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O Som e os Éteres – VII - O Ser Humano, Cântico de Deus

O Som e os Éteres – VII
O Ser Humano, Cântico de Deus

Outra noite eu vi a eternidade
Como um grande anel de Luz pura e sem fim.
Entretanto ela brilhava calmamente
E sob ela, o Tempo em horas, dias e anos,
Conduzido pelas esferas,
Movia-se como uma vasta sombra,
Na qual o mundo
E todo seu cortejo eram lançados.

HENRY VAUGHN

"No princípio era o Verbo", escreveu o apóstolo amado, São João. E a ciência oculta está de acordo em que "tanto o universo como o homem foram criados pelo som". Como disse Corinne Heline em seu livro 'Música, a Nota-Chave da Evolução Humana': "Através do universo inteiro soa um tríplice cântico, o cântico do Absoluto. O cântico é uno, mas possui três aspectos: Poder ou harmonia, o Verbo ou melodia e o Movimento ou ritmo. Este cântico universal é literalmente energia primordial por meio da qual Ele se manifesta. É verdadeiramente uma música, ainda que a sensibilidade humana, todavia, não seja tal a ponto dela ser ouvida fisicamente. Mas, ouvindo ou não, o ser humano em verdade se move, vive e tem seu ser em um universo de harmonia tonal".

Os físicos modernos afirmam que a ideia grega da harmonia das esferas – ainda os mistérios orquestrais de Kepler – foi posta fora de época pela infinita complexidade do universo, como se mostra aos astrônomos hoje em dia. Não há esquema musical conhecido do ser humano que possa harmonizar essa complexidade, disse o astrofísico. Talvez seja parte desta complexidade o que produziu a música excêntrica e sem melodia, hoje proeminente. Mas a tudo isso o ocultista responde que a Nova Idade aprenderá primeiro a discernir, logo a compreender, e finalmente a amar uma Nova Música do Universo. Sabemos que muitas pessoas musicalmente incultas são incapazes de apreciar a música erudita: para seus ouvidos é "ruído". Similarmente, a música cósmica, que é mais que a música das esferas do nosso Sistema Solar ou de nossa galáxia, deve ser aprendida por uma nova raça de seres humanos.

"O estupendo coro cósmico, estando além da capacidade perceptiva do ser humano", disse Corinne Heline, "é baixado a potências menores pelo Logos do nosso Sistema Solar, que é seu criador, e se dá a conhecer a esta Terra como Vontade (melodia), Sabedoria (harmonia) e Atividade (ritmo).

E continua dizendo: "Ouvir a música das esferas é uma experiência iniciatória transcendental para o espiritualmente iluminado. Assim como os tons celestiais são registrados por ouvidos bem-aventurados que ouvem, assim também olhos bem-aventurados registram um arco-íris de cores acompanhando esses tons. Platão esteve entre os iluminados que escutaram e contemplaram essas glórias supremas. São descritas com entendimento iniciático por Shakespeare. São João refere-se a elas repetidamente ao relatar a revelação recebida na ilha de Patmos".

"Posto que o Fiat Criador do Absoluto, pleno de tons poderosos, é tríplice por natureza, os números um, dois e três são a base de toda manifestação. A teologia cristã refere-se a esse tríplice poder sob a forma da Santíssima Trindade, e ensina corretamente que todas as coisas visíveis e invisíveis vêm à manifestação procedendo dele.

"Todas as criações do Sistema Solar formam-se mediante emanações tonais das doze hierarquias. A base alquímica de todas as coisas é Fogo e Água em conjunção com seus elementos complementares de Terra e Ar. Estes compõem a sinfonia zodiacal onde ressoa o coro celeste no supremo cântico: e o Espírito de Deus (Fogo) se movia sobre a face das águas (Água).

"O Fogo, a Água, o Ar, a Terra: esta combinação de poderes é expressa em combinações mantrâmicas, de que são familiares exemplos: INRI, JHVH, AMEN, e o Verbo".

"No primeiro dos dias da criação, o quádruplo poder encontra-se potencialmente presente. Nos dias subsequentes faz-se progressivamente ativo, até alcançar completa expressão no último ou sétimo dia da criação. O poder dominantemente operativo em cada um dos sete dias ou períodos entona-se com a nota-chave musical de cada um dos Planetas de nosso Sistema Solar. Assim, cada dia acrescenta sua nota particular ao grande conjunto, à medida que os poderes inatos do espírito se manifestam em forma crescente. Quando foi tocada a nota final, ou sétima, o poder do Verbo que é Deus – o Bem Universal – ressoa como uma oitava gloriosa, que é o todo completo e perfeito".

"Tudo isso complementa a afirmação de Max Heindel segundo a qual a música divina, quando soa na Substância-Raiz-Cósmica, cria as formas de todas as coisas, analogamente às figuras de Chladni, formadas quando uma lâmina metálica com areia é colocada em vibração por meio de um arco de violino. Esse é um antigo ensinamento das Escolas de Mistérios.

"Ao descer dos vastos espaços cósmicos até aos recantos mais obscuros da Terra, o cântico entoado por Deus assume forma na humanidade. Para o ocultista científico, o nascimento é um tríplice acontecimento. O primeiro é o nascimento físico, acontecimento experimentado por toda a humanidade. O segundo é um novo nascimento mediante a regeneração espiritual ou Iniciação, experiência que foi alcançada somente pelos mais avançados da raça humana. O terceiro nascimento é a entrada no conhecimento cósmico, que estabelece contato direto com as atividades das Hierarquias Celestiais. Esse é o estado de adiantamento dos Mestres e Senhores da Compaixão, aqueles que estão ajudando a evolução e o progresso planetários.

