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A Conquista da Liberdade e as correlações com os Exercícios de Concentração e Retrospecção

A Conquista da Liberdade e as correlações com os Exercícios de Concentração e Retrospecção

Dentro de cada ser humano existe um impulso para a liberdade. Pode manifestar- se, às vezes, como uma convidativa e alegre fuga para subir mais até alcançar a liberdade que possa tomar e fazer sua. Esse impulso interno tem sido chamado de "desgosto divino", pois incita o espírito conquistador a seguir para frente e sempre para cima. É ele o responsável por nosso progresso na senda espiral evolutiva.

Ainda que tal impulso possa estar latente ou quiçá embotado pela inércia mental ou por força das circunstâncias, realmente ele está presente e destinado a vivificar e a converter-se na força motriz do indivíduo. Provavelmente não haverá melhor maneira de determinar quão longe tenhamos chegado à senda espiritual do que considerar o grau de aspiração à liberdade, indicado pelo zelo com que nos esforçamos na vida diária para alcançá-la.

Mas agora precisamos dizer o que entendemos por liberdade. Liberdade de que e para que?

Em primeiro lugar, temos o conceito comumente aceito de liberdade: liberação de fatores extemos como um governo ditatorial, uma igreja dominante ou condições sociais escravizantes. Assim todos terão liberdade de adorar como lhes apraza, falar e escrever sem temor de represálias e trabalhar na profissão escolhida sob boas condições de saúde e auto respeito; votar e ser votado para participar num governo "do povo, pelo povo e para o povo". A luta pela liberdade, digo, a luta da humanidade após essas liberdades chamou a atenção de avançados pensadores e há séculos se faz presente nas páginas da História.

Na primeira metade do século VIII, Joseph Addison, um dos grandes pensadores e figura literária da época afirmou: "Quando a liberdade desaparece a vida se torna insípida e perde seu sabor". Pouco tempo depois o poeta William Cowper acrescentou: "A liberdade como o dia, amanhece na alma e como um relâmpago do Céu incendeia todas as faculdades com alegria gloriosa".

Esta "alegria gloriosa", uma vez provada, não é fácil de esquecer. Para persegui-la o ser humano entra na vida ativa na qual ele é convidado a demonstrar o que sabe, a usar cada uma de suas faculdades, a recusar a tranquilidade física e mental, pela qual poderá ser reduzido à escravidão. Os seres humanos que aceitaram esse desafio no passado são os que hoje estão na vanguarda da civilização, porque é claro que a causa da liberdade se identifica com a causa do progresso do Espírito humano.

Podemos saber da luta do ser humano por sua liberdade através de, praticamente, todas as revistas da atualidade: as dificuldades raciais na África e em outras partes do mundo; a tendência ao nacionalismo de países até agora subjugados; os esforços para se alfabetizar milhões de pessoas escravos da ignorância e da pobreza; as controvérsias entre o pensamento reinante nos Estados Unidos e em outros países; as revoluções agrícolas e econômicas que têm lugar na Índia, África, América do Sul e outros lugares quando as pessoas querem melhorar sua condição de vida; as cruzadas contra os crimes, os tóxicos e o alcoolismo, etc. Há, com efeito, uma intensificação da aspiração de liberdade no indivíduo de hoje, pois toda a humanidade está sujeita a pressão que sempre antecede o final de uma era. Estamos no final da Dispensação Pisciana e nos aproximando da Era de Aquário. Uma melhor ordem de coisas se delineia ao longe e a Fraternidade Universal será a característica dominante dessa nova ordem. Mas há um segundo ponto de vista a ser considerado na liberdade: um ponto de vista interior relacionado com a libertação do ser humano de suas "ataduras" ao eu inferior. É desejável que, neste período de nossa evolução sejamos livres da dominação externa, mas é necessário que usemos essa liberdade no interesse de todos. Portanto, é necessário que dominemos nosso maior inimigo: a personalidade, ou seja, o eu inferior. Tal domínio requer, em primeiro lugar, autoexame e depois, disciplina.

A tarefa do autoexame é sutil. Sendo extremamente egoísta, a personalidade é compelida a obter e possuir coisas materiais, poder e fama. Ela sugere toda a classe de desculpas para se justificar e usa todos os recursos para adotar uma atitude de falsa inocência quando é responsabilizada por algo indesejável. Leva-nos a culpar os demais por qualquer coisa desagradável em nossa vida ou em nosso próprio mundo.

Impulsiona-nos a vingança ou revanche contra os que culpamos pelas nossas dificuldades individuais ou coletivas. Estimula sentimentos mesquinhos como a cobiça, os ciúmes, a inveja, o ressentimento e outros mais.

Para ajudar-nos a vencer tais pensamentos e sentimentos nos foi dado o exercício da Retrospecção. Nela revisamos os acontecimentos do dia e examinando nossos pensamentos e ações nos aprovamos ou nos reprovamos de acordo com o que fizemos. É interessante notar que este exercício foi recomendado por mestres espirituais dos séculos passados. Centenas de anos antes de Cristo, o grande filósofo Sócrates aconselhava: "Que não caia o sono sobre seus olhos até que hajas revisado três vezes as ações do dia passado. Em que fugi da retidão? Que fiz? Que deixei de fazer? Que deveria ter feito? Começa, pois, desde o primeiro ato e logo segue adiante; e, em conclusão, aflige-te pelo mal que hajas feito e regozijas-te pelo bem".

Também nos foi ensinado o exercício de Concentração, para que possamos controlar nossa Mente e não deixar que seja levada ao sabor das ondas de pensamentos e sentimentos que se levantem ao redor de nós.
Todo aquele que haja posto, conscientemente, os pés na senda que conduz a própria perfeição e a libertação das garras da materialidade sabe que não é fácil.

(Traduzido de Raios da Rosacruz -Junho – 1973 e Publicado no Serviço Rosacruz – 02/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)