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O Testamento de João Batista

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O TESTAMENTO DE JOÃO BATISTA

 

 

Por

 

F. PH. Preuss

 

 

 

Fraternidade Rosacruz

 

 

 

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

 

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz de Santo André – SP - 1974

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

 

 

www.fraternidaderosacruz.com

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O TESTAMENTO DE JOÃO BATISTA

“Conheço tua conduta: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, nem frio nem quente, estou para te vomitar de minha boca” (Ap 3:15-16).

O autor deseja, antes de mais nada, dirigir algumas palavras ao prezado leitor, a respeito da severidade com que são feitas certas afirmações no decorrer deste artigo. Elas não se destinam a nenhuma organização religiosa, e sim a todos aqueles que sinceramente desejam seguir a Ordem de Melquisedeque, isto é, a Ordem Sublime do Cristo Espiritual.

A separação dos Mundos Espiritual e Material acentua-se cada vez mais. Soa, pois, a hora da decisão final, contra ou a favor de Cristo que neste final dos tempos, encaminha suas ovelhas a pastos Espirituais, isto é, a um outro Reino, que não é deste mundo. Jesus bem o disse: “Meu Reino não é deste mundo”. E este anúncio do Novo Reino foi perfeitamente compreendido por João Batista, último Profeta em Israel, que servia de arauto da Nova Era, preparando e endireitando as veredas do Senhor dos Exércitos Espirituais. Pela sua boca falava o Espírito Santo, assim como sucedeu a todos os profetas surgidos até então. Em João cerravam-se as portas do passado, do Velho Homem, tendo início a alvorada do Novo Homem. Estes acontecimentos estão bem representados pelas figuras de João e de Jesus. João, como preparador das veredas para o Novo Homem, pregava no deserto, batizando para o arrependimento com as seguintes palavras:

“Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”[1].

As páginas que se seguem, portanto, têm como finalidade trazer, a visão interna do leitor, a diferença entre estes dois batismos a que João se refere. Esta diferença deve, portanto, ser esclarecida, trazida à luz da razão e da lógica. Assim, se surgirem durante os esclarecimentos que desejamos fazer a respeito deste acontecimento, já tão discutido pela massa, palavras um tanto severas, isto não significa que seja, mas, sim, que existe em nós o desejo de cooperar para um melhor entendimento da missão de Cristo em sua atividade libertadora, bem como do trabalho de João Batista, que veio para preparar os caminhos do Senhor da Terra. Da missão transcendental de João, Ele mesmo dá testemunho chamando-o de muito mais que profeta (Mt 11:9). Portanto, ser muito mais que profeta, é estar acima da humanidade, e também daqueles que anteriormente foram chamados para suas respectivas missões como profetas. Convém frisar que aquele que dá testemunho de João é o próprio Senhor, em quem depositamos inteira confiança. Os anais místico-esotéricos revelam que João é o próprio Elias reencarnado, e, portanto, um Ser de grande evolução espiritual no círculo cósmico. Elias, segundo o Velho Testamento, cerca de 800 anos antes de Cristo, subiu aos céus num redemoinho de fogo, ante os olhos estupefatos de seus Discípulos. E esse mesmo Elias foi de novo enviado para preparar o caminho do Senhor, que viria para batizar com Fogo e Espírito. Se retornarmos ao Evangelho de Lucas cap. 12 vers. 49 podemos complementar esse fato, com as seguintes palavras de Cristo: “Vim lançar fogo sobre a Terra e bem quisera que já estivesse a arder”.

E nos versículos 50 e 51 lemos: “Tenho, porém, um Batismo, com o qual hei de ser batizado; e quanto me angustio até o mesmo se realize. Supondes que vim para dar paz a Terra? Não, eu vo-lo afirmo, antes vim trazer divisão”.

Se imaginarmos a profundidade do momento em que foram pronunciadas tais palavras, que inspiram força e domínio espirituais sem par, e procurarmos senti-las ecoando em nosso íntimo, em nosso próprio espírito, poderemos compreender perfeitamente este instante supremo da mudança dos tempos, da substituição do velho batismo pelo novo batismo de fogo e do espírito, ocorrido logo após o singular batismo pelo qual o Senhor, antes, haveria de passar: o Batismo de Sacrifício no Gólgota. Somente após este Sacrifício tornou-se possível o batismo prometido por Cristo, quando o FOGO DE SEU ESPÍRITO JORROU SOBRE O UNIVERSO. Eis aí então, o lançamento sobre a Terra de Seu Fogo Espiritual, que vem para separar o joio do trigo, ou, segundo outras palavras do evangelho, “os bodes das ovelhas”. Todo estudioso do ocultismo sabe perfeitamente, que somente através do sacrifício de sangue é possível a salvação, a libertação da matéria. Assim, Jesus, o Senhor, projetou sobre a humanidade, o Fogo do Espírito, sendo o primeiro ressurreto de sangue. Portanto, todo aquele que passa pelo batismo do Fogo e Espírito, é estigmatizado, recebe os sinais do sacrifício de sangue. Muitos se admirarão de nossas palavras e julgá-las-ão obscuras. Outros nos tacharão de temerários por estarmos revelando segredos que devem ser mantidos em sigilo, e que somente devem ser reservados aos poucos escolhidos. Nós, porém, dizemos: OS TEMPOS SÃO CHEGADOS.

Muito do que estava em oculto será revelado; Cristo rasgou o Véu do Santo dos Santos, abrindo o caminho para todo aquele que queira vir e herdar a Sabedoria dos Tempos.

