cabeçalho4.fw

Os Reis Magos

OS REIS MAGOS

 

Se nos limitamos a interpretar as Sagradas Escrituras simplesmente pela “letra que mata” e não pelo “Espírito que vivifica”, como nos aconselha o apóstolo São Paulo, pouco dela poderemos aprender. O buscador da verdade, isto é, aquele que anseia superar-se para ser mais útil à humanidade a que pertence, será, certamente, iluminado ajudando na interpretação das escrituras.

Acerca dos três Reis Magos, se nos detemos em meditação, podemos estabelecer formosa analogia entre eles e o próprio ser humano. Observe-se que não dizemos aqui Reis da Ásia, da Arábia e do Egito, nem de qualquer outro ponto determinado da Terra. São Magos do Oriente.

Se recordamos o que escreveu Max Heindel, no tocante da direção aparente do Sol em relação à Terra e do sentido da evolução espiritual; que o Sol vem do Leste para Oeste e por analogia os Reis Magos vieram do Oriente, assentamos a base de nossa meditação.

Os três Reis Magos eram: um de cor branca, outro de cor amarela e outro de cor negra. Conhecemos a interpretação segundo a qual os Magos representam as três raças predominantes ao tempo de Jesus. Este trazia a missão de unificação das raças, ou seja, da humanidade inteira, isto é, a substituição do Espírito de Raça pelo Espírito Unificador de Cristo – a encarnação do Amor.

Porém, cada verdade pode ter, no mínimo, sete interpretações verdadeiras. Quando nos propomos interpretar a Deus, segundo os ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por intermédio de Max Heindel recebemos dos Irmãos Maiores, aprendemos que o Ser Supremo mencionado nos é apresentado com os atributos de: Poder, Verbo e Movimento. Não são três Seres, senão Três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Ação. À semelhança de Deus, nosso Criador, o ser humano criado a sua imagem e semelhança têm três atributos, emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nosso Ego. Mas este Ego se manifesta através do ser humano que também é tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três pessoas, senão três manifestações de uma só Pessoa. Se faltasse uma destas três manifestações o ser humano não poderia evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.

Então, os três Reis Magos podem representar a Pessoa em estado superior que reverencia seu Ego ou Eu Superior. MELCHIOR, da raça branca, símbolo da Unidade do Pai, representa a Consciência; GASPAR, da raça amarela, cor do Filho, é a segunda manifestação: Vida (Cristo interno ou Filho do Homem) e BALTAZAR, da raça negra, é a terceira manifestação: a Forma (Espírito Santo). Não meditemos que o negro seja inferior ao branco. Meditemos que o movimento, terceiro atributo do Todo Poderoso, é denso, negro, matéria, forma, etc. É consequência do PODER, primeiro atributo. Nenhum, isoladamente, é superior ou inferior, senão que todos são manifestações do TODO, que é Uno.

Melchior, Gaspar e Baltazar (Consciência, Vida e Forma, TRÊS atributos em UM), ofereceram ao recém-nascido o melhor que tinham Ouro, Incenso e Mirra (Espírito, Corpo e Alma).

Seguindo o exemplo deles, devemos, como ser humano, não apenas oferecer, senão dar em pensamentos, sentimentos e atos ao Cristo Interno que nasce dentro de nós, a Consciência, a Vida e nosso Corpo, de modo a identificarmos como filhos de Deus, um Templo do Deus vivente, seja no sentido material como no espiritual.

Aquele ouro não era material, pois o reino de Cristo não era deste mundo e Ele não buscava riquezas materiais. Os Reis Magos, iluminados como eram, vislumbravam a Estrela como também nós a vislumbramos hoje pela interna iluminação. Eles sabiam o que estavam levando e para quem estavam levando aquelas oferendas.

De volta ao Oriente, os Magos foram por outros caminhos, evitando o Rei Herodes, cuja intenção conhecia. Assim também faz o Aspirante que deseja encurtar o caminho para a meta. Deixa atrás o caminho da involução e volta pelo caminho da evolução; deixa a senda dos vícios e erros e segue o caminho mais curto das virtudes. Depois que encontra o Salvador e dedica-se inteiramente a Seu Serviço, sem posteriores ligações com o egoísmo: HERODES.

Que este pequeno ponto do Evangelho suscite no estudante uma firme resolução de enquadrar-se, cada vez mais nas condições ideais de um verdadeiro servidor da Vinda de Cristo neste mundo.

(Revista Serviço Rosacruz – 01\66)