cabeçalho4.fw

A Lei de Causa e Efeito

A Lei de Causa e Efeito

 

Já sabemos que a Lei de Causa e Efeito, junto à Lei do Renascimento, vem responder a todos os "por quês" de nossa vida material. No entanto, na maior parte das vezes, compreendemos tal Lei, na medida de nossa própria superfície, sem a penetração que ela contém. Isso porque o ser humano, em geral, não sabe pensar. E não sabe pensar, porque não quer pensar. Resiste sempre a tudo o que venha tentar retirá-lo do comodismo da sua superficialidade.
A Filosofia Rosacruz esclarece a respeito dessas duas leis: de Consequência e Renascimento, porque elas justificam toda a evolução do ser humano, a partir da QUEDA. E não só do ser humano caído, mas como se pode evoluir pelo exercício da originalidade (Epigênese) sem esbarrar nas fronteiras que a Lei de Causa e Efeito revela, mostrando a totalidade da evolução em si mesma.
Muita gente costuma dizer que Deus castiga; que "é castigo de Deus" isso ou aquilo que aconteça de mal em sua vida. É, na verdade, uma forma de expressar a Lei de Consequência. Mas não é a Lei em si mesma. Deus não castiga ninguém. Nossa consciência espiritual é que se coloca na condição de punição quando agimos contrariamente às leis da natureza, mesmo que a consciência material não perceba isso. Até aí não há dificuldade. Em estágio um pouco acima do ser humano natural, ordinário, entende-se perfeitamente que seja assim. Porém não se confunda facilidade, naturalidade, com superficialidade. Muitas vezes são as nossas próprias criações mentais que colocam embaraços e enganos à nossa frente, obstruindo nosso caminho. E ficamos marcando passo, vítima de nossos próprios pensamentos mal orientados por uma Mente que não sabe pensar. É isso. Voltamos ao âmago da questão: o ser humano, em sua generalidade, não sabe pensar. Resiste à forma de pensar certo. Quando se exige um pouco mais de esforço da Mente, ele cria desculpas para justificar a preguiça mental e a inércia. É por esta razão que muitos estudantes não conseguem conservar o interesse pelos estudos de uma filosofia como a Rosacruz, e se deixam arrastar e vencer pelas dificuldades.
Mas, se não houvesse mais resistência da Mente, se o ser humano aprendesse a penetrar-se, a conhecer-se e a limpar os pensamentos, dirigindo as rédeas de sua conduta interior, nada mais seria difícil para a Mente e ela deixaria de ser preguiçosa. Um mundo novo e maravilhoso abrir-se-ia então, a sua frente. Um mundo mental mais limpo, sem a escória das desculpas, dos comodismos, da inércia. Da resistência ao avanço. Por isso é que Max Heindel nos ensina o valor do esforço, dizendo-nos que o único fracasso é deixar de lutar. Mas lutar mesmo. Em franca e constante atividade.
E quando se fala em atividade, muitos podem pensar que se trate, tão somente, de atividade material, de ação física, e que é necessário usar o corpo nessa atividade, e fazer muitas coisas para ser realmente ativo. Entretanto, a Atividade, sendo o terceiro aspecto da divindade, é sob condição divina que deve ser encarada antes de qualquer outro aspecto. De nada nos serviria, mesmo, a atividade externa sem o impulso da Atividade interior. Sem a criação ativa do poder interno, a ação fica vazia. Eis porque não é o tipo de trabalho que importa para a elevação do ser humano. É a sua forma de executar esse trabalho, é o acionamento do seu motor interno. É a atividade do pensamento, dos sentimentos quando se realiza alguma coisa, seja escrever um livro ou lavar uma louça. É isso. O ser humano verdadeiro, real, cada vez mais próximo de si mesmo, mais consciente de sua divindade, não faz seleção de trabalho, de valores, de criaturas. Uma pessoa assim é sempre a consequência de um longo processo de purificação de uma atividade permanente, persistente e tranquila através dos tempos. De uma atividade incansável como a das formigas. Já repararam alguma vez em um formigueiro? Já viram como as formigas são organizadas no seu trabalho individual que vai redundar em benefício da coletividade? Pois, nós devemos ser como as formigas: trabalhar individualmente, procurando penetrar incansavelmente, cada vez mais, nos recessos de nosso próprio interior, com a plena consciência de que esse trabalho está sendo realizado em benefício de toda a humanidade, de toda a criação. Portanto, em benefício do Cristo Cósmico que sabemos que só será libertado da cruz do seu sacrifício quando nós tivermos libertado da cruz de nossa natureza inferior, atingindo a união com toda a humanidade.
Eis porque cada um deve dar o que tem, mas trabalhar fervorosamente. Quem ainda não souber amar, procure aprender a pensar. Quem não souber pensar como deve, procure aprender a sentir. Alguma coisa tem que ter em nós que possa servir de ponto de partida para um trabalho maior, para um trabalho real. O essencial é não parar, não resistir ao avanço. O destino da criatura humana é sempre para frente e para cima. Ponhamos de lado as superficialidades e vamos viver corretamente para promover melhores e verdadeiros efeitos em nossas atividades.
Lembremo-nos sempre que o aperfeiçoamento é como a torre de uma igreja, como diz Max Heindel: "à medida que subimos, vai-se estreitando até que nada mais nos reste de apoio senão a Cruz", lá no topo. Caminhemos pois para ela.

(Revista: Serviço Rosacruz – 08/64 – Fraternidade Rosacruz – SP)