As religiões hoje em dia perdem cada vez mais sua força e valor efetivos, assim como sucedeu as religiões do passado. Isto aconteceu devido ao avanço e a evolução das várias filosofias e ciências conquistadas, pela humanidade, até o presente. Conceitos, rígidos, dogmáticos, foram despejados de bordo do navio evolutivo por serem um lastro inútil que vinha pesando sobre a força mais lúcida em avanço. A espiral da sabedoria cada vez mais toca alturas fecundas no que se refere aos conhecimentos gerais, e mais se aproxima de verdades maiores, deixando de admitir conceitos obsoletos e ultrapassados. Os conceitos rígidos e dogmáticos estão sendo repelidos pela marcha inexorável da evolução. O Cristianismo, desde o seu início, vem sofrendo os impactos destruidores da inteligência humana, em detrimento da elevada posição espiritual oferecida a toda humanidade desde o advento do Novo Batismo. O intelecto humano, com suas mil e uma acrobacias, conseguiu arrastar em seus trilhos a quase totalidade dos seres humanos, numa direção totalmente antidivina, corrupta. O que revelaremos mais adiante neste humilde trabalho vem propor aos seres humanos uma mudança completa no conceito do batismo. Uma mudança que venha mostrar, positivamente, que é possível arrancar a humanidade deste beco sem saída onde se embrenhou. E para tanto, afirmamos, não falta auxílio da Hierarquia Espiritual, presidida por Cristo desde o seu sacrifício, de modo a inverter a marcha degenerescente para um sentido regenerador.

Infelizmente, como bem atestam os fatos históricos, após o supremo sacrifício de Cristo, teve início a divisão da Cristandade. O ensinamento Universal foi dividido por uma Igreja que se denomina Cristã Oriental e outra Ocidental. A cisma protestante, por sua vez trouxe a divisão da Igreja Ocidental em inúmeras outras igrejas que, em nome de Cristo se digladiaram em sangrentas guerras religiosas, desde o século XV e XVII. E assim o Filho de DEUS teve o seu ensinamento esfacelado, desvirtuado de seu verdadeiro sentido libertador. Dogmas, os mais diversos, dos quais Cristo jamais falou ou ensinou, foram inventados. Foi introduzido no conceito religioso o paganismo e a astúcia dos seres humanos, que malevolamente desejavam a todo custo dominar as massas, pretendendo fechar as portas dos Céus a todos àqueles que insistissem em seguir os puros ensinamentos do Cristo, em troca de um céu imaginário por eles inventado.

Nós, particularmente afirmamos que é chegado o tempo de abolir o batismo da água, já na época de Cristo julgado insuficiente e transitório conforme atestam as próprias palavras de João: “Eu vos batizo com água para arrependimento; mas Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu: cujas sandálias não sou digno de levar; Ele vos batizará com o Espírito Santo e com Fogo” (Mat. 3:11). Tornou-se necessário passar pelo batismo do Novo Ser Humano (Fogo e Espírito) porquanto as velhas coisas encontravam-se no princípio do fim.

Os doutores da lei mosaica, convertidos apenas superficialmente ao cristianismo, reintroduziram o batismo da água, aplicado pelos Israelitas no Mar Morto (Essênios).

Da mesma forma operou-se a introdução do paganismo no seio das igrejas, por meio de incenso e imagens mortas de Deus, feitas de pedras e de madeiras, sinal inequívoco de regressão a idolatrias já condenadas pelo Velho Testamento! O “Não façais imagens de escultura e pedra, do Senhor”, e, depois pelo Novo Testamento: “Deus é Espírito e Verdade, e assim deve ser adorado”. Cristo não ensinou a aplicação de saliva ao adulto ou recém-nascido durante o batismal, levado a efeito entre os pagãos de Roma, pelas sacerdotisas conhecidas como Sibilas (Adivinhas da Mitologia Greco-Romana). Nos tempos atuais, quando se prega o ecumenismo (sem dúvida uma outra farsa das Igrejas Ortodoxas) atuais fariseus e escribas, interessados na separação por ideias e atitudes personalistas, demonstram cabalmente que, o que realmente buscam não é o único e verdadeiro Deus. Eis aí o grande Mal de todos aqueles que desejam dominar a humanidade. Devemos lembrar-nos que no tempo de Jesus, um Único Sumo-Pontífice dirigia o Sinédrio como todo-poderoso dos Judeus. E hoje, quantos pseudo-pontífices existem nesta variedade de Sinédrios, intitulados cristãos?

Se dizemos tudo isso aqui, o fazemos com profunda dor e anelo intenso de ver acabarem-se por completo os erros e intrigas entre os que se chamam cristãos. Cristo trouxe, pelo Batismo do Fogo, novas condições atmosféricas e espirituais, a fim de limpar todo rebento da velha árvore, para que dê novos frutos. Portanto, insistimos em considerar apenas válido o BATISMO DO FOGO, preconizado por João e consumado em Cristo. Este batismo foi sofrido por Paulo de Tarso no caminho de Damasco quando, consoante o relato nos Atos, ele foi ofuscado até a cegueira completa durante dias, pela Luz de Cristo.

No Pentecostes deu-se a mesma coisa. A mesma Luz que brilhou sobre Paulo envolveu os Apóstolos em seus corações, ensinando-lhes a presença de Deus em seu interior.

No acima exposto não desejamos, absolutamente, condenar aqueles que se deixam batizar na Santa Trindade de Deus, e nem tampouco aqueles que conferem este batismo, utilizando em seus processos mágicos a água. Todas as religiões têm pleno direito de fazer uso de seus poderes mágico-ritualísticos em favor da fé que confessam. Assim, o batismo nas congregações cristãs, mesmo com alguma modificação ritualística (referimo-nos a nossos irmãos católicos e protestantes), tem o seu valor como base de salvação e santificação. O batismo apenas representa um valor a ser adquirido pelo batizando, isto é, a sua introdução na Igreja Santa e Una, a Igreja Invisível, tão bem conhecida pela massa como CORPUS CHRISTI, a Santa Comunhão dos Eleitos. Daí poder-se falar de uma vida verdadeiramente Cristã.

Na realidade, as diferentes Igrejas pretendem, cada qual a seu modo, possuir as chaves de um reino de bem-aventurança, em perfeita união com Deus. Um leigo simples e inteligente ao ouvir tais declarações lança a seguinte pergunta: “Sendo assim, deve-se considerar totalmente impossível uma comunhão com o Criador sem a interferência da Igreja?” Será necessário, para tanto, a intervenção episcopal?

Isto nos leva novamente ao tema do batismo, o qual é considerado como o bálsamo supremo para aliviar o ser humano de suas penas e salvá-lo de suas maldades, ou melhor, da maldade cometida por seus primeiros pais, Adão e Eva, no Jardim do Éden. A existência cerimonial do batismo explica-se por aquilo que se denomina exorcismo do diabo, o qual, a partir da queda do ser humano, passou a dominar o mundo.

