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Uma história de como aprendemos a entender o que é pensar e expressar na Região Química do Mundo Físico

Uma história de como aprendemos a entender o que é pensar e expressar na Região Química do Mundo Físico

 

Havia um tempo em que não conseguíamos expressar nossos pensamentos. Éramos autômatos; guiados em tudo.

Criávamos somente nosso próprio Corpo Denso (o corpo físico) e ainda de maneira inconsciente.

Não conseguíamos criar nem no Mundo do Desejo, nem no Mundo do Pensamento.

Para podermos criar nesses dois Mundos também, além de criar de maneira consciente no Mundo Físico, houve a necessidade de algumas alterações na nossa constituição.

A primeira alteração se deu no nosso Corpo de Desejos, o veículo que utilizamos para ter desejos, aspirações e emoções.

Estávamos a milhares de anos atrás, em meados de uma época que ficou conhecida como Época Lemúrica, a terceira Época desse grande Período, conhecido como Período Terrestre.

Nesta Época a parte mais avançada de nossa humanidade experimentou uma divisão em duas partes no Corpo de Desejos: a superior e a inferior. O restante da humanidade sofreu divisão semelhante um pouco mais tarde, na primeira parte da quarta Época, conhecida como Época Atlante.

A parte superior do Corpo de Desejos construiu o Sistema Nervoso Cérebro-Espinhal e os músculos voluntários. Com isso essa parte do Corpo de Desejos dominou a parte inferior do Tríplice Corpo, ou seja: a parte inferior do Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso.

A segunda alteração dependemos da ajuda de uma classe de seres bem mais evoluídos do que nós, especialistas em matéria mental; seu nome: Senhores da Mente.

Foram, então, os Senhores da Mente que nos deram o germe (que se tornou, depois, o Átomo-semente) do nosso veículo Mente. Depois de feito isso, eles impregnaram a parte superior do Corpo de Desejos e da Mente com o sentimento da personalidade individual, separada.

É esse sentimento que nos capacita, hoje, de saber, ou ainda, de ter consciência de que “eu sou eu; você é você”; de que cada um de nós é um indivíduo.

Com a Mente ganhamos o “elo” que nos faltava para ligar o Tríplice Espírito (nossos veículos: Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino) ao correspondente Tríplice Corpo (Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso). Portanto, a Mente é o foco onde o Tríplice Espírito, a individualidade, reflete no Tríplice Corpo, a personalidade.

Essa ligação marca o nascimento do indivíduo, do ser humano, do Ego, quando tomamos, de fato, a posse de todos os nossos veículos.

Entretanto, isso não foi suficiente para nos tornar conscientes desse Mundo Físico; nem para nos tornar um “pensador”, nos moldes como somos hoje, aqui se expressando nesse Mundo.

A terceira alteração necessária para tornar isso possível foi a construção do cérebro, destinado a ser o instrumento da Mente no Mundo Físico, e da laringe, destinada a ser o órgão que, em conjunto, permite-nos expressar através da fala nesse Mundo.

Note uma coisa muito importante: a necessidade de se ter um instrumento formou o cérebro; porém o pensamento existiu muito antes da formação desse órgão!

Para isso foi necessário nos separar em sexos. Isso é bem descrito na Bíblia (Gn 2; 21-25), com a “criação de Eva”.

Precisávamos nos expressar no Mundo Físico e criar nele. Para isso precisávamos construir “órgãos criadores”. Esses órgãos são: o cérebro e a laringe. Por serem criadores, eles deviam ser criados e mantidos pela única força criadora que temos, como filhos de Deus: a força sexual.

Antes da necessidade de criação desses órgãos, essa força era utilizada só para criar outro corpo físico, de maneira inconsciente; ou seja: só para a propagação. O excesso era irradiado. O ser humano era hermafrodita; capaz de criar outro corpo físico sem intervenção de outra pessoa.

Foi então necessário utilizar metade dessa força para a construção desses órgãos. Conforme corpo físico foi se verticalizando – para receber a força vital do Sol e, depois a partir do centro da Terra – parte dessa força foi se dirigindo para cima. Com isso obtivemos material para construir o cérebro e a laringe, o meio para podermos pensar e nos comunicar com os demais seres humanos, enquanto encarnados no Mundo Físico.

