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Ao Alvorecer de um Novo Ano: rememoremos e analisemos os fatos

Ao Alvorecer de um Novo Ano: rememoremos e analisemos os fatos

Ao alvorecer de um novo ano, constitui sempre um saudável exercitamento espiritual rememorar e analisar os fatos pertinentes aos passados doze meses, extraindo-lhes as lições de natureza moral. Sob uma ética materialista nem tudo deve ter sido um mar de rosas. E dentro dessa limitada visão as perspectivas não podem ser nada otimistas.

Os espiritualistas, contudo, percebem as coisas de um modo bem diferente. Não se deixam amedrontar com projeções sombrias. Nem os atormentam as previsões apocalípticas, como se o Cosmos fosse uma nau a deriva.

Quando se transcende a visão maniqueísta do mundo, a vida ganha um significado mais amplo e profundo do que aquele que se lhe atribui comumente. Ao invés da rotina fastidiosa e vazia cujos componentes são, quase sempre, dolorosos e desanimadores, desponta o entendimento de que tudo é uma cadeia de experiências necessárias. Nada é vazio ou desprovido de significado. Quem já despertou para a grande realidade da vida, encontra uma riqueza inigualável na simplicidade do dia-a-dia.

Cada momento pode ser comparado a uma deliciosa fruta. Merece ser saboreado e vivido. A pressa, as preocupações e outras aberrações da vida moderna imprimem às coisas um sentido lamentável de superficialismo, criando uma falsa noção de "vacuidade".

Um dia pode até ser uma gotícula, um "nada" diluído no oceano do infinito. Mas esse "nada" representa muito. Ele é um degrau a ser superado na escalada evolutiva.

A vida não pode ser concebida, como um contexto estático, um encadeamento de ideias prontas e acabadas, ausente de mistérios. Engana-se quem a imagina pontilhada de problemas suscetíveis de serem resolvidos a partir de simples equações ou fórmulas pré-estabelecidas.

O que dá sabor e encanto à vida é a vida mesma com seus caminhos desconhecidos, obscuridades a devassar e iluminar. Citando Michel Quoist: "Se soubéssemos olhar a vida com os olhos do próprio Deus, então veríamos que nada no mundo é profano; tudo, ao contrário, participa da construção do Reino de Deus".

Das aparentes dificuldades do cotidiano brota a criatividade, quando as ideias e os sistemas vigentes não mais atendem as necessidades do progresso. Emergem, então, as potencialidades epigenéticas tanto a nível individual como coletivo, transformando, revitalizando, imprimindo novo ritmo a própria vida. A evolução se confunde com o infinito. A existência é uma incessante busca, um vir a ser sem fim.

Os métodos de desenvolvimento espiritual oferecidos pelas Escolas de Mistérios auxiliam a humanidade nessa busca. Porém, não são fórmulas rígidas escravizantes, condicionantes. Consiste em orientação, balizamento de caminhos. Os exaltados seres que os conceberam respeitam o livre arbítrio das pessoas e o nível de ser de cada um. Sabe-se que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz não criticam, não elogiam e não dão ordens. Estimulam o discípulo, regozijando-se com suas vitórias. Espera-se que o aspirante envide os maiores esforços em sua caminhada, não descurando imprimir-lhes a marca de sua individualidade. Cabe-lhe, pois, caminhar com as próprias pernas. Caindo e vacilando no início, fortalecer-se-á pelo conhecimento e experiências. Por certo não faltarão os momentos de dúvida, de ansiedade e quiçá até de desespero. Convirá lembrar-se, então, das palavras de Cristo: "Não temais, ó pequenino rebanho, porque o vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino" (Lc:12).

Assim, não há razão para encarrar o novo ano com temor ou desânimo. Talvez seja uma etapa agitada, repleta de experiências e oportunidades de crescimento. Por que não aproveitá-las?

(Revista 'Serviço Rosacruz' – 01/83 – Fraternidade Rosacruz – SP)