Já dissemos anteriormente que as Escrituras apresentam dois diferentes batismos: o primeiro pode ser definido como Arrependimento, segundo as próprias palavras de João, o Batista. (Mt 3:11). Assim como João, os Israelitas Essênios no Mar Morto batizavam com água para o arrependimento dos pecados.

Logo em seguida vemos Jesus sendo batizado por João aos 30 anos de idade, tornando-se, a partir daí o Cristo, Aquele que não mais batizaria com água e sim com Fogo e Espírito, de acordo com o testemunho de João.

Assim o Fogo do Espírito Santo foi aplicado a toda a humanidade para salvação, e não mais para arrependimento. Esta é a grande diferença entre o Batismo da Água e o Batismo do Fogo e Espírito. Podemos dizer que o Batismo da Água provoca o conhecimento do mundo espiritual por sufocação, enquanto o Batismo do Fogo e Espírito Santo leva a uma comunhão direta com o Fogo do Cosmos do Espírito Universal. Esperamos que o amado leitor nos tenha acompanhado atentamente até aqui, não em espírito de aceitação ou negação daquilo que vimos expondo, mas, investigando juntamente conosco, desbravando corajosamente, sem quaisquer prejuízos, este grande emaranhado de erros e superstições em torno do Evangelho. Isto equivale a uma libertação de todo elemento estranho à verdade, venha ele de onde vier.

No Evangelho segundo Mateus, Cap. 3, versículo 11 encontra-se escrito, como já mencionamos:

“Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”.

Este pronunciamento vem de João Batista; eis que, de maneira alguma poderá ser modificado ou torcido, tão positivo ele é. Dizemos: água é água e fogo é fogo! Alguns dos leitores bem poderiam inquirir a respeito da idoneidade de João. O Profeta Isaías, 748 anos antes de Cristo, fala no Capítulo 40, versículo 3, as mesmíssimas e célebres palavras de João Batista, isto é, proclama a vinda de um precursor:

“Uma voz clama: ‘No deserto, abri um caminho para o Senhor; na estepe, aplainai uma vereda para o nosso Deus”.

Completam-se estas mesmas palavras, após quase 750 anos, no Evangelho de Mateus, Capítulo 3, versículos 1, 2 e 3 com o seguinte:

“Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizendo: ‘Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo’. Pois, foi dele que falou o profeta Isaías, ao dizer: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, tornai retas suas veredas”.

Dessa maneira bem podemos compreender que, assim como chegava o REINO DOS CÉUS com a vinda do Senhor, haveria, naturalmente, uma mudança dos tempos, o que de fato se deu. Como prova disto, passamos novamente à palavra do Santo Livro, a Bíblia, que no Evangelho de São Mateus, Capítulo 3 e versículos de 13 a 17, diz o seguinte:

“Nesse tempo, veio Jesus da Galileia ao Jordão até João, a fim de ser batizado por ele. Mas João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’. Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar por enquanto, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’. E João consentiu. Batizado, Jesus subiu imediatamente da água e logo os céus se abriram e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele. Ao mesmo tempo, uma voz vinda dos céus dizia: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’”.

Pelo diálogo acima, entre João e Jesus, damo-nos conta de que ambos tinham conhecimento do Batismo vindo das Alturas. Logo já sabia, antes, do Batismo de Fogo que sucederia ao Batismo de Água. Por isso testemunhou visualmente este Batismo, quando viu abrirem-se os Céus e o Espírito Santo (Fogo) desceu como pomba, com o propósito de tocar o Mestre. Logo, impõe-se historiarmos as duas formas de batismos, isto é, o de Água e o de Fogo, pois se trata de dois mundos; ou estados de consciência diferentes. O cristianismo popular até agora falou apenas da necessidade da água, tendo-a sempre utilizado em seus ritos. Entre os ocultistas, principalmente entre os maçons e Rosacruzes, a hierarquia esotérica católica é conhecida como Filhos da Água, ou de Seth, ao passo que o Maçom místico e esotérico recebe o nome de Filho do Fogo, ou de Caim.

O exposto nos suscita a seguinte pergunta: qual a razão do Batismo da Água, desde que já se havia anunciado o advento daquele que batizaria com Espírito? Em verdade, trata-se de dar ao candidato dos mistérios o conhecimento de seu estado espiritual. Os israelitas Essênios que formavam uma comunidade à parte, a qual pertencia João Batista, filho de Isabel e Zacarias, sabiam que, quando se submerge alguém na água, os seus corpos sutis, por falta de condições biológicas de respiração de ar abandonavam, em parte, o veículo denso (corpo físico), da mesma forma como acontece num afogamento. Antes de o indivíduo afogar-se completamente, o espírito encontra-se consciente dentro de seu nível interno, conhecendo-se a si mesmo como um ser espiritual entre outros seres semelhantes, que se encontram em seu nível, estando só parcialmente ligado ao seu corpo. Acontece, porém, que esse quase afogamento, sem dúvida, era uma operação um tanto brutal, causando algum sofrimento. Os Essênios conheciam perfeitamente o ponto exato em que o candidato aos mistérios podia ser novamente levado para fora da água, enriquecido com os conhecimentos obtido nos planos superiores. Dessa forma, o candidato tinha plena certeza da existência de uma vida espiritual, o que o levava a morrer para tudo quanto é material. Ele era um morto para o mundo, e nascido para os Céus. Esclarecido isto, pudemos agora dizer algo a respeito do Batismo do Fogo e Espírito, ao qual João se refere. Saibamos, outrossim, que não somente o iluminado João Batista falava pelo Espírito Santo, como também todos os profetas do Antigo Testamento.

Vimos que, na ocasião do Batismo do Senhor Jesus, os Céus se abriram, e o Espírito Santo desceu como Pomba sobre Ele. Aquilatamos este acontecimento com uma maior compreensão espiritual: João tinha visão espiritual, tendo visto, portanto, a descida do “FOGO ESPIRITUAL DO ESPAÇO UNIVERSAL” como uma pomba, o que esotericamente compreendido significa: PAZ, REINO DOS CÉUS. Nesse mesmo instante foi conferido o Verbo a Jesus, e esse mesmo Verbo diz: “ESTE É O MEU FILHO BEM AMADO, EM QUEM ME COMPRAZO”.

