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Astrologia – seu Ensinamento e a sua Ética: queremos ou não trabalharmos com essa divina Ciência?

Astrologia – seu Ensinamentos e a sua Ética

A Astrologia nos ensina: "Caráter é Destino". Mas, consideremos que na maioria das vezes esta frase vem sendo repetida, sem que, entretanto, seja procurado ou compreendido o seu significado real.

Mas vejamos: o que a Astrologia nos ensina? Quais os princípios demonstráveis claramente?
Sejam quais forem as condições de nossas vidas, boas ou más, serão elas, nem mais nem menos, do que uma reflexão exterior de condições existentes em nosso interior.

A Astrologia é uma religião e ainda mais: é a mais elevada das práticas religiosas possíveis a serem seguidas pela humanidade, revelando-lhe o verdadeiro Deus, livrando-o de uma concepção antropomórfica, distante, sentado num trono distante; mostra o Pai amoroso conhecido por nós somente pelos Seus atos e ações através de toda a vida.

A Astrologia rejeita a noção de um Ser vingativo punindo o transgressor e exigindo sacrifícios para anular o ato pecaminoso. Ignora tudo o que representa uma Fé cega. Nada ensina daquilo que possa ser admitido como meio para eliminar todos os sinais das transgressões, facultando ao Espírito purificar-se por meio de obscuras aceitações de uma crença ou credo.

Segundo a Astrologia, nossas debilidades latentes ou manifestas devem ser sobrepujadas pela nossa própria volição. Ensina-nos ainda a Astrologia que não haverá fugas aos resultados dos erros cometidos. O ser humano é quem realiza a sua própria salvação. Eis porque se exige conhecimento ao invés de uma Fé. Exige-se que saibamos, em vez de crer meramente.

Pede-se somente investigação para que suas verdades possam ser provadas, não forçando ninguém a aceitar seus ensinamentos, a não ser por meios lógicos.

A Astrologia ensina o ser humano a ser um Espírito imortal, posto aqui na vida terrena em uma escola de treinamento tendo deveres, os quais cumpridos zelosamente proporcionam condições para trabalhos progressivos e mais avançados. Ensina-nos que a vida é governada por leis imutáveis, as quais sendo transgredidas conduzem às perdas e dores. Ensina-nos que o ser humano pode ter a faculdade de escolha, possui uma responsabilidade pessoal; por isso, os efeitos das escolhas recairão sabre ele, isto é, ensina-nos que nossos próprios pecados nos punirão.

Se o indivíduo falha no cumprimento de seu dever neste lapso de vida terrena, voltará novamente para corrigir seus erros, aprendendo e crescendo, ascendendo mais alto, aproximando-se, portanto, da divindade que tem dentro de si.

A Astrologia ensina-nos que a vida está sujeita a um desenvolvimento progressivo, regulada pelas leis imutáveis da Justiça Eterna. O ser humano paga pelos erros cometidos, constituindo-se seu próprio salvador. Isto quer dizer que a justiça manifesta-se através do próprio transgressor e não por força de um Deus irado. Este é o ensinamento básico da Astrologia. Quem estuda esta ciência, sob o ponto de vista religioso, dificilmente deixa de penetrar em sua realidade.

Nenhum estudante sincero da Astrologia poderá empenhar-se em sua pesquisa, sem que tarde ou cedo ouça o chamamento de levar avante a tarefa do desenvolvimento próprio e viver os princípios e a ética preconizados pela ciência a que ele se devotou. Ser um representante da Arte Santa e ao mesmo tempo ser um escravo das paixões e dos vícios do ser humano não desenvolvido, realmente é ser desonesto, desleal, mentiroso e incoerente.

Não existe ensinamento mais dignificante, mais elevado e mais divino ministrado ao indivíduo, do que aquele emanado da Astrologia. Verdadeiramente os seus ensinamentos vem sendo retirados de seu Tabernáculo Sagrado e apresentado ao mundo sob a influência da Mente materializada do ser humano. A pérola vem sendo exibida àqueles que a conceituam frivolamente, apenas como um reflexo de mentes supersticiosas. Para os puros em motivações, ela será constantemente uma salvaguarda sagrada, uma revelação esotérica.

Para aqueles que iniciam seu estudo, nesse ramo do ocultismo, surge uma voz: "está você preparado para seguir a VERDADE para onde quer que ela o leve?". Muitos, sem dúvida, falham em compreender a responsabilidade inerente a um estudo oculto. Suponha-se que esse estudo leve o indivíduo até a porta da Iniciação, onde o problema da transmutação do ser humano inferior no superior leve-o a momentos de hesitação: "Isto é muito elevado para mim". Estaria ele preparado para, honestamente, abrir a porta, disposto a que a Verdade o conduzisse para estágios mais elevados; deveres mais pronunciados ou maiores responsabilidades?

