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Personalidade e Individualidade: o que é e o que você deve fazer com cada uma

Personalidade e Individualidade: o que é e o que você deve fazer com cada uma

Não há outro inimigo, senão nós mesmos. Enquanto houver dentro de nós um resquício se quer de personalidade, haverá separação.

Na Fraternidade Rosacruz distinguimos nitidamente entre personalidade e individualidade. Personalidade é a "persona", esse conjunto enganoso, provisório em constante mudança, formado pelas nossas sensações, emoções, sentimentos e modo de pensar. São os laços de sangue, os elos do mundo, mais fortes que algemas de aço; as tradições, tudo isso a que Cristo simbolicamente chamava "do reino dos mortos". O mundo, a família, os bens, tudo são meios de aprendizagem indispensáveis ao espírito, no presente estado evolutivo. Mas há o perigo de nos identificarmos com eles, de pensar que nos pertence e que lhes pertencemos, olvidando nossa origem celestial, nossa condição de espírito livre, em peregrinação e aprendizagem.

"Aquele que quiser ser meu discípulo, deve abandonar pai, mãe, irmãos, amigos, tudo" (Lc 14; 11), disse o Cristo. Com isso não queria significar que devemos desleixar nossos deveres de pais, filhos, irmãos e amigos cristãos. Ao contrário, o verdadeiro cristão é um excelente marido e esposa, pai e mãe, irmão e amigo, porque dá a sua afeição e trabalho o mais puro pensamento, sentimento e esforço. Dá e não espera receber; ama e não espera ser amado; compreende e não espera ser compreendido. As ingratidões não lhe suscitam ressentimentos, senão o cuidado de verificar se não contribuiu para isso. Busca amorosa tentativa de reconciliação, ora e espera pelo teimoso e rancoroso.

Ser cristão é exemplificar AMOR, em seu lato sentido. É deixar que o Cristo, em si, fale, viva, ame, dê-se.
Individualidade é a expressão do EU real, verdadeiro e superior, comandando os valores físicos, morais e mentais, como instrumentos de ação.

A personalidade é a expressão do ser humano, de baixo para cima, o indivíduo invertido, os valores instintivos colorindo desordenadamente seu modo de ser; é o amordaçamento do espírito e seu condicionamento às conveniências instintivas. É um pentagrama com a ponta para baixo.

A individualidade não prescinde da bagagem de experiências anímicas; ao contrário, vale-se dela de um modo próprio, original, epigenético, criador. Mas o espírito é quem manda e orienta. Como disse São Paulo em Gl 2; 20: "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim"; e o próprio Cristo Jesus: "Eu e o Pai somos um" (Joa 10; 30).

É certo que essa condição vai sendo atingida, gradativamente, numa luta constante entre a natureza inferior e superior, entre as trevas e a luz dentro de nós. Por isso a lenda dos Maniqueus, referindo-se intimamente ao ser humano e ao mundo também, fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz. Estes acabam vencendo aqueles, mas, sendo bons, não podem exterminá-los. Incorporam, pois, o reino das Trevas ao da Luz, ou seja, efetuam a transmutação dos valores inferiores em valores espirituais. O mesmo diziam os medievais alquimistas, quando falavam de transformar os metais inferiores em ouro. Também entre os manuscritos encontrados no soterrado mosteiro dos Essênios, em Qumran, as margens do Mar Morto, há um que fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz.

Goethe, o grande iniciado autor de "Fausto", escreveu, pela boca de um de seus personagens: "Duas almas, ai! Lutam dentro de meu peito, pela posse de um reino indivisível; uma buscando alçar-se aos céus em ilibados anseios, enquanto a outra se agarra a Terra, em passionais desejos". Na Epístola de São Paulo aos Romanos cap. 7; 19, igualmente, dizia: "Porque não faço o bem que quero; mas o mal que não quero, esse faço".

Tudo isto mostra, de sobejo, o que todas as escolas e ordens ocultistas ensinam.

Todo Aspirante sincero à espiritualidade "ora e vigia", mormente quando se acha a frente de um movimento espiritualista e deve viver o que ensina. Ao mesmo tempo, o claro entendimento dessa luta em cada um, fá-lo rigoroso consigo mesmo e tolerante com os demais, de modo a unir e não desunir, a estimular e não criticar, enfim, "a buscar a divina essência que existe em cada um", o que constitui a base da fraternidade que almejamos formar como precursores da Era Aquariana.

(Revista Serviço Rosacruz – 07/65 – Fraternidade Rosacruz –SP)