Cientificamo-nos da grande importância da manifestação pela luz, conforme relata o primeiro Capítulo do Evangelho de João. O Verbo-Deus manifestando-se como Luz ao mandato: FIAT LUZ (Faça-se a Luz), pronunciado pela essência do Fogo-Luz, O VERBO ABSOLUTO. Marquemos profundamente em nossas mentes essa abstração, pois é a chave para muitos mistérios.

Sabemos perfeitamente que Jesus, em existências anteriores, vivera na personalidade de Salomão, na Judeia, e como Krishina, na Índia, sendo ali conhecido como um Salvador. Nestas duas personalidades habitava a Fogo do Espírito Santo, não havendo, porém, a manifestação mais abundante, plena, do Espírito do verbo, o que se deu na personalidade de Jesus de Nazaré, que se transformou, por isso, em Salvador do Mundo. Cristo, o Princípio da Criação, desde esse instante, passou a guiar a humanidade por força da essência do Fogo (Luz), do qual era portador puríssimo o sangue de Jesus, que posteriormente foi derramado e infuso no globo terrestre. Ele é a Luz e o Amor do Pai, para que, auxiliados por essa Luz e Amor infinitos, os seres humanos de boa vontade dessem início ao seu trabalho de construção do novo Templo da humanidade, tendo Cristo como Pedra Angular. A presença do Cristo Solar garantia dessa maneira a Terra e a Humanidade, o regresso ao Sol, a sua origem. Essa atuação irradiante da Luz Cósmica era decisiva, peremptória, não havendo, portanto, outra via, pois, o Céu se havia movido a favor da Salvação da humanidade. O Mundo não haveria de perecer, mas seria salvo, e desse modo a ESSÊNCIA DO FOGO, O VERBO, conferia a Jesus o Raio de sua excelsa atuação, a fim de que todos aqueles que cressem em Jesus, o Cristo, pudessem receber o Batismo do Fogo, com a finalidade da regeneração espiritual. Assim, todos morriam em Jesus, o Senhor, para renascer pelo Fogo do Espírito Santo em Cristo. Todo, pois, que aceita o sacrifício da Luz Universal, o Verbo por meio do Sangue de Jesus, traz em si, devido a esse derramamento de Sangue-Espírito, o sinal do Batismo do Fogo. Aquele que não traz esse Sinal encontra-se ainda preso às águas do Mar Morto do Velho Testamento, tal como ainda hoje se encontram as Sinagogas e Igrejas, que se dizem orientadas pelo Espírito Santo (Jeová) e para simbolizá-lo mantêm sempre acesas luzes vermelhas em seus Altares. Cristo, porém, não mais se manifesta por meio de luz externa alguma; Ele está presente nas almas de todos os seres humanos como Luz Salvador-Interna, atuando verdadeiramente em todos aqueles que vivem consoante a Lei de Deus, o Senhor do Verbo.

Segundo as palavras do próprio João Batista, o Batismo da Água vigorou até a vinda do Messias (Salvador). Ele havia sido empregado, cerimonialmente, para o arrependimento, desde a passagem dos israelitas no Mar Morto, até às águas do Jordão, como já mencionamos. Tudo não passava apenas de um Ritual, de uma confirmação do pacto feito entre Deus e o povo de Israel (Cor. I. Cap. 10, vers. 1-4). As palavras de João no Batismo de Jesus são totalmente radicais em sua oposição ao Batismo da Água, pois, como foi dito, Cristo liberta os seres humanos por um processo exclusivamente interno, coabitando, como Espírito Universal, como Energia Cósmica Irradiante, com toda a humanidade. Desde o seu advento, alimenta-se a humanidade então, pelo constante batismo de Luz e Fogo, que desce em ondas rítmicas, como Pomba (Paz) nas almas dos seres humanos, à semelhança do que se deu no Jordão, quando um Raio da Luz de Deus penetrou a alma do homem Jesus.

A partir daí, teve início o grande plano de redenção. Na Santa Ceia evidencia-se a vitória desse plano iniciado e em pleno andamento, a vitória da transformação, quando os doze Apóstolos recebem Pão e Suco da Videira (N.T. - não havia vinho, mas apenas pão, um produto vegetal, e o fruto da videira, outro vegetal. O suco recém-extraído da uva não contém um espírito proveniente da fermentação e decomposição, mas é um alimento vegetal puro e nutritivo), à semelhança do Corpo e Sangue de Deus. É de lamentar-se, no entanto, que a maior parte dos que se dizem batizados não tenham sentido ainda esta grande verdade, continuando, portanto, presos às águas do Mar Morto. Ressaltamos bem o fato, como já foi uma vez explicado, que o ESPÍRITO UNIVERSAL modificou, abruptamente, as condições cósmicas. O Céu se deu num amplo amplexo à Terra obscura. A continuidade do Batismo da Água, somente poderia trazer como efeito da extremada subordinação à lei e à letra, a separação da Cristandade em várias seitas.

Dessa forma a humanidade perdeu-se por caminhos ilusórios. Ao invés de preparar em si mesma, em sua alma, os caminhos do Senhor, continuou a crer mais na água morta que na espiritualização da mente e da alma. O Monte da Transfiguração tinha que ser alcançado na alma dos homens, assim como aconteceu com Cristo, pois a iluminação interna provém DELE para todos. Chame-se esta Luz como quiser, dê-se-lhe o nome que se queira dar. Não importa. É a mesma Luz da Sabedoria de Deus, o “FILHO BEM AMADO”. Deus deseja residir na alma do ser humano, internamente e para tanto, não precisa cerimonial externo algum. A humanidade deve assemelhar-se a Deus. E Deus é amor! Dessa forma, reconhecemo-nos uns aos outros na Luz e no Amor de Deus, para sermos reconhecidos no espírito que é de Deus. Todo aquele que confesse ter vindo Jesus-Cristo a sua carne, a sua alma, faz-se divino e nasce em Deus, e todo aquele que nega ter vindo Jesus-Cristo em sua carne e não libertado, o princípio espiritual divino, adormecido em seu interior, não é de Deus. Em verdade não há sinal externo que possa demonstrar a presença de Deus. Contudo acumulamos forças sobrenaturais facilmente reconhecíveis, se realmente pretendemos acompanhar a Deus em seus caminhos, em nossa alma, com aquela simples, quase infantil, compreensão de que DEUS É AMOR, e quem vive em amor, está em Deus e Deus nele (IJo 4:16).

