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Conceito de Liderança na Fraternidade Rosacruz: servo de todos

Conceito de Liderança na Fraternidade Rosacruz: servo de todos

O método Rosacruz de desenvolvimento evidencia-se de todos aqueles propugnados pelas demais Escolas filosóficas, em um aspecto primordial: liberta o estudante de toda influência externa. Embora seus membros constituam uma comunidade trabalhando em conjunto por um ideal comum, reconhecem que não há dois indivíduos iguais, e, por conseguinte, o trabalho evolutivo processa-se individualmente.

A própria Iniciação, tão apregoada por outras Escolas, e o que é pior, erroneamente conceituada por muitos como sendo uma mera cerimônia externa, oficializando a admissão de um novo membro, mediante certo preço, é encarada de um modo diametralmente oposto pelas verdadeiras Irmandades Ocultas. Nestas, o requisito indispensável e essencial à Iniciação é o desenvolvimento interno obtido por meio de esforços persistentes. Cada passo dado pelo estudante, mediante suas próprias forças, representa uma conquista inalienável. Ninguém evolui senão pelo próprio denodo. O crescimento espiritual processa-se de dentro para fora, pela "edificação do Templo sem ruídos de martelo", e qualquer ensino ministrado fora desses princípios proporcionará um pseudodesenvolvimento.

Sujeitar-se incondicionalmente a alguém visando o crescimento anímico é dar um passo assaz temerário, via de regra findando em desilusão. Isto tem sido comprovado frequentemente, o que fundamenta nossa afirmação no sentido de que cada um deve construir o seu próprio alicerce espiritual.

Como fator que ratifica a emancipação de seus estudantes surge o fato de que na Fraternidade tudo é feito espontaneamente, com isenção absoluta de coação. Roga-se apenas que sejam respeitados os regulamentos. Todos os trabalhos executados bem como os donativos ofertados, o são voluntariamente, sem qualquer ação coercitiva. Certas atividades inclusive são até deficitárias, sendo mantidas com certo sacrifício para que os estudantes encontrem meios que concorram para o seu desenvolvimento. O próprio Max Heindel mantinha-se dentro de um caráter de espontaneidade, sendo contrário a tudo que parecesse padronização rígida, a fim de que tal não viesse limitar as atividades individuais. A consciência de cada um deve determinar como contribuir.

Eis, portanto, porque a Fraternidade Rosacruz não incentiva a formação de líderes em seu próprio meio. A liderança pode anular o caráter de espontaneidade que se evidencia numa Obra. Mas, dos males advindo este seria o menor. O mais grave é a sujeição da maior parte a uma minoria ou a um só indivíduo, no que concerne ao lado puramente espiritual. Isso pode ser constatado em algumas organizações, onde o líder inculca suas ideias em estudantes que a ele se subordinam cegamente, num flagrante desrespeito ao seu livre arbítrio. O líder debilita e restringe a ação e o desenvolvimento dos demais, cujas energias aplicam a seu bel prazer.

Líder no sentido comum da palavra é aquele que mercê de algumas qualidades o destacam na comunidade, coloca-se em posição de abjeta ascendência sobre os demais, agrilhoando-lhes a consciência, não raro chegando mesmo à prepotência.

Líder à luz dos mais elevados ensinamentos espirituais, embora num sentido teórico, é aquele que tendo avançado mais do que os outros, emprega seus talentos única e exclusivamente com o propósito de servi-los, jamais tolhendo-lhes a liberdade, e permanecendo, às vezes, quase que no anonimato. Seu caráter, seu trabalho, seu entusiasmo pelo ideal evidenciam-no como um exemplo a ser seguido.

Então, através desse prisma, o líder é o servo de todos!

(Revista Serviço Rosacruz – 08/67 – Fraternidade Rosacruz – SP)