A outra metade dessa força continuou sendo dirigida para baixo, para a propagação. Ou seja, como só metade dessa força passou a ser destinada para criação de outro corpo físico, cada um de nós teve que procurar a cooperação de outro ser (do sexo oposto a nós, nessa encarnação) que possuísse a outra metade complementar. Expressamos somente metade dessa força criadora quando estamos encarnados: como ser masculino, homem, expressamos mais a vontade, que é uma força masculina, ligada ao Sol; como ser feminino, mulher, expressamos mais a imaginação, que é uma força feminina, ligada à Lua.

É importante salientar que sexo tem a haver com a expressão do Corpo Denso. Nós, o Ego (o Espírito Virginal manifestado), somos bissexuais.

Em cada renascimento expressamos ou o polo feminino ou o polo masculino, com um único objetivo: melhor aprender as lições a que estamos destinados.

Perceba que quando toda a força sexual criadora era utilizada para a propagação nada realizávamos no sentido do próprio crescimento anímico, crescimento espiritual, enquanto encarnados. Ora, o baluarte da evolução é aqui, no Mundo Físico! Então, tínhamos que começar a evoluir, espiritualmente, a partir daqui, encarnados aqui!

Após essa separação e consequente construção do cérebro e da laringe, pudemos utilizar o restante da força sexual criadora não empregada na propagação como força para o nosso crescimento anímico.

O cérebro físico é o órgão que liga o Espírito à Região Química do Mundo Físico.

É através dele que podemos saber qualquer coisa sobre a Região Química do Mundo Físico.

Já os outros órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) levam os impactos exteriores até o cérebro. Este os interpreta e coordena estas impressões, respondendo-as através de movimentos, observações ou memorização.

Entretanto, não pensemos que uma vez feita essas alterações nos tornamos conscientes, pensantes, tal como hoje, no estado atual de nossa evolução.

Para alcançar esse estado tivemos que percorrer um longo e pesado caminho.

Ainda no final da terceira Época, a Época Lemúrica, começamos a expressar algum som pela laringe. Esses sons eram baseados nos sons da natureza: o murmúrio dos ventos; o barulho das tempestades; o ruído dos rios, etc.

A linguagem era considerada santa. Através dela tínhamos poder sobre os animais e sobre a natureza.

Entretanto, ainda éramos guiados em tudo: os Anjos nos guiavam em tudo que se relacionava com a propagação da raça. Uma outra Hierarquia, conhecida como Senhores de Vênus, guiava a nossa evolução com o objetivo de conseguirmos manifestar a vontade e a razão.

Os seres humanos, quando encarnados como seres masculinos, eram ensinados a como desenvolver a imaginação.

Os métodos utilizados chegavam a ser cruéis. Entretanto não tínhamos memória. Uma vez passada a experiência, esquecíamos dela imediatamente.

Aos poucos, essas experiências foram imprimindo no cérebro impactos violentos e repetidos. Com isso uma memória germinal foi sendo desenvolvida.

Entretanto, por sermos guiados em tudo, éramos inocentes e, por conseguinte, ignorantes.

O resultado das experiências proporcionadas pelos métodos empregados nos deram a primeira ideia do bem e do mal. Já a iniciação daquela época era voltada para o desenvolvimento do poder da vontade e da imaginação.

Como já dissemos os seres femininos eram treinados para desenvolver a imaginação.

Eles começaram, através dessa imaginação, perceber que os seres masculinos perdiam seus corpos muito frequentemente. Isso por causa dos métodos empregados para desenvolver a força da vontade.

Entretanto, devido a imperfeita percepção do Mundo Físico, esses seres femininos não conseguiam revelar aos seres masculinos, o que estava acontecendo. Foi aí que apareceram os seres que procuraram esclarecer o que acontecia. Seus nomes: Espíritos Lucíferos.

Esses seres entraram através da coluna espinhal serpentina dos seres femininos. Devido a consciência voltada para o interior e porque esses seres tinham entrado através da coluna espinhal serpentina, os seres femininos os viram como serpentes. Isso é descrito na Bíblia em Gênesis, Cap. 3, Vers. 1-13. Os seres femininos aceitaram essa sugestão. Então, os Espíritos Lucíferos “abriram-lhe os olhos”, fizeram-nos cientes dos corpos físicos, seus e dos seres masculinos.

Os seres femininos ajudaram os seres masculinos a “abrir os seus olhos” também.

Assim, ambos voltaram sua consciência para o Mundo Físico. Aprenderam "o bem e o mal", a como propagar a espécie. Entretanto, devida a sua ignorância abusarem da força sexual empregando-a para gratificação dos sentidos.