Este amor sempre nos acompanha onde quer que estejamos. “E ainda que andemos pelo vale da sombra da morte, não temeremos mal algum, porque Tu estás conosco (Sl 23) mais próximo do que nossas mãos e pés”. À noite adormecemos com Ele, sonhamos com Ele, despertamo-nos com Ele, falamos cada palavra junto d'Ele. Em todos os nossos serviços, fazemo-Lo acompanhar-nos, numa constante transmissão de Amor, em inalterável serenidade e paz. Em tudo isso, reconhecemos a Sua Presença. E se nos amamos uns aos outros, conforme o seu mandamento, não tenhamos dúvida: Ele estará em nós, conferindo-nos o seu Batismo de Fogo e Espírito. A Água Viva brota de nosso interno Santuário, em transbordante amor para com tudo e com todos, trazendo-nos um vivo sentimento de união com todas as criaturas. Nessa universalidade divina, não há mais tempo, nem espaço, nem criatura, nem criador, nem razão, mas apenas UNIDADE, o ETERNO “EU SOU”, existência absoluta no Absoluto. Participamos deste elevado estado como Filhos de Deus, e como Novas Criaturas. Trazemos em nossas testas o Sinal do Filho do Homem, isto é, o Triângulo ígneo representativo do Pai, Filho e Espírito Santo, que se manifesta como Amor.

Percebe-se em volta de todo aquele que se confessa a esse Amor Crístico, algo como que auréola, plena das mais santas vibrações transmitidas em forma de grande compaixão e amor-sacrifício por onde caminhem a dor, a miséria e o sofrimento. Lembremo-nos dos Profetas, Apóstolos e dos verdadeiros benfeitores da humanidade: Platão, Sócrates, Hipócrates, Francisco de Assis, Santo Agostinho, Jacob Boehme, Max Heindel e tantos outros grandes idealistas, que através de seus ensinamentos fizeram ecoar nas fibras dos mais empedernidos corações o eterno hino do Amor. Através de todos eles circulava o Fogo do Espírito de Deus, pois do contrário não poderiam, com tanta energia proclamar a Presença Divina. Os escribas, pelo contrário, jamais puderam fazer vibrar os corações, pois não falava neles a Divina Luz, e sim a inteligência fundamentada apenas na lógica humana.

Nunca houve possibilidade de determinar o que é a Verdade. Pode-se apenas dizer que ela é uma constante criação de novas perspectivas pelo Grande Todo. Portanto, impossível de ser conhecida apenas pelo raciocínio humano. Por isso, mesmo Cristo não respondeu a Pilatos quando este o interrogou: “Que é a Verdade?”.

Neste instante defrontam-se o tempo e a eternidade, o brilho da dialética do mundo e o eterno fulgor de outro mundo, pois não disse Jesus: “O meu reino não é deste mundo”? (Jo 19:36). E depois, o que adiantaria falar-lhe (a Pilatos) a respeito da Verdade se não estava interiormente amadurecido para reconhecê-la? E nos tempos atuais, de que nos adiantaria especularmos a respeito da verdade ou de Deus, se O reconhecemos em nós mesmos? A ingratidão, o mal e a miséria cravaram tão fortemente suas espadas nos corações dos seres humanos, que estes não mais podem sentir a pulsação constante do Amor Infinito, que desce em ilimitada compaixão até nós, desde os planos do SER UNIVERSAL.

Para total infelicidade do gênero humano, este Divino Amor encontra sempre a oposição do Amor: humano, egoísta e auto conservador. E assim a humanidade assemelha-se a um rebanho de cegos conduzido por um guia cego. Originalmente, ela foi criada como moradora do Jardim do Éden. Cintilava sua veste como pedras preciosas. Era ungida como Querubim, parecendo como pedra afogueada entre as estrelas do firmamento, palavras estas pronunciadas pelo Profeta Ezequiel (28:13 e 14). Devem ser lidas muitas vezes estas dramáticas acusações! Originalmente, a humanidade foi criada para andar pelas mãos de Deus, numa perfeita ligação de amor. Nesta santa intimidade não é possível conhecer-se o mal, a separação e a dor, mas constantemente o sentimento da felicidade e a paz. Não se trata aqui, absolutamente de uma exaltação ou de arroubos místicos. Este encontro com Deus é permanente. É Deus reconhecendo-se a Si mesmo em sua criatura, e esta se encontrando a si própria no seu Criador. “Lumine de lumine, lumine de lumine. . .! ” Esta sensação de intimidade entre Deus e o ser humano não pode ser explicada, pois ela se realiza no mais recôndito, onde a percepção se torna sublime, transcendental e imaterial. Não é possível reconhecer a presença de Deus por meio de palavras, nem formular regras para conhecê-lo em nosso espírito, pois o cálice transborda de alegria. Qual o santo que alguma vez se expôs a uma sabatina de tal espécie? Isto seria blasfêmia. Conhecer a Deus, somente é possível àquele que prova em si a Sua Presença.

