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O Reflexo do próprio Ser Humano

 

O Reflexo do próprio Ser Humano

O mundo interior de um ser humano é refletido por suas ideias, emoções e atos. O observador perspicaz sabe disso. Nos Evangelhos encontramos a evidência desta verdade na citação: “Pois a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34).

Frequentemente, o ser humano age de modo ambíguo, por isso é incoerente, semelhante aos fariseus que se amoldavam à conveniência das circunstâncias. “Pode jorrar, de uma mesma fonte, água doce e amarga?”.

Curioso é observar que não suportamos nossos próprios defeitos e os projetamos sobre os outros. Geralmente o mais malicioso é que vê e critica a malícia no semelhante; o desonesto (em algum âmbito obscuro para ele) é o que mais condena o roubo. É um grito estrangulado da consciência que está sempre em busca de apontar a verdade que também está no interior do ser humano. Quando tentaram o Cristo, com a mulher adúltera (e os fariseus trouxeram apenas a mulher, quando a lei prescrevia o mesmo castigo ao homem que adulterava com ela), Ele os desconcertou com o conhecimento que tinha da natureza humana. “Aquele que estiver isento de pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”. E diz a tradição que o Mestre, tranquilamente reclinado sobre o solo, escrevia com uma vara sobre a areia, onde cada fariseu via escritos seus defeitos pessoais. Certamente é um símbolo da consciência que, dentro de cada um, ia clamando seus defeitos para arrasar a pretensão de juiz daquela mulher.

Com o conhecimento da psicologia profunda, qualquer pessoa compreende o quão necessário se torna o autoconhecimento. Nenhuma elevação espiritual é possível sem esta condição. À medida que vamos nos conhecendo, pela observação, discernimento dos atos, de exercícios como o da Retrospecção noturna, prescrita pelos Rosacruzes, vamos consolidando e fortalecendo aquilo que aprendemos. Consideramos este conhecimento e, subsequentemente, o domínio de si mesmo, como a pedra fundamental do progresso interno e da felicidade. Goethe, o grande iniciado, criador de “Fausto” o definiu bem: “O Homem se liberta de todas as limitações que o encandeiam, apenas quando alcança o domínio de si mesmo”. E Cristo mostra o caminho: “Conhecereis a verdade e a Verdade vos libertará”.  Essa máxima representa a verdade que está dentro de nós, pela sujeição de tudo ao nosso Ego, o “Eu” Superior. Nenhuma ciência, nenhum conhecimento, nenhuma arte ou posse representa uma finalidade na vida. Tudo tem valor, na medida em que se incorpore e expresse o que há de espiritual em nós.

Em síntese e reproduzindo São Paulo: temos uma mente carnal e uma mente espiritual, um Corpo de Desejos divido em uma parte inferior e outra parte superior. Aqui residem as origens de nossas controvertidas expressões. O Ego concebe a ideia, mas quando ela se reveste de uma forma na Região do Pensamento Concreto, sofre a influência escravizam-te do Corpo de Desejos, que unindo-se a Mente, desde a Época Atlante, formou em nós uma espécie de “alma animal”.

Mas não basta conhecer a verdade. Ela apresenta a solução, mas, é mister alcançá-la. Como libertar o ser humano e regenerá-lo, tornando-o, de novo, à condição de ser espiritual, filho e herdeiro de Deus?

O “Conceito Rosacruz do Cosmos”, em sua última parte expõe magistralmente essa questão. Tudo se resume na prática dos exercícios recomendados e num persistente esforço de repetir o bem na vida diária. Em verdade, aquilo que em nós vê o defeito e o mal nos outros, é o lado inferior. O lado superior possui apenas a força de atração, simpatia, amor, do poder anímico, filantropia e de todas as demais qualidades superiores da vida. Por isso vê apenas o bem, o amigo, o semelhante, o espírito e a essência, que, unido a nós e a todos, forma a Onda ou Hierarquia de Peixes (aos Espíritos Virginais em evolução), Filhos de Deus, transitoriamente diferenciados na cor da pele e nas condições externas.

O Aspirante a vida superior deve esforçar-se diariamente para sublimar seu “eu” inferior. Se for permissiva a ponte de deixar suas condutas ditadas pelo lado inferior, poderá ser comparado a um animal irracional. Em verdade, o ser humano dominado por sua personalidade torna-se inferior aos próprios animais.

A raça humana é racional e detentora de uma Mente. Esta deve ser exercitada e espiritualizada. O Aspirante à espiritualidade está vigilante para esta verdade. Não se expõe à insensatez pela imposição aos outros, de suas ideias. Tão pouco sofre sem proteções a insensatez dos outros. Em todas as suas ações, procura ser prudente, sábio, amoroso e justo, expressando o que tem de superior. Apenas assim, poderá elevar-se, e, ao mesmo tempo, elevará os demais, edificando e perfumando todos os ambientes que passar.

(Revista Rosacruz – Jan/66)