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Estamos trabalhando com a Lei de Consequência?

 

“Os Anjos do Destino dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para seu desenvolvimento”.

(Ritual do Serviço Devocional – Fraternidade Rosacruz)

 

Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal”.

(II Coríntios, 5: 10) 

Estamos trabalhando com a Lei de Consequência?

 

A compreensão das Leis justas e imutáveis que regem nossas vidas constitui um dos primeiros passos para realização espiritual. Somente aqueles que conseguem ir além da teoria e encaram a vida como uma experiência científica, governada por estas Leis, podem caminhar na senda da preparação. Estes não mais duvidam que todas as ações sempre gerarão resultados e, deste modo, se souberem direcionar seus atos, colherão frutos valorosos para seu desenvolvimento.

Mas é evidente que novas práticas baseadas na aplicação de um novo ensinamento dependem do quanto um aspirante compreendeu e sentiu da verdade contida no mesmo. Além disso, pré-conceitos incontroláveis e despercebidos pelo aspirante (de seu eu inferior) contribuem para que não haja pleno acesso ao real significado de um novo ensinamento. O presente artigo tratará de aspectos importantes relacionados à Lei de Consequência, de como podemos trabalhar com a mesma e de alguns desses aspectos não percebidos que funcionam como bloqueadores do caminho da realização espiritual.

 

Lei de Consequência: limitadora ou ampliadora?

Sempre que ocorrer uma ação de desequilíbrio na natureza, a Lei de Consequência necessariamente, produzirá uma reação futura que objetiva re-estabelecer o equilíbrio natural das coisas. É exatamente esta homeostase* universal que fundamenta o destino de cada ser humano e determina seu atual estado biológico, psicológico, emocional, mental, econômico, educacional, laboral, ambiental e de relações em geral (sua Teia do Destino). O estudo da Lei de Consequência nos mostra que não há espaço para a infantil idéia sobre graça ou desgraça na vida, distribuídos gratuitamente pelo Plano Divino, mas sim, resultado de ações passadas que determinam as condições presentes e ações presentes que determinarão o futuro.

A força que busca harmonizar a natureza é manifestada em nossas vidas como: positiva ou credora (ex: dar e receber) e como negativa ou devedora (ex: pecado e doença). A condição presente de evolução do ser humano revela que a maior parte de suas ações ainda está presa às forças do seu eu inferior (composto pelo seu veículo Mente que está atrelada à parte inferior do Corpo de Desejos). Assim, poucos são os trabalhos realizados diretamente pela vontade do Ego, os quais deveriam ser à base de todas as suas ações. Essa condição faz com que colecione muito mais dívidas do que créditos.

A menos que aprendamos a não mais gerar desequilíbrios negativos e assumamos a responsabilidade das ações desarmônicas do passado, jamais ficaremos livres dos efeitos de cativeiro da Lei de Consequência. Parar de gerar esses desequilíbrios significa decidirmos entrar de vez no processo de autoconhecimento das ciladas da personalidade (eu inferior) e, haja o que houver encontrar meios de cada vez mais concretizar a vontade do Ego.

A compreensão gradativa sobre os efeitos da Lei de Consequência permite ao aspirante tomar consciência do emaranhado de linhas que limitam suas ações presentes. Neste ponto, despertará a possibilidade de sofrer uma tentação básica que é importante ao seu desenvolvimento espiritual, que normalmente, produz dois tipos de reações: a de acreditar estar sendo vítima de forças que o limitam injustamente; ou de incorporar em si a atitude de que os efeitos limitantes atuais são frutos das desarmonias geradas no passado. A primeira atitude o leva a tomar a decisão dissimulada de fuga, o que contribui para que seu desenvolvimento volitivo** praticamente cesse. Já a segunda atitude, possibilitará ao aspirante assumir a responsabilidade de viver suas limitações justas e poderá garantir o surgimento de novas situações futuras harmônicas ou em sintonia com a natureza.

Como nos advertiu Max Heindel: “Apesar de procurarmos a luz sob o estudo das Leis que regem nossas vidas, não devemos ter a idéia equivocada de que tudo que nos acontece é a conseqüência de alguma causa ou ação passada, geralmente numa existência prévia. Além do destino trazido por nós de outras vidas para redimi-lo nesta existência, estamos todos os dias exercendo uma influência causal com nossos atos. (...) Não obstante, nas ações há uma larga margem de livre-arbítrio, que dá lugar ao exercício da Epigênese (ação original), a divina atividade criadora que á base da evolução” (Livro Carta aos Estudantes, Carta no 84).  