Aos poucos a consciência foi enfocada para o Mundo Físico. Com isso conheceu a morte, a dor e o sofrimento.

“Se o ser humano continuasse sendo um autômato guiado por Deus, não teria conhecido, até hoje, nem a enfermidade, nem a dor, nem a morte, mas também não teria obtido a consciência cerebral e a independência resultante da iluminação proporcionada pelos Espíritos Lucíferos, os ‘dadores da luz’. Eles abriram o entendimento e ensinaram a empregar a obscura visão para obter conhecimento do Mundo Físico”. Essa é a história da queda (“Queda do Homem”). Através dela, o ser humano tomou as rédeas da sua evolução. Conhecendo o bem e o mal, o certo e o errado, e tendo a liberdade de agir, pode cultivar a virtude e a sabedoria que nada mais é do que o conhecimento temperado com amor.

Perceba que com essa “queda” conseguimos utilizar aquele sentimento que os Senhores da Mente impregnaram a parte superior dos nossos Corpo de Desejos – com a ajuda dos Senhores da Individualidade – e das Mentes e que nos dão a noção de indivíduo. Porque foi com a “queda” que começamos a sentir que somos individuais.

Existe um ponto no corpo físico (o Corpo Denso) colocado na “raiz do nariz”, a meia polegada abaixo da pele. É o assento do Espírito Divino. Há um correspondente desse ponto no Corpo Vital. Até antes da “queda” esses dois pontos não estavam concêntricos, ou seja, estavam distantes um do outro. Isso propagava uma percepção mais nítida dos mundos internos (Região Etérica do Mundo Físico, Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento) e bem menos nítida do Mundo Físico. Aos poucos, a distância entre esses dois pontos foi diminuindo.

Finalmente, no último terço da quarta Época (na terminologia Rosacruz: Época Atlante. Para nossa referência, estamos na quinta Época, a Época Ária) o ponto do Corpo Vital uniu-se ao ponto correspondente do Corpo Denso. Desde esse momento obtivemos a plena visão e percepção do Mundo Físico. A partir daí começamos a aprender como utilizar o pensamento.

Como somos imperfeitos, muito sofremos, não só pelo mal uso do pensamento, mas também pela criação de coisas não boas. Quando falamos em criação, falamos em: pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras e atos.

Inicialmente começamos desenvolvendo os sentimentos mentais como a alegria, a tristeza, a simpatia, etc..., com esses sentimentos formamos uma incipiente memória. Essa nos proporcionou a disposição para uma rudimentar linguagem, criamos algumas palavras, demos nomes às coisas.

Com o desenvolvimento da memória, tornamo-nos ambiciosos, pois começamos a nos lembrar das nossas obras, e compará-las com as de outrem.

Enaltecemos as pessoas de tinham alcançado algum mérito. Esse foi o princípio da adoração.

Derivo a isso tudo, fomos dando importância a aquisição da experiência.

A qualquer situação, procurávamos experiências análogas anteriores como base. Se não encontrássemos, experimentávamos. Com o desenvolvimento da adoração e a valorização da experiência, criamos o costume de honrar as pessoas em atenção às proezas de seus antecessores.

Pelo mau uso do pensamento, criamos a astúcia, esse terrível vício de querer sempre levar vantagem sobre o nosso próximo.

Junto a ela veio o egoísmo, esse terrível vício de querer tomar posse de tudo que desejamos.

Esses sentimentos negativos foram crescendo e usamos tudo que podíamos para gratificar a nossa vaidade e a nossa ostentação externa.

Aos poucos utilizamos a mente para controlar os nossos desejos. Fomos aprendendo a refrear as nossas paixões.

Mais tarde fomos tomando consciência do livre arbítrio, ou seja, a capacidade de fazer o que quisermos, mas também de responder por isso, por meio da Lei de Consequência.

Em paralelo a esse nosso desenvolvimento foram criadas condições para que enfocássemos nossa atenção aqui no Mundo Físico: as condições atmosféricas foram alteradas com a alternância das estações; a nossa alimentação foi sendo acrescida de alimentos que endurecessem nosso Corpo Denso; a mescla de sangue com casamentos entre indivíduos de raças diferentes; dentre outros.

Voltando a nossa atenção para o Mundo Denso, começamos a aperfeiçoar o nosso pensamento e a nossa razão, como resultado do nosso trabalho sobre a Mente.