No entanto, saibamo-Lo ou não, Ele nos envolve em Sua Eterna Luz, à espera de nossa manifestação em sentido de orientador superior, a fim de que a Sua Plenitude e o Seu Espírito possam penetrar em nossa aura, em nossa individualidade, em nossa inteligência. Este e o Seu eterno anseio. E quando a criatura conhece a dor, o sofrimento, estes não são causados por um afastamento de Deus, e sim pela própria criatura. Muitas vezes ouve-se alguém dizer: “Por que Deus permite isto ou aquilo?'. Então encontramos a única resposta: “Os homens cerraram a passagem à Luz que tem como único objetivo alimentar as suas almas, a fim de que não mereçam, mas tenham a Vida Eterna”. Afirmamos veementemente: a criatura que se volta novamente a Deus, o Fogo do Amor Divino não tardará com o Seu Batismo. Assim, o Batismo do Fogo é sempre renovado, até que o derradeiro se cumpra, culminando no total renascimento da criatura para o Reino dos Céus. O Fogo trazido a Terra por Cristo está a arder e toda criação geme como em dores do parto à esperada manifestação do Filho de Deus.

--o0o—


II

Esclarecimentos à parte

No 4º Capítulo, nos versículos 1 e 2 do Evangelho de São João (o Discípulo que Jesus amava) lemos o seguinte:

“Quando Jesus soube que os fariseus tinham ouvido que Ele fazia e batizava mais Discípulos que João” (se bem que não era Jesus que batizava, mas seus Discípulos), e no versículo 9 o diálogo entre a mulher samaritana e Jesus dizendo-lhe:

“Como sendo tu Judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?” (Porque os Judeus não se comunicavam com os samaritanos).

E logo o vers. 10, diz:

“Jesus respondeu-lhe: ‘Se tu conheceras o dom de Deus e quem é que te pede: ‘dá-me de beber’ tu lhe pedirias e ele te daria ‘água viva’’”. (Nesse caso “Água Viva” não se deve compreender como um rio em movimento).

Nos versículos 13, 14, 20, 21 e 22, Cristo ensina Sua eterna vida:

“Qualquer que bebe dessa água (do poço de Jacó) tornará a ter sede”.

“Mas aquele que beber da água que eu lhe der, se fará nele uma fonte d'água a jorrar para a vida eterna”.

“Nossos pais adoraram neste monte, e tu dizes que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”.

“Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me, que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai”.

“Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” (dos Iniciados em espírito que trazem em si a Paz do Espírito do Pai, que reinará com seus filhos na cidade luminosa de Jerusalém, com Cristo sendo o Sumo Pontífice, o “REI DE SALEM”).

Entende-se o termo judeu e israelita no sentido de o iluminado pela água da vida para toda eternidade. Falava Cristo à mulher de Samaria, de uma água morta a qual jamais poderia matar a sede, referindo-se ao mesmo tempo a água que Ele oferecia, isto é, o Espírito da Vida que eliminava a sede para toda eternidade. Esta água não teria nada que ver com aquela de que os homens e animais bebem, e sim com a Água corrente do Fogo do Espírito Santo com que o Salvador batizava, atuante no CORPO DE CRISTO. Sabemos destarte, que esta água é a portadora da VIDA ETERNA, transmitida por Cristo. Assim, tendo bem compreendido o que foi dito acima, torna-nos lógico que Cristo não necessitava de Batismo algum, pois, bem diz o Evangelho segundo São Mateus, no Capítulo 3, versículo 15, ao se aproximar Jesus para ser batizado por João:

“Eu é que preciso ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?”.

Evidentemente não necessitava do Batismo, pois era o Senhor do Mundo! Em verdade, sempre houve entre os sumo-sacerdotes, desde a existência do Tabernáculo no Deserto, o Lavabo (pia batismal) no qual se purificavam, antes de entrar no departamento onde brilhava a Glória da Shekinah, a luz vermelha, representativa do Espírito Santo, com quem entrava em contato. Note-se que se tratava aí de COMUNHAO COM O SENHOR DEUS, quando eram recebidas as ordens para o povo. Neste momento, havia entre aquele que se havia purificado (batizado), e Deus, uma estreita relação, mesmo que o Pontífice não conhecesse a face do Espírito Santo. Como havia passado pela água do lavabo, exposta às forças cósmicas durante as lunações em que Jeová dominava, resultara a purificação dos corpos inferiores, estabelecendo-se a comunhão entre Jeová e o sumo-sacerdote, e assim o Verbo que saía da boca do Senhor não era desvirtuado.

Neste ponto convidamos o leitor a deixar-se levar pela própria intuição, a fim de apreciar maiores conhecimentos espirituais que se seguem.

O ponto máximo dessa purificação pela água deu-se com o povo israelita, quando da travessia do Mar Vermelho. Ali, como uma manada humana, passando pelas Águas, foram guiados por uma coluna de fogo, provocando uma purificação em massa.

Este acontecimento, bem o explica Paulo de Tarso, na primeira carta aos Coríntios, Cap. 10, 1:4, com as seguintes palavras:

“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem e todos passaram pelo mar”.

“Tendo todos sidos batizados assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”.

“Todos eles comeram de um só manjar espiritual”,

“E beberam da mesma fonte espiritual”;

“Porque bebiam de uma Pedra Espiritual que os seguia”.

“E a Pedra era CRISTO”.

Estas palavras fundamentais de Paulo mostram e explicam bem que a unidade deveria ser mantida pela relação existente entre a comunhão israelita e a posterior consagrada à crucifixão de Jesus-Cristo. Tanto antigamente como na atualidade, os candidatos à purificação recebem o Pão e Suco da Videira, símbolos da presença do Alimento Divino para salvação. A esta altura relembramos que tanto as sinagogas como as igrejas ostentam em seus altares a mesma Luz Vermelha, símbolo da presença do Espírito Santo. Bem diz São Paulo, que o Cristo se achava na nuvem, na coluna fogosa na passagem dos israelitas pelo Mar Vermelho. Isto nos mostra cabalmente a perfeita Unidade de Deus, mesmo quando se fala em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O Espírito Universal é UM, e não três nem cinco nem dez! Visto dessa forma o assunto torna-se claro. O Batismo da Água valorizava os preceitos e ensinamentos dados por Moisés através do Espírito Santo. E logo depois, quando o Cristo passou com o povo escolhido através do Mar, impôs-lhe o conhecimento do espiritual Fogo Invisível. O espiritualista, em seus corpos purificados, reconhece a mesmíssima coluna fogosa em sua própria coluna espinhal, o Fogo Sagrado do Espírito Santo.