Sabemos que as provas não têm o papel único de ajustar os desequilíbrios que geramos no passado, mas também são importantes para que ocorra o desenvolvimento da moral e da força interior espiritual, assim também como o exercício físico e o trabalho desenvolvem a saúde, os músculos e a força do Corpo Físico. O problema é que a maior parte das pessoas se acovarda neste ponto crucial no caminho inicial da santidade.

Esquecendo do funcionamento da Lei de Consequência e respondendo ao seu eu inferior, o aspirante pode exortar as mesmas palavras e sentimentos que a mulher de Jó teve quando viu que seu marido sem nada e acometido por grande enfermidade: “Ainda reténs a tua sinceridade (na Lei de Deus)? Amaldiçoa a Deus, e morre” (Jó, 2: 9). No entanto, aquele que de fato compreendeu o significado da Lei de Consequência, não responderá a esse impulso expressado pela esposa de Jó, mas firmemente exortará: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR” (Jó, 1: 21).

Outro maravilhoso exemplo de como devemos encarar nossas responsabilidades com a Lei de Consequência sem cairmos na armadilha da fraqueza da carne, é dado por Paulo (II Epístola aos Coríntios, 6:4-10):

 

“Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo”.

Graça para lidarmos com a Lei de Consequência

No final de cada vida, uma grande ajuda nos é dada para evitarmos gerar desequilíbrios negativos futuros e vivermos como ministros de Deus. Como é sabido, atualmente somos o produto final no melhor que conseguimos alcançar na realização espiritual. Todos os erros cometidos foram expurgados em cada vida purgatorial passada. Assim, em cada morte, dissipamos todo o mal que causamos pertencente aquela vida. Mas tal processo de dissipação é extremamente doloroso. O resultado deste doloroso processo será uma presente emoção de repulsão, bem como um discernimento incorporado no Ego, que servirá de guia no futuro quando o mesmo entrar em contato com uma determinada idéia, situação, pensamento ou objeto. Este guia o acompanhará para todo o sempre em sua memória supra-consciente, revelando para ele se aquilo que contatou é ruim ou bom.

Entretanto, é importante compreendermos que a mencionada consciência constitui uma preciosa dádiva Divina, pois o Ego jamais foi capaz de adquirir essa consciência por esforço próprio. Ele não expressou ações retas sobre determinado assunto que costumava tentá-lo em prévias encarnações (única maneira de poderes latentes se tornarem dinâmicos). Em outras palavras, ele desenvolveu sua consciência moral pela purgação nos planos internos. Assim, ele deverá ser tentado a cometer os mesmos erros do passado, MAS com a dádiva gratuita de estar armado moralmente para superar suas provas. Cabe a cada um identificar essa dádiva e utilizar seus talentos para ouvir a voz silenciosa da consciência que impulsiona em nossos corações.

A vantagem de conhecermos uma escola de pensamento de filosofia cristã ocidental, como a Fraternidade Rosacruz, é que é fornecido ao aspirante, ferramentas para que possa produzir e reforçar ainda mais a mencionada consciência moral durante a vida objetiva, antes da chegada da morte e do purgatório. Isso é feito pelo exercício de retrospecção (Veja mais detalhes na conferencia XI do Livro Cristianismo Rosacruz, Max Heindel).

 

Considerações importantes e práticas sobre como nos beneficiar com o conhecimento da Lei de Consequência.

Os Anjos do Destino trabalham diretamente com a Lei de Consequência. Em cada nova encarnação, os arquivos registrados em cada átomo semente são lidos por estes Seres que cuidam para estabelecer as condições e o momento adequado para que o Ego reencarne na Terra, com exatamente o que necessita para seu desenvolvimento. Estes mesmos exaltados seres também forneceram a Bíblia ao Mundo Ocidental e sabemos que ao procurarmos a Luz, é possível encontrá-la na Bíblia. Conforme já ilustrado em dois exemplos pelo presente artigo (Jó e Paulo), a compreensão dos conteúdos da Bíblia constitui o bálsamo que nos indica como suportar os efeitos do mal praticado no passado, sem gerar mais desequilíbrios para o futuro. Nada na natureza é maléfico ou vingativo. Assim, há muitas maneiras da harmonia ser estabelecida, sem que para isso tenhamos que pagar do pior modo possível as nossas faltas.

Mas para modificarmos o curso natural de pagamento de dívidas passadas, é preciso muito esforço de prática da doutrina do arrependimento e perdão dos pecados, fornecida no Ministério de Cristo. Esse é um grande conforto e um precioso convite para trabalharmos no sentido de compreendermos a Luz que está na Bíblia e, pela expressão na vida diária dessa luz, tornar possível disparar novas reações benéficas na natureza para modificação nossa condição de devedores.