Vejamos o que a Astrologia nos ensina a esse respeito. Todos temos Saturno como representante do Guardião do Portal. Ele permanece vigilante sobre a ponte que liga a consciência inferior à superior. Em síntese, quem não tenha adquirido virtudes a um determinado grau, esbarrará sempre em Saturno. Todo aquele que procura a consciência superior deve sujeitar-se a esse processo de provas e de vicissitudes por meio dos quais suas virtudes são testadas. Enumeremos de forma rápida esse processo de provas:

1) Pureza física. Somente os corpos puros poderão refletir pensamentos puros;

2) Emoções purificadas e sentimentos desapaixonados;

3) Amor à verdade, paciência, perseverança, castidade, predisposição à meditação.

Finalmente, leva todos os indivíduos à verdadeira humildade, à condição em que tudo o que é material é renunciado, por que somente assim os poderes latentes do Eu Superior poderão cruzar a ponte construída por Saturno (a qual liga o Espírito e a Personalidade). Eis porque dessa forma o ser humano liberta-se do lado concreto da matéria, não mais ficando escravo da carne e à mercê das circunstâncias. Tendo conquistado a matéria na sua forma mais ou menos sólida pode deixar seu corpo à vontade e funcionar em planos mais sutis. Inverte suas esferas. Por isso, trabalha conscientemente com o Raio ao qual pertence.

Entretanto, tudo isso poderá ser obtido unicamente por meio da obediência às leis superiores, porque o ser humano prova a sua superioridade quando se conforma com a lei. A lei e o indivíduo devem ser unos, e à consumação com a lei devem ser espontâneos. Se assim não for, toda outra forma de consumação ou de obediência torna aspecto de compulsão, não sendo, portanto, natural. O ser humano liberta-se pelo serviço, pela obediência, mostrando, assim, sua identificação com aquilo que serve e obedece.

Compreendemos a tremenda responsabilidade oriunda do conhecimento oculto?

Uma nova raça surge lentamente em nosso meio. Milhares estão despertando à consciência de sua natureza espiritual e, consequentemente de suas potencialidades. Os mestres devem estar atentos para instruir essa gente nova. Aí se localiza nossa responsabilidade. Levar nossos semelhantes àquilo que procuram; ministrar-lhes em certa medida a verdade que vem sendo privilégio receber; indicar-lhes o caminho que os levará ao conhecimento da Divindade interna; ajudar a fortalecer a diminuta luz, que apenas está surgindo com o conhecimento e a sabedoria conducentes à unidade e a liberdade. Qual o melhor caminho que nos levará a essa realização, senão o conhecimento da Astrologia?

Que estupendas oportunidades essa ciência oferece àqueles que estão desejosos e prontos a auxiliar seus semelhantes. Que santa missão depara-se ante o estudante do ocultismo. Que faremos a respeito? Estudamos egoisticamente, com o objetivo de sabermos mais do que os outros, para satisfação pessoal ou vaidade? Ou estudamos para tornarmo-nos atentos ao dever que se nos depara e a consequente responsabilidade? Se assim for devemos nos sobrepor à vaidade, ao orgulho intelectual e as fraquezas similares, ampliando nossas Mentes à luz do amor.

O trabalho está à nossa frente. A taça das dores alheias deve ser sorvida de boa vontade, para que possamos oferecer a taça dos óleos curadores, da simpatia e da bondade. Se enfrentarmos com coragem o trabalho a ser executado, seremos recompensados com maior progresso, deveres mais superiores e maiores responsabilidades.

Os eventos da vida de Cristo-Jesus contêm os ensinamentos básicos da Astrologia Esotérica. É o caminho de todo aquele que se esforça em tornar-se livre da dominação pela vibração astrológica. É a única via por meio da qual o ser humano livra-se das influências mundanas e torna-se acessível às influências superiores dos Astros. Esse é o Caminho da Vontade, por que é a Vontade o fator determinante. Todo mal do mundo é resultante da negação de Deus, o efeito do materialismo. Eis porque o dever de todos os Egos despertos é ajudar a melhorar essas condições pelo serviço desinteressado, pela erradicação do mal interno, pelo encaminhamento de nossas vidas particulares a canais de reta conduta.

Todas as formas egoístas devem ser erradicadas. Não deve existir nenhuma obstrução pessoal em nosso estudo da Astrologia. O intelecto deve estar subordinado à auto abnegação, à sinceridade, a lealdade de propósito.

A ciência dos Astros ensina que o propósito da vida humana é manifestar Deus em todas as coisas, desenvolver a Divindade em si mesmo. Aqueles que conhecem as verdades contidas na Astrologia, suas belezas e a justiça de Deus revelando-se através de Seus "Administradores Planetários", têm o dever de zelar para que esta ciência permaneça em seu lugar sagrado e em sua pureza original. Por ser uma ciência espiritual, procedamos para que assim permaneça.
A Astrologia revela o ser humano a si mesmo. Se você puder mirar todas as suas fraquezas e vícios é um ser humano de coragem! Tal é o que devemos fazer, se desejamos progredir pelo caminho da espiral que nos levará à Divindade. Devemos tecer a veste da pureza e perfeição, trabalho daqueles que são conscientes do propósito da vida e já despertaram do materialismo entorpecente. Poderá ser realizado um trabalho glorioso com o auxílio da Astrologia – um estupendo e prazeroso trabalho. Oxalá, possamos usá-la dentro dessa finalidade brilhante.

(Revista Serviço Rosacruz – 02/72 – Fraternidade Rosacruz – SP)