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O Som e os Éteres – II

O Som e os Éteres – II

Há somente três décadas a ciência chegou a compreender que a vibração da voz é transmitida tanto através dos ouvidos como da garganta e da boca. Isto poderia ter sido antecipado, posto que sentimos as vibrações vocais agitando a estrutura óssea do crânio. Porém, como muitos outros fenômenos, passou despercebido. Agora, não obstante, sabemos que os inventores estão tratando de aperfeiçoar dispositivos que permitam a pilotos de aviões emissores de sons de alta potência, "falar com seus ouvidos" por meio de um microfone especialmente desenhado que capte naturalmente a linguagem articulada. Os sons secundários são transmitidos mediante auriculares de estetoscópio. O cientista não sabe, todavia, como é transmitida a linguagem auricular, mas supõe ser pelas trompas de Eustáquio, ou talvez, pelos ossos da cabeça, ou por ambas as vias.

Evidentemente, alguns dos ruídos da cabeça ou tinnitus de que falam os médicos, devem também pertencer às ondas de linguagem transmitida desta maneira ao cérebro do paciente, além dos perfeitamente normais sons etéricos transmitidos ao "ouvido interno" do Corpo Vital, que está incluído com o outro ouvido físico no processo da audição. Os clariaudientes comentam o fato de que ao ouvir sons dos planos espirituais, algumas vezes, são conscientes de vibrações na língua, boca e garganta, assim como no ouvido, demonstrando-se que existe uma resposta simpática por todas as partes.

 

Os físicos afirmam haver muitas classes de ondas sonoras, algumas demasiadas altas para serem ouvidas por ouvidos humanos e outras demasiadas baixas. As ondas sonoras abaixo de 500 ciclos por segundo, os ouvidos de um gato podem não ser tão sensíveis como os do ser humano. As mais baixas notas, para as quais o ser humano é sensitivo, são realmente sentidas mais que ouvidas. Uma frequência de 20 segundos soa não como um tom, mas como som palpitante baixo. As notas demasiada baixas para serem ouvidas são algumas vezes sentidas como vibrações no Corpo.

A isso o ocultista acrescenta que os processos vitais do Corpo que residem no campo eletromagnético emitem vibrações, ou são vibrações percebidas pelo ouvido etérico interno sob circunstâncias especiais. Os sons do Corpo Vital são tanto subsônicos como supersônicos, mas são gerados dentro do Corpo: não se originam no exterior. Ao mesmo tempo é evidente por si mesmo que tanto os "subsônicos" como os "supersônicos" atuam sobre o Corpo Vital desde fora e podem matar se usados de certa forma, ou promover vida e saúde se empregados de outra.
Em um antigo escrito como resposta a uma pergunta em nossa revista "RAYS FROM THE ROSE CROSS" (novembro de 1964, página 517) encontramos algum material significativo sobre o som e seus efeitos. O consulente disse: "Muito se faz no campo da vibração; e demonstrou-se que a enfermidade e a saúde são questão de vibrações e de ritmos variáveis. Se se pode romper o ritmo em um dado lugar e impor um novo tempo sobre eles, aparentemente os prótons e os elétrons voltam a reunir-se em diferentes proporções, formando um padrão diferente: aparece um tecido ou substância de diferente classe. Este processo demonstra que dentro do ser humano há uma vontade ou força que pode atuar desde os modelos segundo os quais constroem seus tecidos, e mudando seu ritmo pode produzir outro desenho no mesmo espaço".

Dá-se-lhe a seguinte resposta: "Se nos assegura por parte da ciência oculta que não há limite para o poder do espírito na cura, de tal modo que podemos dizer com segurança: qualquer enfermidade pode ser curada. Isto nos foi demonstrado por Cristo Jesus em Seu ministério. Porém, nem toda pessoa encontra-se qualificada para efetuar uma cura fenomenal instantânea... O ponto de vital importância é a transformação que deve partir de dentro do indivíduo... O finado Dr. Alexis Carrel afirmou em seu livro "O Homem, este Desconhecido", que viu tecido materializado e um membro reconstituído em um caso que observou no Santuário de Lourdes".

O que escreve cita então a afirmação de Max Heindel: "O Corpo Vital emite um som idêntico ao zumbido de um besouro. Durante a vida estas ondas sonoras etéricas atraem e colocam os elementos químicos de nosso alimento de tal modo a formar órgãos e tecidos. Conforme as ondas sonoras etéricas do nosso Corpo Vital estejam em harmonia com a nota-chave do arquétipo, os elementos químicos com os quais nutrimos o Corpo Denso são adequadamente dispostos e assimilados, e a saúde prevalece... mas no momento em que as ondas sonoras do Corpo Vital variam em relação à nota-chave arquetípica, esta dissonância coloca os elementos químicos do nosso alimento em uma disposição incongruente com as linhas de força do arquétipo."

