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É Plenitude

É PLENITUDE

Segundo a Sabedoria Ocidental, o verdadeiro propósito da existência não é a felicidade, mas a experiência pela qual nos é possível desenvolver os poderes espirituais latentes e transformá-los em faculdades, servindo ao plano divino da evolução.

A frase acima encerra essencialmente, ou nas entrelinhas, uma idéia em torno da qual gravitam várias outras correlatas que a complementam.

Reiteramos: a finalidade da vida não é lograr a felicidade, mesmo porque esta ainda não foi claramente conceituada pelos seres humanos. O que vem a ser realmente a felicidade? Cada um a configura à sua maneira. A seu respeito temos tantas definições quantas são as criaturas que a almejam. Para o ser humano comum, em linhas gerais, significa um estado ideal.

Quem, afinal, obteve esse dom divino, essa graça suprema de alcançar um estado ideal? Falando em termos práticos e objetivos, esse estado, para ser ideal, deverá ser duradouro, inabalável e indestrutível. Caso contrário, não valerá a pena lutar para concretizá-lo. É vão o esforço despendido para desfrutar momentos fugazes e fugidios.

Examinemos agora o panorama do mundo em que vivemos. São perenes os momentos de segurança? As posições, sejam humildes ou elevadas, são absolutamente estáveis? Os seres humanos vivem e trabalham com inabalável fé no amanhã? Por que os conflitos? Por que as fugas? Há paz em todos os quadrantes da Terra?

Cada um responda, se quiser, a essas indagações, e em seguida passe a alinhavá-Ias. Temos a certeza de uma coisa: muitos chegarão às mesmas conclusões.

Quão objetivos e paradoxalmente subjetivos são os conceitos de felicidade. Como divergem, entrechocam-se e distanciam-se os pontos de vista a respeito.

Uma coisa é certa: não podem consubstanciar-se em fatos ou condições transitórias, caso contrário suas bases serão frágeis e enganadoras.

A admirável sabedoria dos Rosacruzes proporciona uma visão ampla e profunda do problema.

O ser humano, face sua ignorância, inverteu não só o seu papel no mundo, mas também a finalidade das coisas. O que deveria ser um fim passou a ser um meio e vice-versa.

O ser humano real é um espírito imortal, célula do corpo cósmico de Deus. Possui todos os atributos divinos. É intrinsecamente divino. Assim como uma gigantesca árvore encontra-se potencialmente em uma minúscula semente, de maneira análoga, o espírito e dotado, em forma latente, de todos os poderes comuns à Divindade. Para que a árvore cresça e de frutos, a semente deverá ser lançada a terra em condições especiais. Deverá ser objeto de determinados cuidados. Para o florescimento de todas as suas potencialidades anímicas, o espírito também deve ser convenientemente trabalhado. Presentemente, a existência material constitui esse processo. O mundo é literalmente uma grande escola. É a fonte de todos os impactos, de todas as experiências que lapidam o ser real, predispondo-o, através da evolução, a galgar esferas de ação superiores.

O ciclo de renascimento e mortes provê o ser humano de meios para elevar-se acima de todas as limitações. Diariamente, vê-se as voltas com lições as mais variadas, cujo valor educativo, se conveniente assimilado, desperta-lhe, gradativamente, as faculdades espirituais.

O mundo, os acontecimentos, as conquistas, as descobertas e os bens materiais, os veículos utilizados pelo espírito, constituem um meio e não um fim em si mesmo.

A inversão de tal princípio representa a busca infrutífera do mirífico estado ideal. É uma ilusão. Os seres humanos, em sua grande maioria, vivem abatidos por uma terrível frustração. E não é para menos. São como que viajores extraviados e atordoados pelo sol causticante do deserto material. Correm, desesperadamente, atrás de miragens.

No fundo, mas no fundo mesmo, a felicidade desejada pela maioria não passa disso aí: miragem. Mas, existe uma condição Ideal possível, razoável, acessível. Não se reveste de sensações exteriores. É absolutamente imaterial. Consiste, harmoniosamente, em paz de consciência, equilíbrio interior, limpidez mental. É consciência da própria identidade divina. É aspiração superior. É amor puro a todos os seres da criação. É uma imersão total e incondicional na UNIDADE DA VIDA.

Preferimos não rotular de felicidade esse indescritível estado de alma. Outro termo, talvez, seja mais próprio: PLENITUDE!

(Gilberto A V Silos – Editorial da Revista Serviço Rosacruz de 3/74)