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Valorização Individual: a grande contribuição dada pelo Cristianismo

Valorização Individual: a grande contribuição dada pelo Cristianismo

A grande contribuição dada pelo Cristianismo à humanidade foi a sua libertação. Essa libertação, se bem esteja claramente exposta nos Evangelhos, não é bem compreendida pelo Cristianismo Popular. Em muitos casos até há intenção de ocultar a verdade e submeter o ser humano a poderes temporais, a que ele gosta de sujeitar-se. Infelizmente, muitos ainda permanecem num estado semelhante a um canário que ficou muito tempo na gaiola; quando lhe abrem a porta não quer ir-se para a amplidão dos céus ou, se vai, dá uma voltinha e regressa à sua cadeia, onde lhe dão comida e água. É cômodo e não lhe exige esforço. Por isso, muitos "pastores" de alma, seja nas igrejas ou em entidades espiritualistas, não gostam de tocar nesse ponto da libertação. Gostam mesmo de mostrar a necessidade de dependência. Nas escolas orientais a submissão ao mesmo é taxativa.

A Fraternidade Rosacruz, fundada por Max Heindel, como expositora dos ensinamentos elementares da Ordem Rosacruz, cujos Irmãos Maiores são Auxiliares diretos de Cristo na obra de redenção da humanidade, distingue-se de tudo o que atualmente conhecemos, por seu esforço na libertação do indivíduo. A Fraternidade Rosacruz ensina como o Cristianismo liberta o ser humano pelo conhecimento de seus valores internos (Joa 8: 32), pela identificação com sua natureza divina, subjacente e ignorada (Joa 3: 14).

Nestes trabalhos vimos alertar nossos leitores para algumas citações dos evangelhos.

Na Parábola do "Filho pródigo" vemos a história do ser humano, como Espírito Virginal diferenciado em Deus para obter experiência em sua peregrinação involutiva, à custa de sua herança espiritual, que ficaria enterrada e esquecida em virtude dos Corpos Denso, Vital, de Desejos e pela Mental que fomos construindo. Iniciamos a evolução com a ajuda das religiões primitivas. Depois veio Moisés e nos deu a Lei geradora do pecado, pois passaria a nos ensinar o que era transgressão e como deveríamos repara-la.

Mas devido ao nosso egoísmo e falta de compreensão, reparávamos os pecados pelo sacrifício de animais. Depois veio Cristo e não revogou a Lei antiga. Antes, confirmou-a, mas deu ao ser humano a libertação do enlaço da matéria, o que, ao tempo de Moisés, seria tarefa extremamente difícil para boa parte dos seres humanos. Esta situação fora criada por nossa queda, quando os marcianos espíritos lucíferos, os Anjos decaídos, não podendo alcançar a evolução angélica, buscaram nosso cérebro e a força criadora que o sustenta, para, através de sua atividade, obter experiência e, em consequência, evoluir. Custou-nos alto preço. É verdade que, pelo embrutecimento sensorial decorrente obtivemos a vantagem da consciência atual, a capacidade de discernir, que os Anjos não têm. Por isso se disse que fomos feitos um pouco abaixo dos Anjos. Após a queda as religiões de raça nos incutiram o sentido egoístico de separação e chegamos a tal estado de cristalização que nossa evolução ficou ameaçada. Não poderíamos, por nós mesmos, retomar a senda ascendente evolutiva que nos estava destinada, como filhos de Deus, de retorno à casa paterna.

Comíamos a "escória" dada como alimento aos "porcos", nas duras experiências de nossa vida. Veio, então, o Libertador, o Cristo. Limpou o Corpo cósmico de Desejos, da Terra, formado por todas as nossas antigas transgressões à Lei. Sacrificou-se como o "Cordeiro de Deus que limpou os pecados do mundo" (Jo 1:29), em lugar do cordeiro do tabernáculo. Foi quando se rasgou o véu do Templo, isto é, quando se abriram aos seres humanos em geral as possibilidades de libertação, de iniciação e acesso ao "Sanctum Sanctorum", aos segredos e possibilidades de sua própria natureza egóica através da qual entrará, concomitantemente, nos arcanos da Terra e da humanidade, para mais altos serviços.

Não sem razão, pois, a citação de Paulo, um Iniciado consciente dessa realidade: "Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo" (lCor 6:20), e "por preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens" (lCor 7:23).

Realmente, este mundo é uma escola em que somos apenas peregrinos (At 7:6, Hb 11:13 e IPd 2:11) . E como somos destinados, quais sementes da árvore de Deus, a tornamo-nos iguais a Ele (Jo 10:34), a fazer obras maiores do que as realizadas por Cristo na Terra (Jo 14:12), deduz-se, logicamente, que o renascimento é um fato natural, pois nenhum ser humano pode realizar numa vida o que lhe está prometido nos Evangelhos. Pela evolução, o ser humano irá sublimando doravante todos os seus veículos e deles levando a quinta essência, que lhe dará a capacidade criadora. Realmente, os corpos são os meios de obtenção do alimento anímico que nos enriquece o tríplice espírito. No conjunto, o corpo é um precioso templo do espírito (Jo 2: 21, ICor 3:17 e 6:19) que não deve ser desprezado como vil e inferior, segundo a concepção oriental, senão tratado com carinho, como ferramenta bem cuidada para que através dele possa o Espírito criar e crescer, pela Epigênese. Mas também aprendemos a não nos identificarmos com o corpo, senão governá-lo, para que não nos suceda ficar-lhe escravizado. Quem sabe que é espírito, ama o Espírito e a ele serve e nesse ponto não adora imagens nem em templos de pedra, senão em espírito e verdade (Jo 4: 24) por que em verdade nada restará de nossos corpos, ao fim dos atuais períodos evolutivos (Mt 24:2; Jo 2:19 e 21).

De todo o exposto, reconduzindo a consciência do ser humano ao seu real valor, como Filho de Deus, livre dos temores do inferno, porque sabe que uma parte de Deus não se pode perder, começa ele a trabalhar diligentemente por sua própria evolução, a fim de se tornar um novo ser humano (Ef 4:24; Col 3:10), sabendo discernir entre o real e o falso (ICor 6:12 e 19) e buscando desvincular-se de todos os antigos hábitos errôneos (IPd 1:14 a 17) sem acender uma vela para Deus e outra para o diabo, como fazem os incoerentes de nossos dias (Mat 9:16 e 17). É preciso decisão, perseverança e humildade para limpar o templo interno (Jo 2:15 e 16) e ver nascer a estrela da alva no coração (IIPd 2:19) .

De toda nossa procura e experiência podemos hoje dizer aos novos companheiros: a Fraternidade Rosacruz é a escola aquariana que ensina e ajuda o indivíduo a libertar-se de suas próprias limitações e leva-o a uma concepção multo mais alta e possibilidades ilimitadas no campo das realizações internas, onde se encontra o Graal e sua lança (o espírito e seu poder). Mas para chegar a ele deve ser um autentico e moderno cavaleiro, o novo e consciente Parsifal. O vivido Sir Launfal de retorno ao "seu castelo".

Que o leitor se eleve nas asas da aspiração; arme-se da couraça do valor e da persistência; imbua-se de propósitos altruísticos, e o Deus da paz será com ele!

(Editorial da Revista Rosacruz – fev/64 – Fraternidade Rosacruz - SP)