cabeçalho4.fw

O verdadeiro Cristão: o que busca a experiência, não a felicidade

O verdadeiro Cristão: o que busca a experiência, não a felicidade

 

Segundo Max Heindel, o propósito da vida é a aquisição de experiência, e não a busca da felicidade, porém, esta tem sido o alvo comum da humanidade durante os tempos. O viver em função de algo que geralmente se circunscreve as posses materiais, as posições transitórias, as sensações fugazes, acentua muito bem as causas dos problemas que afligem os seres humanos. É em vão que o ser humano almeja ser feliz, desconhecendo o que venha a ser a verdadeira felicidade, ignorando que a mesma seja antes de tudo um estado de alma. Balzac a define de uma maneira assaz sutil, afirmando que “toda felicidade é um misto de coragem e de trabalho”. Ela não é o objetivo que se atinge por meio da coragem e do trabalho, mas sim, a condição interna que se alcança quando se labuta corajosamente em prol de uma causa nobre. Ser feliz segundo o prisma espiritual é atingir uma condição transcendental a tudo aquilo que se restringe a concepções puramente materiais, decorrentes de impressões captadas pelos nossos sentidos físicos. A felicidade situa-se no campo das conquistas do espírito. É a consequência natural do aprimoramento interno, do contato com a Fonte de Vida, donde provém o amor, pedra basilar das conquistas imortais do ser humano. Que seria de nós sem esse amor?

O amor verdadeiro, irrestrito, universal, foi o princípio mais grandioso que Cristo nos legou, e somente por meio desse princípio é que poderemos atingir a cristificação. O amor assim compreendido pode ser manifestado de diversas maneiras, e uma delas é o serviço amoroso e desinteressado para com os demais.

O servir desinteressadamente, o labor canalizado a fins altruístas, é a máxima expressão do ideal cristão, é a realização da felicidade. O trabalho assim dirigido aumenta o fulgor da Divina Essência inerente a todo ser humano, ao passo que a ação egoísta a ofusca. Os frutos do primeiro são perenais, ao passo que as condições obtidas por meio do agir egoísta são temporais. Altruísmo é amor, e este é algo intrínseco ao ser humano cristificado. Ser altruísta é conservar-se fiel e alimentar-se da Divina Fonte do Amor.

Num mundo como este em que vivemos atualmente, onde o utilitarismo prevalece como denominador comum na soma das atividades humanas, ser altruísta, agir com isenção de interesses, ser como São Paulo: um apologista da suprema excelência da caridade, cultivar a virtude, é contrastar, muitas vezes, a inércia (status quo) vigente, é desajustar-se ante “a sociedade dos homens práticos”. Preceitos de “ética e moral são adaptados às exigências da sociedade da competição”, liberando e justificando as ações daqueles que anseiam atingir os píncaros do sucesso, por meio de manobras escusas, via de regra, em detrimento de outrem. Muitos anestesiam a própria consciência para poderem sobreviver nesta comunidade. São os que se ajustam a conveniência e convenções exteriores, despidas de imortalidade, meros pântanos que findam esperanças de uma felicidade.

O ser humano verdadeiramente cristificado luta, tenazmente, por romper todas essas barreiras. Procura expressar discreta e inteligentemente todas as suas qualidades por meio de seus atos. Age coerentemente com suas próprias convicções, procurando sempre harmonizar, almejando não tanto ser compreendido, mas compreender. Reconhecer-se como espírito, imuniza-se e permanece incólume a toda crítica ferina que lhe dirijam, pois sabe que estas distorções dos sentimentos humanos não podem atingir sua Essência.

O ser humano cristificado procura viver retamente dentro da sociedade moderna, embora muitas vezes sua filosofia de vida seja considerada obsoleta. Crê firmemente no valor da virtude e no poder que a coloca acima dos limitados conceitos humanos. Identifica-se com os preceitos cristãos, não competindo, mas cooperando com todo e qualquer empreendimento que vise ao bem geral. Sabe discernir, sabe transigir, conhece-se e trata de extirpar gradativamente as próprias falhas, não as evidenciando nos demais, mas salientando-lhes as qualidades, para que estas se fortifiquem. Vislumbra a harmonia na bondade, a perfeição no amor e a beleza na simplicidade. Sua humildade, longe de confundir-se com subserviência, é antes de tudo uma mescla de ternura, energia e justiça.

Seu semblante espelha sempre a tolerância e a compreensão, pois reconhece que toda manifestação contrária ao Bem e a Justiça é fruto da ignorância.

Pensa sempre no melhor, almeja sempre o melhor, procura sempre tornar-se melhor e dá aos outros sempre o melhor. Seu amor não encontra limites, espargindo-se em todas as direções e a todos os seres da Criação. O ser humano que alcançou este estágio evolutivo sabe perfeitamente que ninguém poderá ser excluído de ser amor, pois o ideal cristão é, por excelência, unificador. Radicalismo, segregacionismo, divisionismo, sectarismo extremado, não se coadunam com o Cristianismo.

Quando alguém atinge esta condição, sua vida torna-se uma ardente e sublime oração. É um ser feliz, autêntico servidor de Cristo e da humanidade.

(Revista Serviço Rosacruz – 07/67 – Fraternidade Rosacruz – SP)