cabeçalho4.fw

A Porta Estreita

A PORTA ESTREITA

 

Há verdades que se evidenciam naturalmente. Um cientista, um artista, um desportista, ou qualquer pessoa capaz de se destacar em um ramo de atividade, desenvolveu seu talento mediante longos anos de exaustivos exercitamentos. Lutou arduamente para chegar ao ponto de poder reclamar a atenção do mundo e seu reconhecimento como uma pessoa competente naquele campo para o qual direcionou suas energias.

Um ponto não deixa dúvidas: essa pessoa pagou o preço exigido pelo mundo. Não foi um sonhador, nem deixou-se seduzir pela idéia de que bastaria imaginar uma determinada situação futura para que ela se materializasse pura e simplesmente.

Ao contrário, ele lutou, suou, "comeu o pão que o diabo amassou", até conseguir o seu intento. Sentiu-se, finalmente, recompensado em todos os seus esforços.

Mas, existe uma outra linha de trabalho cuja recompensa é infinitamente maior e eterna. É a diligente investigação das verdades espirituais e o serviço amoroso e desinteressado aos demais, conforme preconizam os ensinamentos rosacruzes.

Representa essa linha de trabalho uma forma de chegar ao desenvolvimento superior e a abertura daqueles sentidos através dos quais é possível entrar em contacto com a vida do Espírito. Inegavelmente esses são os valores reais da vida, e devem constituir-se na razão de todo o esforço do ser humano.

Essa vida invisível de que a humanidade conhece tão pouco vale mais do que qualquer outra conquista. Sendo assim, dever-se-ia lutar por ela com redobrado esforço e ânimo inquebrantável.

Mas quem se dispõe a pagar o preço exigido? O ser humano comum tentará enveredar pelo caminho da espiritualidade levado pela ânsia de glórias imediatas. A recompensa que almeja é o reconhecimento dos próprios seres humanos e sua ação visará o elogio, a gratidão, o poder e o prestígio. Como esses valores são efêmeros pouco tempo durará seu galardão.

O caminho da recompensa eterna é diametralmente oposto. Ao invés de encômios e reconhecimento público é mais lógico esperar-se a incompreensão do mundo. Essa opção envolve renúncia, auto-disciplina, inegoísmo e outras qualidades. Este, porém, é o verdadeiro caminho a ser trilhado por quem conscientemente aspira por uma vida superior. Como afirmou Cristo no Capítulo 10 de João: "Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador".

As faculdades espirituais que devem ser desenvolvidas por meio do serviço paciente e amoroso são as ferramentas com as quais o ser humano deve abrir seu caminho rumo aos pianos internos da natureza. Lançar mão de qualquer outro meio que não estes, significa evitar a porta verdadeira, tornando-se ladrão e salteador.

Cristo é a única porta através da qual pode-se entrar no Reino dos Céus. E Ele nos adverte: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Ele é a única porta e esta porta é muito estreita.

(Gilberto A V Silos – Editorial da Revista Serviço Rosacruz de 09-10/87)