Os Auxiliares Invisíveis pertencentes às Escolas de Mistérios, tais como a Ordem Rosacruz, da qual a Fraternidade é o canal preparatório, são ensinados a utilizar o som em seu trabalho de cura nos planos internos. Isso consiste em emitir um som que se harmoniza com a nota-chave do Corpo do paciente, a qual o Auxiliar pode ouvir quando se encontra fora do Corpo, e isto ajuda a realinhar os elementos orgânicos em harmonia com a nota-chave.

O ultrassom é muito utilizado na sociedade humana. Os cirurgiões usam-no, e aperfeiçoam meios para empregá-lo na cirurgia cerebral. É especialmente útil neste campo devido a que os vasos sanguíneos são muito resistentes às ondas sonoras, e assim a perigo de hemorragia diminui consideravelmente. Mais ainda: a onda sonora pode ser enfocada tanto na matéria branca como na matéria cinzenta do cérebro.

Todos esses descobrimentos da física moderna indicam uma renovação das técnicas conhecidas pelos ocultistas há muitos séculos por intermédio das quais o som foi invocado, usualmente em várias formas de canto, para produzir curas milagrosas. A ciência está, verdadeiramente, no umbral do descobrimento da "Palavra Perdida".

O Corpo etérico é capaz de receber sons exteriores em forma de vibrações o que, se está em harmonia com a nota-chave arquetípica que enseja a nota-chave do Corpo Vital, fortalece os modelos etéricos construídos pelo arquétipo e promove a saúde. Mas se pelo contrário, o som não se harmoniza com a nota-chave arquetípica, então tenderá a romper os modelos etéricos, podendo produzir a enfermidade e a morte.

"Por esta razão, muito daquilo que é denominado 'música moderna' pode deixar os nervos em frangalhos".

Contudo, a música moderna não é inteiramente má. Introduziu ritmos novos e surpreendentes que ensejam o efeito benéfico de destruir modelos antiquados de pensamento e emoção, e de afrouxar alguns, dos modelos cristalizados do Corpo Vital da raça humana. Alguma destruição é necessária para que se dê um passo adiante na evolução, de modo a eliminar as condições cristalizantes. O processo de industrialização até metade do presente século, trouxe muita depressão às vidas dos povos do mundo ocidental, e somente os violentos ritmos de jazz e outras excentricidades da música moderna puderam rompê-la. Para milhões de trabalhadores mergulhados na apatia e no desespero, os excitantes alaridos e os rugidos reverberantes da orquestra de jazz foram uma bênção, devolvendo-lhes uma renovada esperança e interesse pela vida. Mas, uma vez realizada a obra de despertar o ser humano do século vinte da apatia, florescem condições no sentido de realizar-se algo construtivo. Isto se torna possível agora sob os albores de Aquário, à perspectiva de um novo tipo de música.

De todos os órgãos dos cinco sentidos, o ouvido é o mais altamente desenvolvido. Depende de sua sensibilidade mais que qualquer outro órgão sensorial, porquanto a música tem o poder de conectar o Ego diretamente com a Região do Pensamento Concreto - a pátria da música – onde os arquétipos de tudo o que existe são construídos por sons musicais. E, diga-se de passagem, o ouvido está longe de ser o maravilhoso instrumento que está destinado a ser algum dia. Por exemplo: "há cerca de 10.000 fibras de Corti localizadas no ouvido interno, cada uma capaz de interpretar aproximadamente 25 gradações de tom em cada ouvido. Na presente época, o ouvido de uma pessoa normal não responde mais que de 3 a 10 das possíveis 250.000 gradações de tom. Assim, nos damos conta de que o sentido da audição se encontra na mesma condição do sentido da visão; existe uma possibilidade de ouvir-se inumeráveis sons, tal como de perceber-se muitas gradações de luz. Tempo virá, dizem os ocultistas, em que os sentidos da visão e audição não mais se localizarão em determinadas áreas, mas estarão distribuídos por todo o Corpo: o ser humano verá e ouvirá com a totalidade do seu Corpo. Então, a visão e a audição mesclar-se-ão em um só sentido, o qual poderá "ver o som" e "ouvir a cor". Os sentidos do paladar e do olfato também se unificarão. Os dois novos sentidos absorver-se-ão na faculdade da SENSAÇÃO, que por sua vez manifestar-se-á como conhecimento, e a laringe emitirá a "Palavra Criadora".

(Publicado na Revista 'Serviço Rosacruz' – 10/75 – Fraternidade Rosacruz)