"Em virtude de ter passado por esse tríplice nascimento, o grande instrutor egípcio Thoth foi denominado pelos gregos de Hermes Trismegisto ou Hermes Três Vezes Grande. A Divina Comédia de Dante contém uma velada alusão às suas experiências pessoais com Hierarquias estelares, que tiveram lugar depois de ele ter alcançado o tríplice nascimento. O que alguém fez, outro pode fazê-lo. A mesma meta sublime aguarda a todos que sejam dignos dela.

"Nos mais primitivos estados da encarnação humana, a música foi utilizada pelas Hierarquias Celestiais para modelar os corpos humanos. Na presente época materialista, a música é usada para despertar as almas dos seres humanos".

"A ciência espiritual descobriu evidência de quatro grandes períodos nos quais a evolução humana prosseguiu paralelamente com a evolução do nosso universo e Sistema Solar. Três fazem parte do passado, e a humanidade agora trabalha pela sua libertação no presente quarto Dia da Criação, denominado Período Terrestre. Três períodos mais, ou Dias de Deus, virão a seguir, durante os quais a personalidade será transmutada em Espírito e o Espírito religado a Deus, em plena consciência de sua fonte e natureza divinas.

"Durante os passados três Dias de Deus, e também no presente quarto Dia, Hierarcas Cósmicos têm guiado nossa evolução. Sua obra pela humanidade está indicada nos céus estelares".

"Mas, aqueles poderes espirituais vistos hoje em dia externamente como estrelas, foram em remotas épocas simplesmente vastas irradiações de inteligência e poder, incluindo não simplesmente os poderes que trabalharam na raiz da matéria, se não também as energias cósmicas que são individualizadas e concentradas nas emoções humanas. Os grandes Poderes do Universo não são seres sem sentimentos ou emoções. Diferem da humanidade, pois que suas emoções são de caráter universal, "tecendo de estrela em estrela", enquanto são, simultaneamente, conscientes de cada diminuto átomo do universo. O espaço e o tempo não obstam a atividade desses poderosos hierarcas universais. Suas emanações projetadas criaram as nebulosas e desenvolveram sistemas solares. E ainda quando alguma distante estrela não constitua senão a sombra da estrela real que se deslocou em sua órbita ou talvez tenha desaparecido no espaço, as emanações espirituais continuam trabalhando.

"No primeiro grande dia da evolução da humanidade, o espaço era obscuro. O calor, não obstante, encontrava-se presente na forma cósmica. . . A Hierarquia ... a cujo cargo estava este período... era uma hoste de seres associados com o que é hoje em dia a constelação de Leão. Eles são chamados... os Senhores da Chama... a causa da brilhante luminosidade de suas auras e de seus grandes poderes espirituais, como disse Max Heindel. A Bíblia chama-os de Tronos. Esses seres projetaram na consciência humana o arquétipo-semente do corpo físico que possuímos hoje em dia. Esse arquétipo-semente está arraigado em um particular átomo do coração chamado Átomo-semente. . . O Signo de Leão rege o coração, onde o Átomo-semente está localizado.

"Similarmente, no segundo Dia de Deus, o elemento-raiz do Ar foi acrescentado, e o calor converteu-se em luz. Agora o arquétipo-padrão do Corpo Vital foi dado pelas Hierarquias de Virgem. No terceiro dia a umidade foi acrescentada ao calor e luz, e uma névoa ígnea cósmica (nebulosa) foi o resultado, enquanto que o arquétipo-semente do Corpo de Desejos foi dado pela Hierarquia de Libra. No quarto Dia, que é o nosso Período Terrestre, foi acrescentado o germe da Mente, como dom da Hierarquia de Sagitário, os Senhores da Mente. Essa constelação (junto com partes de Escorpião) é o véu de estrelas localizado ante o centro invisível de nossa galáxia. As outras constelações estão implicadas nas atividades complementares da Alma e do Espírito (Ver o Conceito Rosacruz do Cosmos).

"Desde o ponto de vista oculto, portanto, não dissemos mais que a verdade literal quando falamos da humanidade como um Cântico de Deus, e o horóscopo sua carta musical, harmonizada com uma nota estelar ou acorde cósmico peculiar.

"Foi dito corretamente que o ego se harmoniza com a nota-chave de um dos Espíritos Planetários que estão ante o Trono de Deus, o Deus do nosso Sistema Solar. Por meio da meditação e do trabalho interno pode-se descobrir a referida nota-chave. E é certo que à medida que o aspirante continua crescendo espiritualmente "esta nota básica aumenta em volume e intensidade até converter-se em um canto vitorioso que vence a dissonância das configurações quadrantes ou oponentes do horóscopo, e se absorve em um coral triunfante".

"A ciência oculta ensina que nos reinos elevados da música está o principal fator motivante de todo ser. Por meio da música desabrocham as flores e a vida vegetal é sustentada. Por meio da música os Seres Celestiais se comunicam uns com os outros: sua linguagem é o canto".

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março de 1976)