Notemos que, em tempos remotos, tudo se manifestava externamente, de forma inconsciente, devido ao estado involutivo da criatura. Esta, com o passar dos tempos, foi, paulatinamente, tomando consciência de uma vida externa. E assim sendo, a vida espiritual encontrava-se em quase completa escuridão, sendo desvendada por alguns poucos vanguardeiros que iam desenvolvendo órgãos de percepção espiritual. Semelhantemente, nos dias atuais, este reconhecimento interior de Deus encontra-se velado para a maioria dos seres, por não possuírem ainda órgãos aperfeiçoados necessários para tal finalidade. Deus fala hoje como antigamente as almas dos seres humanos. Mas a virtude de Deus não alcança aquele que não aceita, que não a cultiva em si mesmo. Falta-lhe a devida fé, falta-lhe o devido amor incondicional, falta-lhe a devida força para uma entrega total de si mesmo a este AMOR MAIOR, sem a qual não se pode viver e nem se consegue a divina ascensão do próprio ser.

Nessa prospecção lembramo-nos de ter falado a respeito da atuação externa de Cristo, quando da passagem do povo judeu pelas águas do Mar Vermelho, o que equivaleu a um Batismo Externo. Após muito vagar pelo deserto, surgiu o amadurecimento tão esperado, que lhe permitiu receber o Batismo Interno ministrado por Cristo. A fim de atingir este amadurecimento, foram necessários longos anos de penúrias e de sofrimentos constantes, de contendas e perseguições, de reedificações do Tabernáculo e Templo de Jerusalém. Os Macabeus, organização militar da Judeia, já não mais resistindo aos exércitos bem mais fortes, inclusive os de Roma, não encontravam outra solução senão evadir-se pelo suicídio nas montanhas da Palestina. Estas tremendas provas porque passaram, somente podia levá-los a uma seleção, a uma depuração, a uma preparação para o advento de Jesus, posteriormente Jesus-Cristo, que os conduziria a libertação por meio de um Batismo mais extraordinário. E esta libertação, ou seja, Salvação, somente podia ser lograda dentro do sangue da humanidade, por meio do sacrifício de Jesus. Vejamos, porém, mais de perto este importante acontecimento. O purificado sangue de Jesus era algo preciosíssimo, pois era cheio da força do Espírito Santo, e deste modo, o ESPÍRITO UNIVERSAL podia penetrar, perfeitamente, em todas as camadas da Terra, purificando-a. Assim, Jesus trazia às almas humanas o Batismo da Salvação, o Batismo do Sangue, sangue de Jesus no sangue do ser humano. As forças divinas puderam penetrar até o âmago da natureza humana, e Cristo fez-se um de nós! A partir de então, tornou-se possível receber as vibrações do Sol diretamente, pois o sangue de Jesus servira de veículo entre a humanidade e as forças solares. Verdadeiramente a Luz não mais seria recebida por intermédio do regente da Lua, ou seja, JEHOVAH, e sim do Arcanjo Solar, o CRISTO que, manifestando-se pelos corpos físicos de Jesus, na Terra, sofreu derramamento de sangue no Gólgota; e através do sangue penetrou nosso Globo e se tornou Espírito Planetário da Terra.

Na Santa Ceia este mesmo Espírito testemunha pelos lábios de Jesus:

“Tomai, comei; isto é o meu corpo”.

Note-se que Ele não disse: “isto representa o meu corpo”, e sim: “Tomai, comei; isto é o meu corpo”.

Da mesma forma tomando o cálice e dando graças deu-o aos Discípulos, dizendo:

“Bebei todos dele; porque isto é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado em favor de muitos para remissão dos pecados”.

Estas passagens o leitor poderá encontrar no Evangelho segundo São Mateus, Capítulo 26, versículos 26, 27 e 28.

Deste momento em diante, a fase final da história da Salvação precipitava-se. O símbolo da Eucaristia é um dos mais belos e mais santos dentro dos mistérios. O pão que Cristo tomara, e que apontara como sendo o seu corpo, e o cálice da nova aliança representam neste sublime rito, a Terra e tudo que ela contém (neste caso o pão feito de trigo, e o suco de todas as frutas). Eles receberiam, no ato final do grande Sacrifício Cósmico de Cristo, a vitalidade e a Luz do Mundo do Espírito de Vida, não somente do exterior como do interior da Terra. Deste modo o globo terráqueo vem passando por uma alquimização constante, efetuada pela Luz de Cristo. Assim como Cristo penetrou nos corpos dos Discípulos por meio do Pão e do Suco da Videira, tem penetrado também em todos aqueles que chegaram a compreender e aplicar a ciência da transmutação em seus corpos. (Transmutação por meio do Amor espiritual - impessoal).

Tal alquimia não admite fermento estranho na massa, pois, a própria vida-luz que o discípulo traz interiormente é suficiente para o seu crescimento. Na velha dispensação os israelitas tinham de entregar o pão ázimo, isto é, não fermentado. Este ensinamento significa que em tudo quanto há fermentação, existe o signo da morte. Da mesma forma, Cristo entregou (como os judeus na Páscoa) o pão não fermentado. Nisto entendemos que, aquele que toma o pão e suco da videira não fermentado - O CORPO DE CRISTO - jamais perecerá. A pureza do corpo espiritual jamais poderá fermentar. Entendemos assim, que Cristo não somente na ocasião da Páscoa fez a entrega do pão ázimo (SEU CORPO), mas o faz constantemente, até que o Espírito se faça presente em toda plenitude num corpo não fermentado.

As águas da morte haviam passado, e a pura espiritualização pelo fogo tomou o lugar de tudo aquilo que fermentava. O FOGO DA RESSURREIÇAO NASCERIA EM TUDO QUE CONTINHA A PODRIDÃO DO FERMENTO. Na crucifixão foi entregue o FOGO DO ESPÍRITO TRIÚNO, para que a pureza pudesse ser extraída da impureza; o ouro puro, da escória. Verificamos, assim, a constante presença de Deus, quando diariamente partimos o pão em memória d'ELE. Em cada partícula que tocamos com nossas mãos e ingerimos com devoção a ELE, recebemos o Batismo do Fogo, em virtude de seu Sangue Purificador. Unimo-nos a Ele todos os dias, a todo instante, pois o Espírito não fermenta e assim temos a Vida Eterna como ele nos prometeu.

