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A Astrologia e a Academia Francesa

A Astrologia e a Academia Francesa

Uma das disciplinas estudadas pelos Rosacrucianos é a Astrologia. Mas, conjectura-se que até aos nossos dias a ciência chamada Astrologia tem decaído, ao longo dos séculos, sendo hoje explorada, como filão aurífero, por uma categoria de pessoas que não tem cotação no mundo moral. Daí a má fama que tem visto que os negociantes de horóscopos, pela sua falta de cultura e de moral, não podem dignificá-la. Mas a Astrologia foi, até o século XVII, uma Ciência que figurava na lista das disciplinas de todas as universidades, estando especialmente a cargo dos matemáticos e dos médicos. Por meio da Astrologia os matemáticos observavam o céu e previam o tempo; os médicos utilizavam a Astrologia para o diagnóstico das enfermidades e para, com maior êxito, fazerem as suas intervenções cirúrgicas, pois nunca se podia operar em boa segurança estando a Lua no Signo que regia a parte do corpo a operar.

Por esse motivo nenhum estudante era admitido à matrícula em medicina sem provar, com diploma autêntico, que tinha concluído a cadeira de Astrologia. A História da Medicina registra, ainda que sumariamente, essa associação da Astrologia com a arte de curar. Porém quando se fundou a Academia Francesa, a Astrologia não foi incluída entre as ciências perfilhadas e por isso mesmo é que sofreu a sua maior queda, ficando abandonada! Nunca mais ela foi ensinada nas universidades.

Mas não estava bastante desacreditada pelos charlatães que, à sua sombra, faziam o sórdido negócio dos horóscopos e lançavam errados vaticínios aos quatro ventos. O que levou os acadêmicos franceses a deixar de parte a Astrologia foi a lógica preocupação de abandonar tudo quanto não pudesse comprovar-se cientificamente. E pela mesma razão os matemáticos trataram de fazer a separação entre o que na Astrologia era arte de profetizar e o que se referia à especulação do espaço onde vogam os corpos celestes, aparecendo desse modo a ASTRONOMIA.

Muitos indivíduos que nunca estudaram esta ciência lançaram sobre ela a "sentença condenatória". Mas nós sabemos perfeitamente que a IGNORÂNCIA e o ORGULHO nada valem!

A ignorância sempre foi atrevida, o orgulho sempre se mostrou autoritário, arrogante. Mas nem uma nem outra possuem qualquer valor, pelo que não ligamos importância ao que dizem os imprudentes, porque tais julgadores estão condenados por si próprios, não só porque revelaram a sua maldade, filha duma estúpida ignorância, mas porque julgaram mal o mundo que havia de lê-los, pensando que todos os seus leitores estariam mais pobres de mentalidade que eles.

O ser humano honesto não condena antes de conhecer muito bem. E mesmo assim, ele procura ser justo, humano, antes de lançar a sua sentença, para que depois não tenha de se arrepender quando a sua consciência o censure por haver sido desonesto e injusto.

Negar, denegrir, desacreditar é sempre muito fácil; investigar, buscar a verdade onde quer que julguemos que ela esteja, não é fácil! Exige trabalho, tempo, e nem sempre a certeza de a encontrar. Por isso demolir é mais fácil e, com alguma habilidade, até se pode conseguir brilhar destruindo, ainda que não seja senão como ouro falso. É pena que entre os detratores da Astrologia encontremos alguns que possuem boas qualidades mentais e só por isso conseguiram cotação no plano intelectual. Bom seria que também a possuíssem no moral, porque neste caso nunca tomariam atitudes deselegantes como é a do que nega o que não sabe!

A Astrologia é a mais antiga ciência que os seres humanos conheceram e chegou até nós ao longo de muitos milhares de anos, não porque desde o seu princípio até agora estivesse na posse de pessoas estúpidas, ignorantes e supersticiosas, mas porque realmente é uma ciência, ainda que apenas conjectura.

É arcaica? É! Mas, em todo o mundo culto e em todo os tempos houve indivíduos da mais alta cotação intelectual que a estudaram e utilizaram para fins úteis, como já vimos.

Os árabes, que vieram do Oriente até nós, numa caminhada secular, trouxeram consigo, na maior intimidade com os chefes, astrólogos que os guiavam de harmonia com as indicações dadas pelos ângulos de incidência e das emanações dos corpos celestes. Entre nós, Pedro Nunes e Luís de Camões foram amorosos cultores da Astrologia, e nem por isso os seus créditos ficaram diminuídos!

Desacreditaram a Astrologia indivíduos de baixo quilate moral, desonestos, uns negociando-a ou fazendo inconscientemente previsões que não se realizaram; outros, empertigados na sua vaidade e orgulho e valendo-se da sua cotação meramente intelectual, só porque outros lhe arremessaram pedras, trataram de fazer o mesmo, negando à Astrologia foros de ciência espiritual; e para além destes ainda apareceram outros que, por falta de dinheiro, ou escreveram a favor ou contra ela, mas de um modo ou do outro sempre em desabono da profética ciência, como lhe chamava Camões.

Atualmente a Astrologia conta com o apoio de seres humanos da ciência altamente cotados em todo o mundo; e por isso mesmo vai ressurgindo para bem da humanidade.

(De Francisco Marques Rodrigues, publicado na Revista "O Rosacruz", nº 221, da Fraternidade Rosacruz de Lisboa, Portugal e publicado na Revista Serviço Rosacruz de 03/1962)