticamente aquilo que nos vem às mãos, concorrendo para a manutenção do bem estar e equilíbrio sociais, sentiremos interiormente uma paz inefável, fruto da verdadeira felicidade. Para nós a vida será um fluxo constante de bênçãos.

Se por outro lado, a avidez da posse nos alucina, fatal e desgraçadamente, arruinaremos nossa vida e a dos outros. Seremos escravos daquilo que almejamos, arrastando pesados grilhões pela vida afora.

O importante não é possuirmos ou não possuirmos bens externos. O essencial é não sermos possuídos por eles. Muitos possuem bens externos e não são cativos deles. Outros possuem e são agrilhoados pelos que almejam. Nossa liberdade e felicidade correspondem à medida do nosso desapego. Meditemos profundamente sobre isso.

(Revista Serviço Rosacruz – 03/69 – Fraternidade Rosacruz – SP)