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É preciso mais uma Doutrina Unificadora?

É preciso mais uma doutrina unificadora?

 

“Vai, porque é para os gentios, para longe, que quero enviar-te”.

(Atos, 23:21)

 

Sete são as Escolas de Mistérios Menores Ocidentais responsáveis por fornecer um caminho seguro de desenvolvimento espiritual para todos que desejarem e que possuem requisitos mínimos quanto à organização e funcionamento de seus corpos. Tais requisitos são:

 

  1. ter ultrapassado o nadir da materialidade;
  2. possuir uma conexão frouxa entre o Corpo Vital e o Corpo Denso (físico);
  3. possuir uma pré-condição apropriada que facilitará a separação correta do Corpo Vital em duas partes, isto é, ente os Éteres inferiores (Químico e de Vida) e superiores (Éteres de Luz e Refletor);
  4. Possuir um Corpo de Desejos também dividido em duas partes: a parte mais sutil (Alma Emocional) e parte animal.

 

Estes quatro requisitos devem estar presentes. Se, por exemplo, houver frouxidão entre Corpo Vital e Corpo Denso, sem que o Ego tenha passado pelo nadir da materialidade, como é o caso, por exemplo, dos Hindus, não há como o método produzir grandes resultados. Deve ocorrer previamente, o desenvolvimento necessário para que esse Ego possa corresponder ao método. Em verdade, os métodos Orientais verdadeiros objetivam exatamente a promoção do desabrochar destes quatro requisitos, acima mencionados.

Atingir tal status é uma meta para todos os demais povos do planeta. O ocidental  possui este “talento”, pois já percorreu o caminho necessário para desenvolver estes requisitos. O mesmo para pessoas que nasceram em outras regiões do mundo, mas que migraram para o Ocidente e aqui constituíram suas vidas. Um novo passo na constituição dos corpos deve realizado, que é tornar a pré-condição de separação dos Éteres em condição verdadeira. Isso é feito de uma única maneira: doar a si mesmo como pão e água para todos aqueles que necessitam; imitar o Cristo dentro de seu círculo de ação; servir de modo desinteressado a todos, não importa quem o onde estiver.

Sob o ponto de vista econômico, o Brasil, nos últimos tempos, tem melhorado consideravelmente sua economia. Com isso, grande parte de nossos irmãos dos demais países da América do Sul buscarão ter uma vida um pouco melhor. Não obstante, é comum verificar grandes executivos de empresas famosas darem palestras em cursos de economia, administração ou relações internacionais, sobre a invasão de estrangeiros que o Brasil sofrerá nos próximos 20 anos. E com “um ar” de experiência, dizem que sabem como o Brasil deve se portar, pois os Estados Unidos passaram por isso há alguns anos atrás.

Quando Max Heindel escreveu o Conceito Rosacruz do Cosmos, relatou que a semente da nova raça, ou raça dourada, viria dos Estados Unidos da América. De fato isso era uma verdade na época. Porém, tanto o apego à matéria quanto o ceticismo fizeram com que a massa americana enterrasse seus “talentos espirituais”. Com desculpas de que os imigrantes iriam deturpar o “sonho americano” (American Dream), instigaram a ideia de que estes roubariam seus empregos de direito, seu espaço, e oprimiram vários outros países. Sob a ideia astuta de pacificadores universais, investiram grandemente em armas e na guerra “contra o terror”. Infelizmente, perderam a chance de tornarem-se a nação mais universal do mundo, onde todos aqueles que já preencheram os requisitos acima mencionados poderiam migrar, desenvolverem o Corpo Alma, uma vez que a atmosfera americana é realmente mais elétrica. Atualmente, diz-se que a semente para a nova raça sairá das Américas e não mais dos EUA.

Esta mesma resistência ao novo é verificado fora do âmbito econômico. Por exemplo, São Paulo ficou conhecido como o Apóstolo dos Gentios. Isso porque ele realizou a divina missão de levar o Cristianismo para outros povos do mundo, mas povos que já estavam preparados para receber as novas instruções. Veja que São Paulo não viajou para a África, para a China ou outros países do oriente. Mas para Grécia, Ásia menor, Síria e Europa. Lugares estes em que já havia povos que possuíam os quatro requisitos mencionados no início deste artigo. Lá chegando, os mais avançados destes povos encontravam o método novo que lhes faltava. Assim, aderiam ao cristianismo.

Por outro lado, os judeus que se convertem ao cristianismo em Jerusalém, lugar onde o próprio Cristo viveu fisicamente, exigiram que todos os gentios fossem primeiramente circuncidados para depois aderirem aos métodos Cristãos. Exigiam que se assim não procedessem, os gentios estariam profanando a Lei. Eles entendiam que primeiramente, todos deveriam passar a praticar e respeitar a Lei de Moisés e os profetas, para depois chegarem até o Cristo. Não estavam suficientemente livres do apego a sua religião, para enxergarem o que realmente importa: atingir um nível de desenvolvimento espiritual suficiente que o levará até o portador da Luz verdadeira, o Espírito Solar, o Cristo, não importa por qual religião precedente.

Assim, São Paulo promoveu o primeiro vislumbre da religião Cristã: a união entre diversos povos tendo como critério a percepção interna ou espiritual, independente da forma ou aspecto exterior,  a Fraternidade Universal. Obviamente que sofreu muito com essa promoção. Até São Pedro ficou confuso em relação a isso: “E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus. Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Pois, se nós, que procuramos sermos justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus”. (Gálatas 2:11-19)

Correspondendo ao universalismo que a cada dia se faz mais presente, a Fraternidade Rosacruz tem a finalidade de divulgar a admirável filosofia da Ordem Rosacruz. Esta última constitui uma dessas Sete Escolas de Iniciações Menores Ocidentais e seu Templo está estabelecido na Região Etérica do Mundo Físico.

Seus fundamentos foram constituídos de modo a seguir esse mesmo poder conciliador que une todas as partes que estão atualmente separadas umas das outras. Assim, ela busca construir pontes ou fórmulas químicas capazes de unir componentes que não coexistem num mesmo espaço. Por exemplo, unir o fogo e a água, unir a ciência e a religião, unir o intelecto e o coração. Por isso, seus métodos de ensino são tão amplos e incluem, basicamente, Filosofia, Bíblia, Astrologia. Mas apesar da forma ser aparentemente tão discrepante, o estudante dedicado logo percebe que esta três facetas constituem um único espírito. Mas deve ser assim, para que o intelectualista possa desenvolver sua devoção e o devoto sua parte intelectual, para então, ambos completarem a parte que lhe falta.

Há, no entanto, dois perigos presentes em nosso cotidiano:

  1. As sutis amarras do passado não permitirem que se enxergue o espírito universal em tudo e, por isso, a pessoa pode se perder na separatividade ilusória, como fizeram os americanos sob a bandeira de preservarem o “Sonho Americano” ou como os fizeram os Judeus sob a bandeira de que todos devem ser fiéis a Moisés e aos costumes;
  2. Aqueles que acreditam que a Fraternidade Rosacruz já não mais possui o universalismo necessário para fazer com que o ser humano possa avançar. Para estes, fica a conclusão lógica de que somente praticando os exercícios básicos passados no Conceito Rosacruz do Cosmos e na Conferencia XI do livro o Cristianismo Rosacruz, e vivendo uma vida rica em experiências, que acumularão material espiritual suficiente para chamar a atenção do Mestre. E a partir dos planos internos, poderão saber o que fazer para acrescentar ou não alguma coisa na Grande Obra de Cristo.

 

Que as rosas floresçam em vossa cruz.