Ao aprendermos o mecanismo de como a Lei de Consequência opera, raramente iniciamos uma vida pura e de altruísmo. Mas mudamos nossas vidas pelo medo de gerar novos pecados, sofrimentos, limitações e corpo de morte. Aqueles que já percorrem pouco do caminho da Senda Preparatória (Veja mais sobre a Senda da Preparação na Conferencia XI do Livro Cristianismo Rosacruz de Max Heindel) sabem que tal atitude está longe de ser uma consagração de uma vida altruísta que garante o disparo das forças benéficas da Lei de Consequência. Isso porque os pré-conceitos não conscientes estão fundamentados na forte tendência de egoísmo, de medo e de astúcia que direcionam ou determinam nossa capacidade de praticar esses ensinamentos.

O que de fato a Lei de Consequência computa é: o resultado das ações que são os produtos da guerra entre as forças espiritual (vontade do Ego) e corporal (vontade do eu inferior) e a classificação moral e pessoal de todas as ações resultantes desta guerra. Pois é esse extrato dos acontecimentos que formam a voz interior ou poderes anímicos que as pessoas acumulam em cada vida. Esse é o motivo pelo qual devemos, durante o exercício de retrospecção, examinar se transmitimos o real significado daquilo que tentamos transmitir (seja em palavras ou ações) para nossos ouvintes-observadores. Quanto mais próxima for à ação da intenção (vontade do Ego) da ação, mais congruentes e usufruidores da Lei de Consequência seremos.

O aspirante deve redobrar sua observação para com suas tendências enviesadas, pois uma atitude aparentemente santa pode ter uma base fortemente egoísta, e essa sutileza é pouco percebida pela maior parte das pessoas. Por exemplo, o sentimento de alívio quando se deixa de pecar ou cometer erros pode ser fruto de um egoísmo disfarçado de bondade. O aparente auxílio alheio também pode estar fundamentado na vontade de escapar da própria consciência que nos “aponta um dedo invisível” caso não o façamos. No fundo, essas ações não estavam direcionadas para o próximo, mas para nós mesmos, que não desejamos sofrer o fogo quente da consciência que queima sem a presença de chamas. A garantia de um futuro glorioso não pode ser fruto de ações justificadas, mas de uma vida de consagração. O jovem rico que se aproximou de Cristo Jesus lhe mostrou que guardava todos os mandamentos. Mas quando o Mestre o convidou para consagrar sua vida, deixando toda sua fortuna, não foi capaz de fazê-lo.

A Fraternidade Rosacruz que é uma Escola Cristã de Pensamentos da Sabedoria Ocidental também promulga a Epigênese, que é exatamente a capacidade que todo ser humano possui de responder de modo original às situações presentes, determinadas no passado pela Lei de Consequência. Jó, quando perdeu tudo o que tinha, quando sua honra desvaneceu e grave enfermidade acometeu sua carne, foi capaz de dar uma resposta NOVA que lhe garantiu a salvação. Já sua esposa, respondeu como a maioria das pessoas normalmente responderia, amaldiçoando a Deus e implorando para que Jó morresse.

O Estudo da Lei de Consequência pode gerar a idéia equivocada de que estamos presos às ações negativas do passado. Apesar de sua influência, devemos enfatizar a Lei da Epigênese. Se nos esforçarmos inteligentemente em considerar os problemas da vida, aprendendo pela observação das ações dos que nos rodeiam assim como as nossas próprias experiências, encontraremos oportunidades para exercer iniciativas que se abrem ante nós, como nunca poderíamos julgar possível se considerarmos apenas a Lei de Consequência. Esse é o modo pelo qual o aspirante que venceu o teste acima mencionado passa a viver cotidianamente.

Tenhamos sempre em mente a larga margem de livre arbítrio mencionado por Max Heindel, a fidelidade de Jó, os ensinamentos vivos de Paulo aos Coríntios e a voz silenciosa que nos dita qual caminho devemos seguir frente a uma situação, para que possamos por em movimento novas causas que garantirão destinos futuros mais santos e propícios para a união com nosso Cristo interno, o Casamento Místico.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

 

*Homeostase (ou Homeostasia) é a propriedade de um sistema aberto, seres vivos especialmente, de regular o seu ambiente interno para manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico controlados por mecanismos de regulação interrelacionados.

** Ação volitiva: Atividade consciente que visa a um determinado fim manifestada por intenção e decisão.

 

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz