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O Som e os Éteres – IV - Os Números e o Ritmo do Universo: Lei de Bode

O Som e os Éteres – IV
Os números e o Ritmo do Universo: Lei de Bode

Uma das maravilhas do universo é a forma misteriosa com que os números se ajustam em padrões ou classificações, por motivos que os matemáticos desconhecem. Nada pode afirmar porquê os números atuam dessa maneira. É simplesmente um fato que assim o fazem.

Século após século, os matemáticos continuam descobrindo novos jogos que os números podem fazer e aprendem a usar estes jogos numéricos para controlar as leis da natureza e do universo, que parecem manter alguma estranha correlação com eles.

H.D.F. Kitto escreve (Os GREGOS, página 191): "Sucede que eu mesmo - se posso agir pessoalmente por um momento estava capacitado para fazer isto (isto é, imaginar o impacto do descobrimento matemático sobre uma mente arejada) por uma investigação matemática levada a efeito por mim, certa vez, e que me provocou insônia.

Ocorreu-me perguntar-me qual era a diferença entre o quadrado de um número e o produto de seus vizinhos ao lado: 10 x 10 é igual a 100, e 11 x 9 é igual a 99: um número a menos. Era interessante constatar que a diferença entre 6 x 6 e 7 x 5 era exatamente a mesma. E com crescente interesse descobri e provei algebricamente a lei de que este produto deve ser sempre um menos que o quadrado. O passo seguinte foi considerar a conduta do vizinho do lado, mas só de um. E foi com grande satisfação que revelei a mim mesmo todo um sistema de conduta numérica acerca da qual meus professores de matemática deixaram-me em completa ignorância (alegro-me em dizê-lo). Meu espanto aumentou quando resolvi as séries de 10 x 10 = 100, 9 x 11=99, 8 x 12=96, 7 x 13= 91... e constatei que as diferenças eram sucessivamente 1, 3, 5, 7 a série de números ímpares. Maravilhado fiquei ao descobrir que, subtraindo cada produto sucessivo de 100, produz-se a série 1, 4, 9, 16".

"Eles nunca me disseram, e eu jamais suspeitara que os números fizessem estes formosos jogos, um com o outro, de eternidade a eternidade, independentemente (aparentemente) do tempo, do espaço e da Mente humana.

Foi um vislumbre impressionante de um universo novo e perfeito. Então supus o que sentiram os pitagóricos quando fizeram estes mesmos descobrimentos. A verdade última e simples que os jônios estavam tratando de descobrir em algo físico, era realmente o NÚMERO. Disse Heráclito que tudo está sempre mudando? Aqui há coisas que não mudam, entidades eternas, livres da carne que se corrompe, independente dos sentidos imperfeitos, perfeitamente concebíveis à Mente. Mais ainda: posto que o número foi concebido especialmente, estas entidades matemáticas tinham uma qualidade que os gregos denominavam de qualquer coisa perfeita: eram simétricas, sendo o Logos (ideia) existente nela, um padrão".

As "Tábuas de Pitágoras", consideradas reverentemente como algo milagroso pelo mundo antigo, eram simplesmente o que agora chamamos de tábuas de multiplicação (tabuada). A geometria escolar, hoje considerada algo simples, e casual, comoveu a gente grega.

Em uma lição anterior mencionamos a lei de vibração musical, a que Pitágoras descobriu para o mundo ocidental. Segundo ela, quando se duplica um certo número de vibrações, produz-se um som que é a oitava do primeiro som. E uma coisa bem curiosa, algo similar, pode ser encontrada na astronomia. Os metafísicos e os ocultistas geralmente consideram-se um exemplo da maneira com que o número governa a criação e todos os fenômenos materiais. Sabemos dos "números mágicos" da física nuclear e de que os átomos que têm certos números definidos de cargas no núcleo, constituem os mais estáveis, sendo estes os átomos fundamentais do universo natural.

Na astronomia foi descoberta uma lei chamada Lei de Bode, que novamente exemplifica a Lei dos Números e seu concomitante de vibração. (Os físicos modernos falam comumente de "frequências vibratórias" ou simplesmente de "frequências". Mas estas "frequências", todavia, referem-se à vibração, ou formas de vibração, no sentido mais antigo do tempo).

A Lei de Bode em astronomia não é mais que uma lei de números, uma lei das relações numéricas que existem entre os Planetas e o Sol do nosso Sistema Solar, pela qual as distâncias entre os Planetas e o Sol ocorrem segundo uma progressão numérica definida. Max Heindel comenta a Lei de Bode no livro "Astrologia Científica e Simplificada", cuja leitura recomendamos aos estudantes. Ele afirma: "A lei é esta: se escrevemos uma série de quatro números, adicionando 3 ao segundo, 6 ao terceiro, 12 ao quarto, etc., duplicando a quantidade somada cada vez, a resultante série de números constitui uma aproximação acentuada das distâncias relativas entre os Planetas e o Sol, com exceção de Netuno". No lugar deste poderíamos colocar Plutão, que não havia sido descoberto no tempo de Max Heindel, porém, situa-se no lugar correto segundo a Lei de Bode. Plutão, com efeito, encontra-se no lugar em que, segundo a Lei de Bode, deveria estar Netuno, estando este ao redor de 800 milhões de milhas do Sol. Alguns astrônomos creem, portanto, que Plutão é realmente um satélite que uma vez girou em torno de Netuno. Afirmaram mais: algum acontecimento cósmico ensejou a que os dois corpos se separassem, tomando suas posições atuais, com Netuno muito próximo e Plutão ocupando a órbita original pertinente a ambos os corpos celestes.

Não existe razão conhecida do "porquê" na música, duplicando as vibrações produz-se um tom que, para o sentido humano é a oitava do som repetido ou duplicado. Não existe razão alguma do porquê duplicando o número somado a quatro (o número 4 mesmo é igualmente inexplicável) devem produzir-se os números indicativos das distâncias relativas entre os Planetas e o Sol e um do outro. Isto é o que encontramos e o ocultista considera-o como outro exemplo da Lei de Vibrações que pertence a esse Tom Universal, ou Som da Palavra Cósmica, que ao ser emitido dá existência à criação, mantendo o universo mediante suas harmonias.

A seguinte representação da Lei de Bode completa a explicação de Max Heindel em "Astrologia Científica Simplificada":

Mercúrio...............4
Vênus....................(4-3)
Terra......................(4-6)
Marte.....................(4-12)
Asteroides..............(4-24)

Júpiter.....................(4-48)
Saturno....................(4-96)
Urano.......................(4-192)
Netuno.....................(4-384)

Se dividimos a série anterior por 10, obtemos como convencionando a distância da Terra ao Sol, e os outros Planetas em termos da distância da Terra ao Sol: perto de 149.668.992 de quilômetros.

Na página 6 do Livro Astrologia Científica e Simplificada, Max Heindel indica os números relativos da Lei de Bode, com Netuno ocorrendo com 38,8, se bem sua distância real esteja representada pelo número 30. Agora colocamos Plutão na lista, abaixo de Netuno, e encontramos o número "real" de Plutão: 39,5, que é unicamente subtraído ao número de Netuno, conforme a Lei de Bode.

 

O cientista analisa os fatos da ciência, contudo o filósofo da ciência pondera acerca destes fatos e os interpreta em termos da verdade, da consciência ou da Religião, ou de qualquer outra coisa que lhe agrade. Todo ser humano pensante é, portanto, um filósofo da ciência, e muitos dos grandes descobrimentos no domínio da lei científica chegaram a produzir-se mediante a filosofia dos leigos.

Não podemos então filosofar nesse assunto da Lei de Bode e da deslocação do Planeta Netuno? Os números são os indicadores da ação das grandes Leis da Vibração. O padrão tonal do nosso Sistema Solar implica em que um corpo cósmico exista no campo entre Marte e Júpiter, e no ponto onde Plutão tem sua órbita.

Rudolf Thiel, escritor alemão versando em astronomia, conta a história de como a Lei de Bode mereceu aprovação com o descobrimento do asteroide Ceres, o primeiro asteroide descoberto, no ano de 1801. No ano seguinte foi descoberto Palas, logo após Juno e posteriormente Vesta. Dois mil (2.000) asteroides foram registrados desde essa época, mas o número daqueles ainda não descobertos é estimado por alguns astrônomos como sendo mais de 50.000.

Os astrônomos e os leigos perguntaram-se se talvez um Planeta se encontrou certa vez em uma órbita entre Marte e Júpiter, e ao explodir deixou estes fragmentos. Outros opinam tratar-se de fragmentos de luas que giraram em redor de outros Planetas: de Mercúrio e Vênus, de Marte e Júpiter, e ainda de Saturno. Também se julga que talvez alguns dos cometas e meteoros que pertencem ao nosso Sistema Solar são fragmentos de Planetas que explodiram no espaço cósmico e logo retornaram. O cometa de Enke, com uma evolução orbital de somente 3 1/3 de anos, cai dentro da órbita de Mercúrio, entre Mercúrio e o Sol, sendo denominado de "Vulcano" por alguns antigos astrônomos, enquanto outros afirmam que o misterioso Vulcano nunca foi um Planeta, mas sim em realidade o Sol Interior. O asteroide Hermes viaja muito próximo à Terra, quase junto à Lua. E temia-se há poucos anos, que o asteroide Eros passasse raspando a Terra. Contudo, passou a grande distância e não houve incidentes. O cometa Halley mantém um ciclo de aproximadamente 76 anos, viajando fora da órbita de Netuno, entre Netuno e Plutão, e regressando novamente ao Sol.

Puderam Pitágoras e seus colaboradores conjeturar sobre um lugar vazio no esquema solar, especulando sobre um Planeta desintegrado ou perdido? É inquestionável que eles estabeleceram dados para os corpos celestes, porque calcularam o tamanho e a distância do Sol e da Lua, a partir da Terra. Houve, porém, um erro considerável em seus cálculos. Talvez o mito dos "anjos caídos" provenha da memória de alguma catástrofe cósmica relativa ao Planeta que explodiu entre Júpiter e Marte, porque tal explosão deve ter abalado todo o Sistema Solar. A Terra, por exemplo, pode ter trepidado em seu eixo, dando origem ao mito grego de Faeton, quem, segundo se diz, conduzia o carro do Sol, mas perdeu o controle de seus cavalos. Assim, o Sol passou a dançar aqui e ali, acima e abaixo, no firmamento.

Os Sete Espíritos Planetários foram conhecidos pelos gregos como os sete titãs. E há uma lenda da guerra dos titãs com Urano, cujo nome significa céu.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz em 12/1975)