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Um Pouco de Culpa em Todos

Um Pouco de Culpa em Todos

Muitos dizem que deveríamos orar constantemente para melhorar o mundo; e assim o fazemos quando vamos aos templos e escutamos benéficos sermões, ouvimos missas, etc., mas o que ocorre na vida prática é que nos esquecemos do que ouvimos e do que aceitamos intimamente, ainda que algo assim, grandemente marcante, atinja nosso sentimento.

O pensamento criador que é essência divina, poderá melhorar o que lamentavelmente hoje ocorre com grande frequência, como às guerras que estamos vivendo, assim como as inumeráveis perturbações saciais.

Vamos esclarecer melhor:

Pode-se dizer sem vacilação alguma que é verdade que em nossos dias uma maioria extraordinária continua lutando para defender e acumular mais e mais bens e riquezas materiais, sem preocupar-se muito, às vezes nem um pouco, da Lei Divina. Crentes e ateus, todos tentam defender sua bolsa e seu dinheiro, enquanto milhares de seres padecem de fome ou sede espiritual, fome que poderia ser saciada com a doação do pouco daquilo que, os que muito têm, lhes sobra; ou sede que poderia ser aliviada pela fé no senhor. O egoísmo humano se assenhoreou tanto dos corações, que quando se medita nos fatos de nossa vida, compreende-se com facilidade que nem ainda os crentes, que dizem amar a Deus, não se deram conta dos conselhos do Divino Mestre Jesus Cristo, de suas máximas puras e perfeitas que poderiam salvar o mundo do caos que segue precipitando-se por sua loucura egoísta.

Sabemos que existe uma minoria que pode gozar dos benefícios espirituais que produz o amor, o serviço e a caridade, mas muitíssimos são os que se somam ao número da indiferença, esquecendo quase com naturalidade os ensinamentos de Jesus Cristo, porque nem todas as religiões seguem fiéis aos verdadeiros postulados, ensinando e praticando, essencialmente a verdade de Cristo; e religiões que tergiversaram os verdadeiros ensinamentos de Cristo, que de nada servirão seus alardes e cerimônias cheias de ostentação, se não se decidem a retificar sua conduta e fazer com que o ser humano recupere a fé, por seus bons conselhos e pelas boas ações. A falta de fé consciente trouxe à sociedade males gravíssimos, precipitando-a a uma das piores sendas: “A Guerra”.

A verdade é que todos temos um pouco de culpa deste momento difícil de hoje. Vivemos nos enganando uns aos outros, e esta cruel barbaridade nos situou neste ambiente que asfixia por todo lado. Nem políticos, nem religiões que não cumprem com os mandamentos podem salvar esta situação; não é um problema de uns poucos seres humanos de boa vontade, é uma solução que devem achá-la todos os homens e todas as mulheres. Precisa-se, pois, reconhecer a verdade que Jesus Cristo ensinou e que hoje está falsificada pelo egoísmo. Rompamos a cadeia de indiferença e voltemos ao caminho da espiritualidade, mas entremos decididos a trabalhar e a estudar.

O rosacrucianismo de Max Heindel é um excelente curso de verdades que revelam a existência eterna de nosso destino: se nós decidimos a estudar e a praticar seus ensinamentos, compreenderemos com facilidade a grande missão de Jesus Cristo e de outros enviados para libertar a humanidade de seus sofrimentos, e a nossa missão a cumprir.

Se somos bons e fiéis discípulos do Mestre, a resposta será, caminhar pela senda espiritual, onde levemos a Deus em nosso coração e em nossas obras. Se a maioria se interessa por buscar a Paz no mundo, a Paz que desejamos para a felicidade dos povos, na medida de nossas forças, devemos colaborar nesta conquista sublime da humanidade. E não duvidemos, pois, nosso esforço contribuirá com algo, para que nosso Senhor, o Cristo, volte a reinar, estabelecendo a ordem e “Paz na terra aos homens de boa vontade”; não são só palavras, mas sim essencialmente verdades.

Para criar aquela poderosa Fé tão necessária teria que aceitar a imortalidade do espírito e saber o que é a Vida que para defini-la Max Heindel anotou em seus livros: “Se se pergunta a um indivíduo de ciência qual é a origem da Vida, começará a falar de protoplasma, prótons ou qualquer outra coisa de natureza parecida, mas isto só concerne à forma, não importa quão insignificante, pequena ou simples seja essa forma: é uma forma, e do ponto de vista do ocultista, a pergunta está mal formulada, porque o espírito é, sempre será.

Disse Sir Edwin Arnald em seu formoso poema 'A Canção Celestial':

'Nunca nasceu o espírito e nunca deixará de ser.

Nunca houve tempo em que ele não fosse, pois princípio e fim são só sonhos

O espírito permanece sempre sem nascer, nem morre, e a morte não pode afetá-lo absolutamente.

Assim como alguém tira a roupa já usada e pegando outra diz: 'Colocarei essa hoje', assim também o espírito deixa sua roupa de carne e vai em busca de outra nova'.

É a vida que constrói as formas e as emprega por um certo tempo para progredir com sua ajuda, e quando sua utilidade estiver terminada a vida se vai, então as formas que deixam ficam mortas. De maneira que a vida é e não tem origem nem fim. A morte? Pois ela é apenas um parêntese".

(Publicado na revista serviço Rosacruz de jan.fev/87)