Transformamos o Planeta Terra num verdadeiro jardim com todas as facilidades para ser habitado e funcionar num Corpo Denso. Manipulamos os minerais com grande destreza, fazendo com eles: móveis, ferramentas, carros, alimentos, etc.

Perceba que só podemos exercitar nosso poder mental nos minerais sólidos, líquidos e gasosos, manipulando-os por causa do estágio que se encontra a nossa Mente: o primeiro estágio, ou mineral.

Transformando o nosso Planeta em uma boa morada, conquistamos o Mundo Físico, mais precisamente: a Região Química do Mundo Físico. Com isso ganhamos mais conhecimento. E como o fizemos? Através do pensamento.

Sabemos que temos um Corpo Denso, formado de matéria química; um Corpo Vital, formado de Éter, ambos matéria do Mundo Físico; um Corpo de Desejos, formado de matéria do Mundo do Desejo; e uma Mente, formada, em sua maciça maioria, de matéria da Região Concreta do Mundo do Pensamento.

Portanto, carregamos conosco matéria de cada um desses Mundos. Podemos manipulá-las, colori-las, utilizá-las.

Como Espírito Virginal da onda de vida humana que somos, ou Egos – que é o Espírito Virginal da onda de vida humana envolto no Tríplice véu: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano – funcionamos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento.

Dessa Região é que observamos o “mundo exterior” – a Região Química do Mundo Físico – que, através dos sentidos, produz impressões sobre o nosso Corpo Vital. Essas impressões produzem sentimentos, emoções e desejos no nosso Corpo de Desejos. Essas impressões são levadas, também, através dos nossos sentidos até o nosso cérebro. Daí essas impressões se refletem na nossa Mente.

Então, manipulamos com o material da Região do Pensamento Abstrato, tendo como base a reflexão dessas impressões: criamos a ideia.

Essa ideia é projetada, através da nossa força de vontade, na Mente.

Manipulamos, através da Mente, a matéria da Região do Pensamento Concreto e revestimos a ideia com tal matéria. A ideia transforma-se em pensamento-forma.

A Mente pode projetar, então, esse pensamento-forma em três direções, a saber: no nosso Corpo de Desejos, no nosso Corpo Vital ou projetar sobre a Mente de outra pessoa.

Se for sobre o nosso Corpo de Desejos pode, ainda, ser envolvida por matéria de desejos, emoções e sentimentos; depois atuar na parte etérica do cérebro e, daí, até os centros cerebrais do cérebro físico que movimentará os músculos para a ação executando alguma coisa na Região Química do Mundo Físico.

Pode ainda não resultar em ação e ficar arquivada, por falta de vontade nossa.

Se for sobre o Corpo Vital, não provocará uma ação imediata. Ficará na memória para uso posterior.

Por fim, projetado sobre a Mente de outra pessoa, pode atuar como sugestão, como na telepatia, ou como meio de ação, como na hipnose.

Com isso concluímos que os pensamentos são gerados no Mundo do Pensamento. E que no Mundo Físico aprendemos como usá-los de maneira correta.

É o nosso principal poder e devemos aprender a mantê-lo sob o nosso absoluto domínio, de modo a não produzir ilusões induzidas pelas circunstâncias exteriores, mas sim verdadeiras ideias geradas pelo Espírito, por nós.

O exercício de Concentração, que deve ser realizado de manhã assim que despertamos, tem esse objetivo.

Não desperdicemos nossos pensamentos em matérias de nenhuma importância que nos envolve em ambientes de tédio e de medo.

Tenhamos sempre nossos pensamentos voltados para Deus. Com isso fica muito mais fácil dominá-los, quando são transformados em pensamentos-formas.

Os maus pensamentos só destroem e paralisa qualquer eventual ação.

Dominando nossos pensamentos, poderemos dirigi-los para onde quisermos.

Aos poucos não precisaremos experimentar, no Mundo Físico, o que criamos no Mundo do Pensamento.

Com o desenvolvimento da nossa Mente poderemos imaginar formas que viverão, crescerão e pensarão.

A nossa laringe falará a palavra criadora, pois se tornará espiritualizada e perfeita. Teremos, então, contato direto com a sabedoria da natureza.

E nos tornaremos um criador de verdade, colaborador mais ativo no plano de Deus.

Que as rosas floresçam em vossa cruz