cabeçalho4.fw

Reencarnação: verdadeira em todos os sentidos

Reencarnação: verdadeira em todos os sentidos

A reencarnação para mim é a única explicação lógica da existência física. Não só nos dá uma concepção lúcida das várias discrepâncias da vida, mas também, fornece um objetivo ou um propósito para a humanidade, sem o qual todo o esquema evolutivo se tornaria inútil e irrisório. Ninguém que, testemunhando as gloriosas maravilhas da natureza, poderia imaginar que um Criador com uma visão de amplitude e magnitude em projetar um universo tão vasto, o povoaria com pequenas marionetes cuja única percepção d’Ele seria o medo, e o único tempo de vivência na terra seria meros, mais ou menos, setenta anos; na verdade, na maioria dos casos consideravelmente menos tempo ainda. E tão pouco Sua única “Palavra” poderia ser um registro que está inserido em alguns livros de escritores, chamado Bíblia (na forma atual comumente conhecida). É certo, não obstante, que encerra muitos conhecimentos ocultos inestimáveis. Estes conhecimentos se acham, em grande extensão ocultos, devido às interpolações, e obscurecidos pela supressão arbitrária de certas partes julgadas “apócrifas”; sendo que foram traduzidos muitos textos dos originais[1], nenhum dos quais existe agora. Essas traduções não podem ter escapado do duvidoso reconhecimento da mutilação nas mãos da Igreja e do Estado; embora, essas traduções foram e são agora pregadas literalmente pelos irmãos devotos de inúmeras seitas, e que são consideradas inquestionavelmente autênticas pelas multidões, que não têm a inclinação de estudá-las por vontade própria. É de admirar que o objetivo dessa existência física seja perdido no pântano do mal-entendido? E que o credo de que só o mais forte e o que teve mais sucesso se salvará é o fator dominante da civilização moderna?

Como podemos esperar que milhões de pobres trabalhadores, labutando seu dia dentro e fora de casa por um salário insignificante, que mal dá para cobrir suas necessidades corporais, desgastadas pelas doenças e enfermidades, possa amar e reverenciar um Deus que, por intermédio de suas igrejas, não dá uma resposta satisfatória ao seu grito eterno de "Por quê"?

Eles são orientados a orar, mas eles são ensinados como orar? Não; e a única resposta dos responsáveis pela direção desses tipos de movimentos espirituais aos buscadores sinceros é: “É a vontade de Deus; não devemos questionar isso”. Assim, podemos imaginar que as pessoas se voltem apenas aos prazeres materialistas para se consolar, e se submergem nas alegrias superficiais que as invenções modernas podem lhes oferecer? No entanto, a explicação é tão simples – as leis gêmeas de Causa e Efeito – que até mesmo a mentalidade mais infantil pode entender, e a seguindo pode ganhar paz mental e quietude. Essa verdade irá sufocar os rebeldes dissabores que assediam nossas Mentes e nos conduzem silenciosa, mas seguramente ao longo do caminho rumo à perfeição.

A vida não é mais do que uma escola na qual os Egos se manifestam através de um conjunto de veículos, aprendendo lições que, com o tempo, se tornam dignos de pertencer ao Pai. É somente renascendo e renascendo novamente nessa esfera física que podemos acumular experiências empíricas que resultam em um completo desenvolvimento físico, mental e espiritual. Seria possível prever que um indivíduo fizesse isto num corpo de 60 anos? Não seria razoável que ele esperasse e levando em consideração as limitações do ambiente, potencialidades mentais, etc., é impossível. Contudo, aqui é onde a verdade do renascimento é capaz de provar, conclusivamente, sua argumentação de autenticidade. Há um velho provérbio que diz: “Como semeastes, assim colhereis”, e é exatamente isso que significa a Lei de Causa e Efeito. Nenhum ser humano pode receber da vida nada mais além daquilo que deposita, e assim, todo o indivíduo descansa inteiramente nas condições e circunstâncias que deverá reencarnar: como ele semeou nessa vida, assim ele colherá na próxima.

Quando um ser humano herda um veículo físico defeituoso, não é necessário culpar seus antepassados, pois ele só pode criar seu habitat em um corpo que ele mesmo aprendeu a construir e controlar. Os pais fornecem os materiais que ele precisa e os utiliza da melhor maneira possível. Se ele constrói um veículo com um mecanismo defeituoso para essa vida, podemos concluir que os erros de uma vida anterior o limitaram a isso, de uma mentalidade pobre, físico fraco ou é mostrada qualquer que seja a falta. Nada é feito sem uma causa justa, pois essa Lei é muito precisa e não conseguiremos ludibriá-la. Qualquer esforço colocado em determinada coisa, colherá sua recompensa; agora ou mais tarde; portanto, hábitos vividos e pensados erroneamente também terão sua avaliação a semelhantes casos.

Assim, podemos ver do que foi exposto, que as condições do mundo de hoje são o resultado de nossos esforços coletivos passados, e o que está por vir, está sendo criado agora por nós. Nós, e somente nós somos os únicos culpados pelas circunstâncias angustiantes que a humanidade está passando, e quando percebermos esse fato, mesmo que por razões egoístas, o incentivo virá como segurança coletiva no futuro.

“Eu sou um Deus justo”, afirma a Bíblia, e a reencarnação é vista a partir da concepção, sendo ela verdadeira em todos os sentidos. A culpa recai sobre nós, cujo ponto de vista é tão estreito que requer uma ideia restrita do grande plano, e vendo somente uma parte dele, erroneamente concluímos que não há justificativa para as nossas provações e tribulações, ou mesmo aceitar nossas misérias ou alegrias sem questionar.

Esse é apenas um breve esboço dessa grande verdade, concluindo me permita dizer que até que o conhecimento da reencarnação seja compreendido e aceito, a Fraternidade Universal só pode ser um ideal abstrato, em vez de uma realidade concreta.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1940 – traduzida pela Fraternidade Rosacruz Campinas-SP)

[1] Original hebraico