Afirma-se daí, que a criatura jamais deveria pensar em si mesma como sendo apenas um ser feito de carne e osso e sim, participante do Espírito, jamais exposto à fermentação ou deterioração. Depende apenas de si o deixar-se fermentar ou não, o viver na luz da vida eterna ou nas trevas da corrupção, quer física, quer etérica ou emocional e intelectualmente. Os nossos corpos superiores recebem sempre poderes de qualidades divinas por força da Ordem Divina, reinante em todo o Cosmos. Na parábola da videira encontramos referência sobre esta afirmação (Evangelho Segundo São João 15:1-5).

“Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor; (...) vós sois os ramos; aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto”.

Daí se infere que vivemos sob constante influxo de Forças Divinas que nos envolvem e interpenetram. Asseveramos, portanto, que a única condição para permanecermos nestas Forças Divinas (no Cristo) é o desejo, o anelo sempre continuo de sermos, tais como ramos de uma árvore alimentados por Sua vida. Assim como o Pai preserva a videira, com toda a certeza preservará os ramos que nela permanecem.

Por essa verdade absoluta tão bem explicada por Cristo ao transmitir o conceito da Eternidade do ser humano em Deus, existindo na Eterna Unidade, ou no Verbo Infinito, deve o candidato saber, e por fim sentir, o plano espiritual em seu EGO como Batismo do Fogo e Espírito, de maneira concisa e exata, para não mais desviar-se da profunda base existente na videira, no Fogo do Pai, do Filho e da constante criação do Espírito Santo em seu próprio Ego, Cristo no Ser Humano. Saibamos que o Fogo do Espírito Universal jamais conhecia limitações em qualquer extensão material, intelectual ou mesmo em si, como elemento do ABSOLUTO. O ser humano que é incluído em todas as partes divinas por causa de sua divina descendência reconhece, assim como Deus mesmo, a sua ilimitação. Ressaltamos, porém, que existem limitações apenas para quem não consegue, em sua meditação espiritual ou em sua alma, conviver com a sua ilimitação. Esta frustração resulta de sua Mente não acessível ao ambiente em sua extensão iluminada, ainda não suficientemente aplicada ou aplicável em atividades puras. Todo espiritualista sabe perfeitamente que cada pensamento representa uma onda de “luz”, movimento luminoso que é qualidade da divina onipotência.

Esta linguagem encontramos em todos os livros sagrados, na música, literatura e na escultura, em que o Espírito de Deus é fator cooperante. É de suma importância a criatividade na obra artística, pois se percebe quanta força divina tem atravessado, ou tinha possibilidade de se manifestar na alma do artista e, com poder interno, podia expressar-se na pauta musical, na tela, ou na pedra de mármore.

Adicionemos ainda algumas palavras ao mesmo assunto, pois se trata do “ESPÍRITO SANTO” em nossa individualidade. Se pertencemos, como “EGOS”, a substância de Deus, mesmo afastados da Luz Central existimos em qualidade espiritual nos corpos divinos do Sistema Solar, como participantes de todos os sistemas e de suas qualidades, desde o mais sutil-abstrato, “ONISCIÊNCIA DE DEUS”, até o material mais grosseiro do mundo Planetário-Estelar.

Com estas reflexões entendemos pertencer ao princípio das coisas, a Deus, ao Caos, em exata harmonia com as leis coordenadoras do mesmo, embora sejam imensuravelmente elevadas à nossa compreensão mental. Porém, pelo pensamento abstrato, podemos compreender muito bem onde o nosso ser interior tem a sua função sublime e absoluta.

A esta altura esperamos que o prezado leitor haja alcançado o sentido de “O BATISMO DO FOGO E ESPÍRITO” através de nossas explicações. Atentemos, a seguir, as palavras de Cristo quando nos ensina: “ANTES QUE EXISTISSE A TERRA, EU ERA”. A palavra de Cristo é verdade que conduz à totalidade da criação. Portanto, pertencemos a qualidade dos poderes de Cristo. Facilmente vislumbramos nestas palavras a nossa origem, coincidindo com Aquele a quem Ele pertencia, ou seja, Criador do Universo e, em particular, a evolução do sistema Solar ao qual pertence o nosso globo terreno.

Devemos ainda exigir esclarecimento para retificar um erro grave que os dogmas cometem quando dizem que, após a crucificação, Cristo desceu ao Inferno ou, a mansão dos mortos, ressuscitando no terceiro dia. Compreendamos que isto jamais aconteceu, pois Cristo incorporava em Si qualidades celestiais, mercê das quais jamais precisaria descer a um inferno ou mansão dos mortos! Ele era o Senhor da vida! A, palavra inferno tem o sentido etimológico de “o mais inferior”, designativo de um estado vibratório lento, que deve ser acelerado no processo de espiritualização dos veículos. Eis o que deve acontecer aos seres humanos, pois a Terra e a sua humanidade deverão ser salvas.

O Batismo pelo Fogo e Espírito deveria realizar-se para que não sucedesse ao nosso Globo e corpos a extrema condensação que a Luz sofreu. Entendamos que o Fogo deveria permear e sutilizar a Terra que perigava devido a sua vibração demasiado lenta. A Terra e seus habitantes foram salvos da destruição devido a poderosa atividade Solar incorporada no próprio Cristo. Analogamente devemos também acreditar na constante reaparição do Globo Terreno, pois ele reencarna ciclicamente, tal como o nosso espírito. Não é possível imaginarmos quantas vezes e em quantos sistemas solares o globo que habitamos já tem existido, pois se trata de uma constante evolução. As Galáxias estão a nossa disposição. Devemos lembrar-nos, de uma vez para sempre, que a Luz Divina (DEUS É LUZ) representa uma constante circulação, como se fosse o SANGUE DO ESPÍRITO DO TODO UNO, indestrutível, eterno e de total potência. Existe sim, uma constante ação criadora da qual nos beneficiamos e que podemos chamar: a consciência do Batismo do Fogo e Espírito.


[1]N.R.: (Mt 3: 11)