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Para você se desenvolver espiritualmente há um "Preço a Pagar": você está pronto?

Para você se desenvolver espiritualmente há um "Preço a Pagar": você está pronto?

É comum observarmos como as pessoas se mostram eufóricas quando dão os primeiros passos no Caminho Rosacruz. E não é para menos. Os primeiros contatos com a filosofia divulgada ao mundo por Max Heindel, logo no início já ensejam um raro sentimento de segurança, pelos simples devassar de questões até então ignotas. Causas são penetradas com assombrosa lógica.

Fatos que, aparentemente, nunca guardaram relação alguma entre si são interligados, formando um todo capaz de explicar a razão de ser de muitos fenômenos. De repente, o estudante descobre um sistema, onde esoterismo, religião, astrologia, naturismo e muitos campos do conhecimento humano formam uma unidade coerente nas linhas que a compõem.

Para o pesquisador descortina-se um horizonte amplo, maravilhoso, inusitado até. Sobrevém um ímpeto irresistível de nele mergulhar. É o impulso inicial. Justifica-se, como natural, tamanho entusiasmo. Assume-se (consigo mesmo) o compromisso de fazer os cursos. Lição após lição delineiam-se novas e surpreendentes perspectivas.

Passado algum tempo, porém, essa, às vezes, até exacerbada euforia pode arrefecer-se. Não que o encanto se dissipe. Não que a beleza inerente à Filosofia Rosacruz venha a fenecer. É que os resultados tão ansiosamente esperados tardam a surgir, ou aparentemente nem surgem.

Pode, em tais circunstâncias, o estudante deixar-se abater pelo desânimo. Afinal, ele contava progredir, evoluir espiritualmente, e isto parece não estar acontecendo. Empenha-se nas lições, procura ler as obras rosacruzes, investiga, perscruta. No entanto, sente ter caminhado muito pouco, ou quase nada. Que estará acontecendo?
Sempre há uma ou várias causas entravando o tão almejado progresso.

Alguma coisa, evidente ou sutil, pode estar retardando os passos do aspirante.

Cumpre-lhe constatar o que está ocorrendo.

A Filosofia Rosacruz aponta vários fatores como capazes de impedir a evolução do aspirante. E ele pode verificar em qual ou quais se enquadra, tendo "a tocha da razão por guia".

Um fator merecedor de toda ênfase é a negligência em praticar o exercício noturno de Retrospecção. O termo "negligência" assume aqui um caráter muito abrangente. Significa: a - praticar o aludido exercício com irregularidade; b - com indiferença; c - automaticamente (por mera obrigação); de não o praticar.

O exercício de Retrospecção proporciona inúmeros benefícios ao aspirante. Em primeiro lugar, oferece-lhe acesso a um invulgar privilégio denominado autoconhecimento. O preceito gravado no tempo de Apolo, em Delfos, "HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO" - indica, subjacentemente, que o conhecimento de tudo é posterior ao conhecimento de si mesmo. O ser humano não pode prescindir dessa verdade. Ela projeta, em grande parte, luz sobre as razões dos conflitos humanos.

O exercício de Retrospecção, tão bem explicado por Max Heindel, sobretudo no "CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS", constitui uma forma de disciplina que, juntamente com outros exercícios preconizados pela Escola dos Irmãos Maiores, sensibiliza-nos para os vários aspectos da vida. Desperta-nos o sentimento de empatia, base da solidariedade humana. Produz a liberação de cargas emocionais acumuladas pelos impactos e lutas do cotidiano.
Funciona, de um certo modo, como o divã do psicanalista ou como o confessionário católico. Resulta num alivio e nova disposição para enfrentar a vida.

Evita o sofrimento purgatorial. Isto é notavelmente benéfico, todos hão de convir.

Ainda sobre a retrospecção, ela forma a consciência moral do aspirante, estimulando-o a promover uma reforma interior, sem a qual torna-se impossível, repetimos, IMPOSSÍVEL, qualquer avanço no Caminho Rosacruz.
Max Heindel afirmou certa vez que o exercício em exame constitui o mais importante ensinamento da Filosofia Rosacruz. É necessário dizer mais alguma coisa a respeito?

Amigo estudante, se você pondera não estar evoluindo na senda que abraçou, procure analisar atentamente o acima exposto.

E mais ainda: veja como estão seus hábitos.

Você ainda fuma? Ingere bebidas alcoólicas? Alimenta-se de carne?

Irrita-se com facilidade? Angustia-se ao mais insignificante problema? Eis aí alguns seríssimos entraves à sua caminhada.

O fumo e o álcool embrutecem a natureza espiritual do ser humano. A carne consiste-lhe em alimento inadequado, carregado de toxinas, além de exigir a matança cruel de animais. A irritabilidade e a angústia tolhem-lhe a capacidade de pensar com clareza, induzindo-o, não raro, a cometer desatinos.

Você ama seus semelhantes? É capaz de servi-los desinteressadamente?

Você não alimenta preconceitos? Há muitos fatores dignos de uma severa análise. Alguns tão eivados de sutilezas que só podem ser detectados pelo próprio aspirante.

É natural todos desejarem progredir espiritualmente. É admissível aspirarem a, um dia, receberem a iluminação por vias Iniciáticas. Mas isso não se consegue apenas estudando, debruçando-se exaustivamente sobre livros e cursos. É mister sacrificar as más tendências, os hábitos degradantes, o comodismo, a inércia, em favor do Cristo Interno.
O dinheiro, o prestígio e o poder não compram o desenvolvimento espiritual. Somente o sacrifício de si mesmo, em benefício da humanidade, conduz alguém aos portais da Iniciação. Esse é o preço a ser pago.

(Publicado na Revista 'Serviço Rosacruz' – 10/77)