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Ação de Graças: ecumenismo que consola, anima e abre perspectivas

Ação de Graças: ecumenismo que consola, anima e abre perspectivas

Com fartas manifestações de ecumenismo, comemora-se na última quinta-feira de novembro o Dia Nacional de Ação de Graças.

Nas principais cidades brasileiras, as divergências existentes entre os diversos credos foram deixadas de lado e seus mentores realizaram conjuntamente cultos de Ação de Graças.

Essa união momentânea, em torno de um propósito comum, consola, anima e abre perspectivas, mesmo que ligeiras, se não de um perfeito entendimento, pelo menos de uma quebra de tensões. Pena que tal aconteça esporádicas vezes.

Ecumenismo é um belo vocábulo e uma ideia excitante. Entretanto, ainda não adquiriu aquela dinâmica própria do termo que ultrapassa os teóricos e inócuos limites do papel, para expressar-se na prática como um fato concreto.

De qualquer modo, para quem aspira à Fraternidade Universal, o ideal da Nova Idade, essas manifestações já constituem um bom prenúncio. Frutos mais palpáveis por certo surgirão em tempos futuros, como consequência lógica desses esforços. O sentido mais profundo do ecumenismo não implica em, necessariamente, aceitar os princípios e dogmas alheios. Não. Configura-se no reconhecimento do direito de se abraçar qualquer credo ou filosofia e de respeitar toda e qualquer prática religiosa, desde que alicerçada na moral. É a compreensão dos vários estágios evolutivos em que se encontram os seres humanos.

Os Anjos do Destino dão a cada um e a todos, exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento.

As religiões e as escolas filosóficas vêm atender as necessidades internas de determinados agrupamentos humanos. De tempos em tempos, a humanidade, em sua escalada ascensional, recebe verdades mais profundas.

No passado, os mitos e as lendas foram os elementos dos quais as Grandes Hierarquias projetaram conceitos básicos na Mente da humanidade infantil.

Max Heindel ilustra com muita propriedade essa problemática com o exemplo da meta posicionada no cume da montanha e dos diversos serpenteantes caminhos que para ela convergem. A senda reta, porém, menos extensa e mais íngreme, simboliza o Caminho da Iniciação, preconizado pelas Escolas de Mistérios, dentre as quais destaca-se a Ordem Rosacruz.

O Cristianismo constitui uma notável ajuda, o grande impulso recebido pelo ser humano. Cristo, todavia, em seu ministério, ensinava a multidão por meio de parábolas, reservando a essência esotérica de Sua doutrina aos Discípulos, por pressuposto Iniciados.

Ainda hoje, vemos a maioria da cristandade limitada ao significado raramente exotérico da religião. Notamos o comportamento humano ainda inculcado à Lei.

A ascensão espiritual realiza-se por etapas. Não é um processo repentino.

O próprio Cristo anteviu as dissidências e as lutas fratricidas que se fariam em Seu nome ao proclamar: "Não vos trago a Paz, mas uma espada". Sabia perfeitamente que o germe da separatividade medrava no coração dos seres humanos. E que só depois de muito tempo as coisas tornariam um rumo diferente.

A ação do Cristo faz-se sentir, paulatinamente, eliminando aos poucos os abismos cavados entre os seres humanos. E a Fraternidade Universal será rígida sobre as cinzas da separatividade, mesmo porque, na Nova Idade, o Cristianismo esotérico predominará como uma síntese completa e perfeita do pensamento religioso.

(Revista 'Serviço Rosacruz' – 11/73 – fraternidade Rosacruz – SP)